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Engraçado que se bajule tanto os jovens na Política partidária hoje em dia, precisamente quando é a população mais velha a que aumenta enquanto a juventude mingua. Serão os próximos governos piores? Uma reunião de debilóides oriundos de DCE sem a menor visão de longo prazo, que se orgulha de desdenhar do passado e que tampouco se preocupa com o futuro? Imagino um mundo mais cruel, com os idosos, com os que não tem a disposição física, mental ou emocional para acompanhar “o progresso” imaginado pelos tiranetes juvenis cheios de ideias idiotas e carentes de experiência de vida.

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Gente que não consegue sequer manter um relacionamento estável, assumir uma paternidade, cuidar de uma casa, estará “planejando” a vida de milhões no futuro, nos seus mais íntimos detalhes. Decidirão em Congresso se a adesão ao vegetarianismo deve ser compulsória (para proteger os direitos dos animais), se automóveis de uso particular devem ser proibidos (para proteger da poluição as futuras gerações que, devido ao aborto, nunca virão a existir), e também se é lícito a um casal executar jogos eróticos de dominação (levando em conta que violam os direitos da mulher). Posso imaginar também outras “soluções” que a juventude proporá: a proibição do cigarro (droga burguesa, capitalista), dos fast-foods, dos refrigerantes para crianças, das propagandas com animais. Em troca oferecerão a legalização da maconha (droga revolucianária, do bem), a elevação da favela ao status de reserva indígena ou quilombola (onde estrutura viária e saneamento básico são considerados higienismo reacionário), o aborto “on-demand” e o monopólio estatal sobre o petróleo, a luz elétrica, a distribuição de água, a internet, a imprensa e a produção agrícola. Haverá escassez de alimentos e fuga em massa de “burgueses”, “reaças”, “coxinhas” e a “classe média” em geral. Alguns serão presos ou mortos no processo, mas, qual omelete é feito sem quebrar alguns ovos? A igualdade estará oficialmente estabelecida e o seu inverso vergonhosamente escancarado. Alguns iguais mandarão em outros, outros iguais serão ameaçados e presos por pensarem menos igual.

O século XX foi o último das “quarteladas”. Os próximos tiranos sairão das militâncias estudantis. Os fascistas e os bolchevistas também começaram apenas como bons camaradas brigando na rua pela conquista das coisas do povo, usando sempre o método mais eficaz que é quebrar tudo e tachar de reaça e comodista quem não gostar. O problema é que quando se quer mudar o mundo, primeiro é necessário poder. Primeiro o poder, depois a mudança. O poder concentrado já é insuportável, total é impossível: entram e saem tiranos sem poder tornar o mundo melhor porque, ora vejam só, o mundo não se curva ante a sua razão inescapável e seus sonhos de adolescente politizado. Aí culparão as adversidades: os opositores reais e imaginários. Só não admitirão que estavam tentando burlar leis que não se submetem ao jogo político, contra as quais a força (da maioria ou da minoria) é inútil.

Já dizia um certo filósofo que a civilização é aquilo que os velhos conseguem salvar da investida dos jovens. Mas já tiramos dos velhos o prestígio social, a riqueza e o poder político. Não temo que esta geração extinguirá as próximas por questões ambientais mais do que temo que a próxima geração extinguirá suas predecessoras por questões políticas já muito batidas e empoeiradas, mas que sempre soam como uma novidade inebriante para o adolescente político. Quem nos salvará da juventude?