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Você não acha que um muçulmano comum no Sudão, na Somália ou na Turquia está colocando bombas na cintura ou disposto a tomar tiros e morrer por que os palestinos não tem um estado, certo?

Ou então que eles estão em guerra por que existem bases militares americanas em Meca. Ah, por favor, dá um tempo! Vou contar um segredo: não há nenhuma base militar em Meca, a mais próxima está a 700km de distância. O que um muçulmano comum diz nas ruas é outra coisa, ele diz que a América é a líder dos infiéis e pagãos do mundo.

Para eles, os EUA exportam pela globalização e livre mercado idéias que minam o islã, que corrompem a inocência das crianças e que destroem a família muçulmana e seus valores tradicionais. Você acha sinceramente que tirar tropas de lá muda alguma coisa nessa percepção? Eles acham que o ataque ao islã é principalmente cultural, é pelos valores que os EUA exportam. Eles se sentem muito mais ameaçados e atacados pela cultura do que por forças militares.

Numa entrevista com um sheik islâmico na TV recentemente, o jornalista quis saber o motivo do foco dele ser os EUA e não a Europa já que, em termos de valores morais, a Europa seria, nas palavras do entrevistador, “muito mais decadente”.

A resposta do sheik não deixa dúvidas: “porque é a cultura americana que está em tudo quanto é lugar. Um jovem muçulmano não conta piadas suecas ou vai ao cinema ver filmes franceses”. Vamos parar com essa maluquice de achar que o que gera todo o problema é a presença de tropas no Oriente Médio ou que estamos pagando um preço por intervenções militares anteriores, não é nada disso.
Dinesh D’Souza

A Great Debate on War. Freedom Fest 2007