Natal, oferta e demanda

O Natal de 2013 não simbolizou uma próspera economia. Muito pelo contrário. Conforme levantamentos preliminares, as vendas em âmbito nacional apresentaram a pior taxa de crescimento dos últimos anos.

Em 2013, segundo a Serasa Experian, o acréscimo de vendas foi de apenas 2,7%, ante 5,1% em 2012 e uma média de 7,54% nos últimos 11 anos. Essa desaceleração pode ser contextualizada dentro da política econômica atual, tendo como base o consumo para o crescimento, considerando, assim, a demanda mais importante do que a oferta para a situação econômica brasileira.

Juros, consumo e crescimento

Um dos principais fatores para o pequeno crescimento das vendas natalinas é, certamente, o crédito. É evidente que a dificultação do consumo força as vendas para baixo. Entretanto, é equivocado apresentar isso como sendo o principal fator para o problema, como apresenta o Estadão em sua matéria.

Evolução da taxa de juros no Brasil nos últimos 11 anos.

Com essas informações, pode se chegar a uma conclusão: o consumo no Natal não está tão diretamente ligado ao crédito. Em 2003 e em 2004, por exemplo, os juros foram um dos mais altos do período, entretanto, as vendas no Natal foram as que apresentaram o maior crescimento, e mesmo com uma posterior redução gradual da taxa de juros, o consumo no Natal apresentou decrescimento. As vendas estão mais relacionadas com a situação da economia em si.

O que pesou para o Natal e para o restante do ano para a economia brasileira foi a própria política econômica irresponsável, que gera entraves ao Brasil. As contas públicas andam mal, a inflação não dá tréguas e está relacionada com o câmbio, cada vez mais desvalorizado. Somados a esses fatores, existe toda a dificuldade de desenvolver um negócio no Brasil, com a pouca liberdade econômica existente no país. Dessa forma, fica complicado não só para o comércio, mas para todos os setores da economia.

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2 comentários em “Natal, oferta e demanda”

  1. Gostaria de um esclarecimento, esse cálculo é feito expurgando a inflação? Se não, na verdade não tivemos um crescimento, mais na realidade uma queda.

    1. Os números apresentados não são monetários, são da quantidade das vendas em si. Resumidamente, 1000 mercadorias vendidas em 2012 aumentaram para 1027 em 2013.

      O que deve se levar em conta a inflação é o faturamento. O faturamento, mesmo expurgando a inflação, aumentou em 5% (5% real de aumento). Entretanto, esse aumento se deu pelo fato do aumento do número de lojas – as lojas de 2012 tiveram aproximadamente o mesmo faturamento real em 2013, e com o acréscimo de novas lojas o faturamento total aumentou. Supondo uma situação hipotética em 2014 em que não haja novas lojas, se o mesmo cenário do comércio com faturamento estagnado se repetir, não haverá aumento real.

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