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Com a brilhante definição do imperador Marco Aurélio (2009, p.29) “… a finalidade dos seres racionais é obedecer à razão e a lei da cidade e constituição mais venerável”. Dito isto, nada é mais adequado ao domínio de si do que a própria alma ou razão. Segundo Aurélio (2009):

A razão e o método lógico são faculdades auto-suficientes para si e para as operações que lhes concernem. Partem, assim, do princípio que lhes é próprio e caminham a um fim preestabelecido; por isso tais atividades são denominadas “ações retas”, porque indicam a retidão do caminho (AURÉLIO, 2009, p. 69).

Tais retidões são os conteúdos enviados aos cidadãos-soldados (GARCIA, 2012), isto, por meio de uma escola ativa. Neto (1999) aponta a experimentação, o fazer para aprender, trabalho de campo e o exercício explicativo.

Os bons hábitos, provenientes da experiência são esperados pelos legislados, claro, se assim for um bom legislador já preconizava Aristóteles (1984). Pois aquele que cobra de seus cidadãos deve também proporcionar uma educação a partir dos bons hábitos. A experiência para Aristóteles é fundamental no momento das deliberações, pois, as tomadas de decisão certamente se apoiam nas experiências passadas. O educador físico certamente delibera na ocasião de treinar seu aluno, o quanto deve treinar, e experimentar tais e quais exercícios, e qual a medida exata. Essas são questões práticas que certamente são aperfeiçoadas pela própria prática e ajustadas pela razão. De maneira especial, a educação prática (ativa) por meio do movimento, da potência em ato é a grande característica educacional observada em Aristóteles. Não obstante, não é possível mensurar totalmente o impacto que Aristóteles exerce hoje em dia. Ainda assim, é possível perceber, interpretar e identificar claramente algumas de suas características em suas obras, mesmo que de forma especulativa (GARCIA, 2011).

No Exército, Neto (1999) expõe a mesma opinião de Aristóteles:

Como se pode observar, a Pedagogia militar privilegia algumas formas de transmissão de conhecimentos, como o “método” da demonstração, o “método” da ilustração e o “método” da exposição (NETO, 1999, p. 44).

Soeiro e Amorim (2001) destacam a participação do Exército brasileiro no treinamento dos atletas e nas representações do Estado brasileiro. A partir de 1920 na Antuérpia, o Brasil participou nas modalidades de: tiro, remo, saltos ornamentais, polo aquático e natação.

Na Antuérpia, Soeiro e Amorim (2001) destacam a atuação do Tenente Guilherme Paraense no qual ganha nossa primeira medalha de ouro nos jogos olímpicos. Apesar das dificuldades da época os atletas e grandes patriotas que eram nunca reclamaram. Após este feito, competições de tiro não demonstraram mais a glória de Guilherme Paraense. No pentatlo moderno composto de: salto a cavalo, tiro de pistola, esgrima de espada, natação e corrida, destaca-se que a maior parte dos atletas do pentatlo moderno brasileiro é de militares, em destaque cita-se: Capitão Ruy Pinto Duarte, capitão Tinoco Marques e o Tenente Nilton Gomes Rolim.

No atletismo Soeiro e Amorim (2001), mencionam o Sargento João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, com duas medalhas de bronze: 1976 e 1980. O Soldado Arnaldo de Oliveira com bronze nos 400×100 em 1996, Ademar Ferreira da Silva ouro em 1952 e 1956 do qual cursou a Escola de Educação Física do Exército em 1957. No voleibol a utilização dos espaços e equipamentos do Exército foi fundamental para um treinamento de qualidade. Em destaque lembramos a participação de militares nas comissões técnicas do vôlei brasileiro. A exemplo do voleibol, o judô também se beneficiou das instalações do Exército Brasileiro e é hoje uma das grandes promessas no Brasil.

O Exército contribuiu e muito tem a contribuir à educação física brasileira. Hoje mais do que nunca precisamos de ordem, disciplina e respeito na escola. Uma educação de qualidade é uma educação responsável, técnica, conceitual, racional e empírica. Entre as melhores escolas do país estão as militares, e certamente que uma das opções honrosas de um ensino de qualidade é a instituição militar. Se um dia quisermos nos tornar uma potência esportiva, devemos voltar às origens, a caserna. Aprender com quem cuidou muito bem de nossa educação física, com quantidade e qualidade, com amor, dedicação ao corpo e a alma de uma nação.

Referências

ARISTÓTELES (II). Ética a Nicômaco – Seleção de textos de Jose Américo Motta Pessanha (traduções de) Vincenzo Cocco … (et al.). São Paulo: Abril Cultural, Os Pensadores 1984, 329p.

AURÉLIO, M. Meditações. Brasília: Editora Kiron, 2009.

GARCIA, A. B. Aristóteles nos manuais de história da educação. 1. Edição, São Paulo: Clube de Autores, 2011.

GARCIA, A. B. Educação Grega e Jogos Olímpicos: Período Clássico, Helenístico e Romano. Jundiaí, Paco Editorial: 2012.

NETO, A. F. A pedagogia no Exército e na escola: a educação física (1920-1945). Motrivivência. Ano XI, n. 13, Novembro de 1999.

SOEIRO, R. S. P, AMORIM, A. A. A participação da Escola de Educação Física do Exército nos jogos olímpicos da era moderna. Revista de Educação Física, n. 125, p. 13-19, 2001.

Publicado originalmente no MAC:

http://aliancacidada.wordpress.com/2012/10/25/uma-admiravel-influencia-do-exercito-na-educacao-fisica-brasileira/