Tags

, , , , , , , , , , , , , , , ,

Republicação do comentário matador de Flávio Morgenstern, em seu facebook, sobre a “intelectualidade” de esquerda. Isso, aquela que não se abstém do luxo capitalista e critica a especulação imobiliária e o “neoliberalismo” desde o seu apartamento em Paris.

whatthefoucaultHá uma coisa que você precisa saber antes de pesquisar o que é a ESQUERDA: simplesmente NENHUM defensor das rígidas teorias da esquerda viveu em um país socialista. No máximo, temos alguns escritos propagandísticos escritos por altos burocratas das ditaduras socialistas (do “Pequeno Livro Vermelho”, atribuído ao próprio Mao Zedong, a Maxim Gorky e Konstantin Simonov puxando o saco de Stalin ali, na mesa do ditador). Mas os grandes teóricos do socialismo, aqueles que têm críticas tangíveis ao capitalismo, aqueles cujas teorias são tratadas como o máximo de profundidade intelectual já produzido pela humanidade por gente que nunca ouviu falar de Voegelin, Kuehnelt-Leddihn ou Lonergan, estes todos viveram sob países capitalistas, bem longe e protegidos da materialização do que pregam para os outros.

Você NUNCA ouviu falar sobre um defensor do socialismo, de toda a baboseira marxista, que tenha sido um camponês carcomido e analfabeto do quinto dos cacete na Sibéria, e graças à ascensão social e ao reino de fartura aos trabalhadores do socialismo, tenha se tornado um grande teórico defensor do socialismo. Pelo contrário, o grosso da literatura socialista é de dissidentes (quantos autores russos você conhece imediatamente anteriores à revolução e quantos conhece que são posteriores?).

J. P. Sartre e Gilles Deleuze, aqueles que defendiam o totalitarismo de Mao que vitimou simplesmente 70 milhões de pessoas em tempos de paz (quase 4 vezes toda a Segunda Guerra Mundial), viviam confortavelmente em Paris, sem medo de serem perseguidos pela “força estatal” de um país capitalista. Nunca pensaram em se mudar para um lugar mais confortável para os trabalhadores, como a própria China de Mao ou na Romênia de Ceaușescu.

Eric Hobsbawm, aquele judeu que se recusa a fazer escala de avião em Tel Aviv e diz que Stalin estaria certo em matar 30 milhões de pessoas caso tivesse com isso “atingido o comunismo”, nunca quis morar na União Soviética, nem passar umas boas férias de verão numa confortável dacha reservada à alta cúpula da ditadura.

Noam Chomsky, que escrevia no New York Times que Pol-Pot ter matado 21% da população era mentira, apenas tinha afogado alguns milhares de revoltosos, nunca deu uma voltinha pelo Camboja, pelo Vietnã ou pela Bulgária.

Michel Moore, aquele que fez “Sicko” para dizer que Cuba tem um sistema de saúde melhor do que a América, nunca largou sua confortável mansão absolutamente gigante (só a de férias) para curar sua obesidade na ilha dos irmãos Castro (a única coisa que Cuba com toda a certeza cura muito melhor do que a medicina capitalista).

Nem Slavoj Žižek, esloveno que chama George W. Bush de maior terrorista do mundo, deixa de ir se refastelar e descansar de toda essa violência justamente na terra do mal do mundo. Prefere muito mais NY do que um tour pelo Laos ou Afeganistão.

E István Mészáros, que fala tanto sobre a urgência de voltarmos ao socialismo, não deu sinal de vida no Iraque do socialismo baath de Saddam Hussein, nem no paraíso na terra do socialismo juche de Kim Jong-un.

Frantz Fanon foi um dos principais nomes da França a associar racismo com capitalismo, mostrando o papel secundário dos negros e das minorias na Europa com sua política “mercadológica”. Nunca preferiu trocá-la pelo Zimbábue, pela República Popular de Angola ou da Etiópia.

A própria Escola de Frankfurt ficou bem do lado de cá da violência da Albânia, Iugoslávia ou Mongólia. A Escola de Praga, do lado de lá, preocupou-se muito mais com “visão de classe” na lingüística do que em explicar as enormes vantagens econômicas para os trabalhadores da Checoslováquia.

Michel Foucault, aquele que inventa uma “microfísica do poder” para explicar que há mais coerção no Ocidente que prende assassinos do que na União Soviética mandando prender quem pára de aplaudir Stalin primeiro, foi o único a pelo menos ter a coragem de se converter ao islamismo e ir de “bom grado” ao Irã, fazendo a Teeerã que parecia São Paulo se transformar no totalitarismo teocrático mais violento (e perseguidor de gays) de todo o planeta que é hoje. Para não deixar de fugir da lista, acabou morrendo logo depois.

Enquanto isso, o socialismo é pródigo em criar um tipo de teórico nunca lido por nossos universitários mongolóides: os DISSIDENTES – mas nossos geninhos, por nunca terem ouvido falar deles, crêem que eles não existem.

A Polônia nos legou Lech Wałęsa e o monstro dos estudos marxistas Leszek Kołakowski. Os intelectuais que já nasceram sob o marxismo e o estudaram seguem esse mesmo caminho: a Romênia vai de Constantin Noica e Petre Țuțea (outro ex-marxista preso para “reeducação”) a Vladimir Tismăneanu.

A União Soviética teve o escritor mais importante do século, Aleksandr Solzhenitsyn, além de Boris Pasternak, além do maior estudioso da sobrevivência num totalitarismo socialista, Vladimir Bukovsky. A literatura de propaganda e mesmo os teóricos socialistas, misteriosamente, não existem no maior país do mundo, outrora dono de uma das melhores literaturas do mundo – que socialista chega aos pés de Vladimir Solovyov ou Nikolai Berdyaev?

Até mesmo os enxadristas dividem-se entre os agentes da KGB (Anatoly Karpov, Tigran Petrosian, Nikolai Krogius, Yury Averbakh) e os que tinham de fugir do poderio do regime, e só não eram mortos pela fama internacional (Boris Gulko, Viktor Korchnoi, Garry Kasparov).

Uma coisa você pode ter certeza sobre os maiores teóricos, filósofos, psicólogos, lingüistas, cineastas e outros propagandistas disfarçados de pensadores do socialismo: eles todos têm algo em comum. TODOS eles preferem viver num país capitalista onde até o mais pobre parece viver em opulência de conforto perto da população que padece sob o socialismo.