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Por. Alessandro Barreta Garcia

Conforme Giordani (2008), muitas eram as classes sociais no antigo Egito, desde as classes dominantes até as dominadas. Entre estas últimas os escravos. Para Giordani (2008), o “Livro dos Mortos” previa uma espécie de defesa aos trabalhadores (operários), como também aos escravos, esses não poderiam ser submetidos ao excesso de trabalho ou maus tratos.

Por outro lado:

“A condição dos escravos utilizados nas grandes obras públicas era extremamente cruel. Nas minas, nas pedreiras, nas construções monumentais, milhares de escravos deixavam a marca de seu ingente esforço e de seu sofrimento” (GIORDANI, 2008, p. 85).

Na prática, pode-se deduzir que os escravos não tinham a mesma sorte daquela vivenciada pelos indivíduos pertencentes à classe dos felá ou camponeses. Discute-se ainda que tipo de escravidão se realizava na África, por punição, dívida, crime, doméstico ou de parentesco.

Segundo Dopcke (2001):

O fato de que os monumentos egípcios foram construídos utilizando ampla mão-de-obra escrava é bem conhecido. Muitos reinos pré-coloniais, como Songai e Benim, citados no documento pela sua grandeza, usavam também escravos em grande número, conduziam regularmente expedições armadas para a captura de escravos nas comunidades vizinhas e mantinham um tráfico importante de escravos com a África do Norte e o Próximo Oriente, através do deserto do Saara (DÖPCKE, 2001, p.34).

Alguns eram escravizados para suprir as necessidades de sobrevivência. Já para reprodução, as mulheres africanas eram escravizadas e vendidas para o mundo árabe, quanto mais bonita a escrava, mais cara ela se tornava. Com as novas gerações provenientes da reprodução com as escravas, ela não geraria novos escravos (a segunda geração seria livre), novas remessas sempre eram importantes, o que de fato alimentaria o mercado interno (SOUZA, 2003). Nesse caso, são os árabes que incentivaram uma maior comercialização de escravos dentro da África, não o europeu.

Lovejoy (2002) ressalta que a escravidão na África ainda era percebida em pleno século XX e que os africanos se beneficiavam economicamente de tal processo. Sendo, portanto legítima no meio africano, a escravidão se realizava por meio de guerras entre tribos, crimes, roubo, adultério, bruxaria etc. Os castigos também eram comuns na África, e os escravos eram submetidos a chibatadas, privação de alimentos entre outras formas de penalidade. O mundo Islâmico entre os séculos VIII, IX e X era o maior receptor de escravos africanos, utilizando-os em serviços militares, domésticos e até administrativos.

Giordani (2010) destaca que para as plantações do Iraque, buscava-se mão de obra escrava em meados do séc VIII. No Iraque os escravos africanos eram utilizados nas plantações de cana de açúcar e suas realidades eram infra-humanas, pois os árabes não gostavam de executar trabalhos manuais, o que ocasionou a ampliação de uma já existente economia escravista (GIORDANI, 1985).

Mediante este sistema transatlântico foram embarcados, entre 1450 e 1900, em torno de 13 milhões de pessoas; dentre estes 9,6 a 11,8 milhões chegaram com vida nas Américas26. 42% delas foram para as ilhas do Caribe, 38% para o Brasil e menos de 5% para os Estados Unidos. Durante o mesmo período, cerca de 6 milhões de africanos foram vendidos no tráfico oriental (para a África do Norte, o Próximo Oriente e a Península Árabe, a Índia e as ilhas no Oceano Índico). Cerca de 8 milhões de escravos permaneceram também neste período, na própria África, sendo explorados pelos poderosos deste continente (DÖPCKE, 2001, p.35).

Os poderosos deste continente eram Asante, Daomé, os reinos Ardra e Hueda no Golfo do Benin, os reinos de Ndongo, Kasanje e Lunda em Angola.  Para Carvalho (2009): “O racismo antinegro é pura criação árabe e, na Europa, não contribuiu em nada para fomentar o tráfico negreiro”. Ademais, se os africanos foram escravizados por africanos. Neste caso, como se delimita o recebimento das cotas aos descendentes africanos no Brasil? Como saberemos se quem recebe a cota é ou não descendente daquele que foi escravizado ou daquele que escravizou?

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Parte (2)

Parte (4)