A Não-Identidade

Os movimentos de esquerda fazem questão de mesclar todas as minorias numa só massa amorfa para obter sua força política através do número e usar do conflito interno para paralisar minorias dissidentes. Resumidamente ela pega um negro, um gay, um ateu e uma mulher, mutila suas identidades e molda-os naquilo que ela quer: o não-branco, o não-hétero, o não-cristão e o não-homem. Ela os valoriza não pelo que eles são, mas pelo que eles não são.

O que há em comum entre um imigrante latino nos EUA e um negro? São não-brancos. Entre um gay e uma mulher? São ambos a negação de um homem hétero. Nenhum deles tem, de fato, valor identitário para a esquerda. Seu valor é utilitário. É um meio para um fim. Um negro, um gay, um ateu, uma mulher que não é militante socialista não tem valor algum.

Isto é facilmente verificável. Qualquer negro que se declare, por exemplo, liberal ou conservador, será ostracizado como um alienado. Para usar um termo mais racista que já ouvi, será chamado de Kinder Ovo (negro por fora e branco por dentro). Se for gay então, será considerado algum tipo de aberração em serviço da sociedade que o oprime, como o foram Clodovil e Andy Warhol. Se for uma mulher, bastará levantar uma simples crítica à histeria do feminismo revolucionário para ser tachada de machista. Se for ateu, será acusado de “criptocristianismo” se não engolir sem reclamar a histeria anticlericalista que desrespeita não só a liberdade de culto e chega ao ponto de invadir propriedade alheia.

Mas Renan, o que você está querendo dizer com isso? Estou querendo dizer que as pessoas devem se preparar para resistir aos discursos identitários que nos separam usando como padrão qualquer coisa que não seja as idéias e os valores. Coloquemos os princípios no seu lugar, que é o princípio, o ponto de partida de todos nossos julgamentos, escolhas e decisões.

A liberdade individual é a única coisa que garante que você continue vivendo em paz sendo você mesmo em vez do “não-outro”.


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Autor: Renan Felipe dos Santos

Indie Game Localizer.

7 comentários em “A Não-Identidade”

  1. Artigo bem intencionado em não querer vincular, imediatamente, uma suposta identidade das “minorias”, identificadas como parcelas sociais oprimidas por um sistema opressor facilmente identificável e hegemônico, como sendo um luta, perfeitamente, concatenada com a luta da esquerda contra o liberal-capitalismo (que é identificado como branco, católico, hétero e masculino). Só que esta problemática gera, como indica seu artigo nas entrelinhas, uma discussão bem mais aprofundada e ampla que seu argumento primário de defesa da liberdade. As próprias lutas das “minorias” (e suas múltiplas identidades cartografadas ou não) demonstram, historicamente, que não basta, reconhecimento, individual/coletivo e legal-jurídico, para ter seus direitos (não apenas os criados por suas lutas e reivindicações, mas, sobretudo, os mesmo que o próprio liberalismo trouxe na defesa de seus princípios gerais) assegurados, ativados e preservados. A própria ideia de identidade, que está na ordem do dia em pleno século XXI, revela que só ter “liberdade” não basta, ou que está pretensa “liberdade” apregoada, fundamentada nos princípios clássicos (que pra mim respondem mais como algo contra o absolutismo do Antigo Regime e um ideal de telos para humanidade frente aos avanços do racionalismo, e não necessariamente traduz esta sociedade capitalista que reverteu os valores nobres em valores burgueses – uma reversão de quem deve ter os privilégios), que esta liberdade como ela é exercida, não se quer (e isso é mais que discutir um mero sistema econômico e seu princípios fundamentais). Diante, portanto, de um panorama mais amplo e dinâmico, defender ideias de outrora, pode parecer até conservador, mesmo que se pretenda uma mudança e se aponte a solução para tal, só que fica um idealismo que se perde de vista, devido aos avanços das questões que detonam velhas hierarquias e binarismos, como eu-outro, esquerda-direita, liberdade-igualdade…

    1. Para assumir seu raciocínio como verdadeiro é necessário aceitar, a priori, a premissa de que a sociedade é uma relação binária, bipolar e maniqueísta entre opressores e oprimidos E que esta etiqueta (opressor ou oprimido) está atrelada ao coletivo (raça, sexo, religião) e não aos indivíduos que praticam a violência ou são vítimas dela. É um raciocínio coletivista e vitimista, bastante errôneo.

      O segundo problema do seu comment é que você atrela a opressão das minorias a “um sistema opressor facilmente identificável e hegemônico”. Qual seria? A social-democracia vigente no Brasil desde 1988? O regime militar de 1964-1985? O Estado Novo de 1937-1945? A República Velha? O Império do Brasil? O Reino de Portugal? O Império Romano? Percebe-se facilmente que a maioria dos problemas que afetam as minorias (racismo, sexismo, homofobia, sectarismo) não pertencem a um único modelo sócio-econômico, político ou religioso. Muito menos um hegemônico (se fosse não haveria tanta variação sistêmica de época pra época e de região para região). É uma acusação vaga a uma entidade mitológica que você prefere nomear “o sistema”. Nada criativo e nada prático, já que não ataca as questões em seu cerne.

      O terceiro problema é não entender o conceito de liberdade negativa e direitos negativos. Estes são conceitos básicos para qualquer liberal. Mesmo que você abra mão dos outros “binarismos” que você menciona, se você não entende diferentes conceitos de liberdade e igualdade é inútil discuti-los: liberdade positiva ou negativa? Igualdade formal ou substancial?

      A questão do eu-outro é ainda mais impossível de discutir uma vez que discuti-la já a pressupõe (você não pode emitir sua própria opinião sem separar-de conceitualmente de mim em primeiro lugar) e detona outro princípio básico de quem é (ou se diz) liberal: individualismo metodológico.

      Enfim, você está cheio de boas intenções mas pouco conhecimento. Isto faz de você um revolver que não garante se o tiro sai pelo cano, pela culatra ou pelo tambor.

  2. Impressionante como um indivíduo com a leitura que você expõe em seus artigos tenha lido de forma equivocada o meu comentário.
    Primeiro, não defendo ideia de binarismos sociais (pelo contrário), etiquetas sociais, e, muito menos tenho visão coletivista que mesmo, se tivesse, seria pra você errôneo, dentro das suas concepções (você quis aqui universalizar a SUA opinião, como se fosse uma verdade-absoluta) – talvez seja por isso, difícil ler algo que vai contra o que se defende, dificuldade cada vez maior até para os que defendem liberdades “negativas” e direitos “negativos” (liberdade para quem?).
    Segundo, não defendo qualquer lógica de “sistema”, isso é negar a dinâmica da história, e submete-la a uma leitura totalizante, uniforme e mecanicista (inclusive que muitos liberais fizeram e fazem, como muitos socialistas), apesar de reconhecer que exista um nível de compreensão da realidade fundamentada em princípios abstratos e totalizantes e a trajetória concreta humana, que, na medida do possível, sob intenso conflito político-social, tenta direcionar e ordenar a história e seua fatos de acordo com as concepções daquele primeiro nível.
    Terceiro, liberdade (negativa ou positiva) e igualdade (formal ou material), são conceitos primários e repito, como disse no comentário, sem alterar em nada: “pra mim respondem mais como algo contra o absolutismo do Antigo Regime e um ideal de telos para humanidade frente aos avanços do racionalismo, e não necessariamente traduz esta sociedade capitalista que reverteu os valores nobres em valores burgueses – uma reversão de quem deve ter os privilégios”, caso não entendeu, digo que são conceitos, que apesar de aspirarem a universalidade, são contextuais e povoam os processos e inquietações históricas do século XVIII/XIX, e vejo, nos movimentos sociais do século XXI, outras questões que, de um lado, recuperam tais ideias, e de outro, testa suas viabilidades diante do avanço do processo histórico e dos questionamentos (não cabe a mim neste curto espaço citar diversos movimentos que trazem questões que vão além das premissas básicas do liberalismo e qualquer outro esquema de compreensão da realidade histórica humana).
    Quarto, avaliar o meu conhecimento pela leitura errônea do meu comentário é desconsiderado por mim como tendo qualquer valor, apenas opinativo. Nisso seu tiro, saiu pela culatra.
    Então o que quis dizer? Você cortou o início, quando eu disse “artigo bem intencionado” (ou seja, dou crédito, mesmo que parcial as suas ideias), e completei que O SEU artigo não tem a intenção de “vincular imediatamente uma suposta identidade das “minorias” (…) oprimidas por um sistema opressor facilmente identificável e hegemônico” como sendo uma “luta da esquerda”, ou seja, como você mesmo disse, se não foi isso, por favor, corrija, como se a esquerda fosse porta-voz de tudo que é excluído (o que ela vê como excluído) e fosse a messiânica que vem trazer a salvação (tirar a opressão e assegurar a todas elas seus direitos genuínos), e as coloca como uma “massa amorfa”, a da não-identidade (desconsidera todos, suas particularidades em prol da defesa do “Grande Oprimido”, haveria portanto, a despeito da multiplicidade, um critério que unia a todos, e por isso, deviam lutar juntos) – foi isso que disse, e não que defendo sistema hegemônico, identidades binárias…. É nisso que trago a ideia de sistema que você diz que eu defendo (leu errado), eu disse que para sustentar tal Êxodo político-social empreendido pela esquerda (sob defesa de qualquer que seja o fundamento filosófico), recorrem a uma ideia de sistema opressor, fundamentado em binarismos totalizantes. E para eles, são reconhecíveis sim os “opressores” e inclusive citei, se não forem reconhecidos de forma inteligível, se elege seu opresso (pergunta para alguém de luta de forma engajada nestas manifestações contra quem lutam, não seja ingênuo). Infelizmente, li considerações equivocadas sua. Aqui, reconheço que o mérito do seu artigo, é identificar esta “não-identidade”, forjada politicamente, que lutando em prol de defesa de “excluídos”, ou melhor, das “minorias” (não gosto de nenhum desses conceitos, pois pressupõe “maiorias” homogêneas), na verdade, arrebanha para defender seus ideais (isso é um desdobramento daquilo que você defende).
    E o que critiquei, aliás, o que coloquei como questão: quais os possíveis limites de tentar desmantelar este processo, via defesa da ideia de liberdade. Pela sua critica a meu comentário, você deu pistas (talvez pela minha ignorância, na sua avaliação, claro, e acredito que você pense assim a respeito de muitos, pois poucos veem as coisas como você quer) é pela via da defesa da liberdade negativa, da igualdade formal e pelo individualismo (que eu não conheço, como você disse e ninguém, pois parece que os “não-identidade” também não enxergam esta “verdade-revelada”). Porque falo isso? Pois você defende que todos devem “resistir aos discursos identitários que nos separam usando como padrão qualquer coisa que não seja as ideias e os valores”, por mais que aspire a um humanismo liberal em defesa do individualismo, choca com movimentos que pregam exatamente o contrário, eles estão errados em defender o contrário?
    E qual o problema que vejo nisso? Simples, muitas bandeiras de minorias (considerada não como binarismo, como você mesmo identificou que eu penso assim, e não é), defendem algo mais que liberdade e premissas liberais, ou seja, vão além das fundamentações clássicas, e como fica o liberalismo contemporâneo diante destas questões? Continua batendo o martelo em velhos compromissos ou, despoja do conservadorismo e repense seus fundamentos, sem trair claro seus ideais máximos? Ou “não há o que discutir”, o que se disse no século das luzes e pelos seus percussores é o “telos histórico” irrefutável que todos vão ter que engolir? (veja que coloco interrogação, pra não achar que defendo aqui coisas bárbaras e ignorantes, na sua avaliação) ou o liberalismo avança diante das demandas do século XXI ou senão o que pode acontecer, além de virar uma mitologia utópica, pode, como você mesmo disse: “um revolver que não garante se o tiro sai pelo cano, pela culatra ou pelo tambor”. Obrigado por responder meu comentário.

    1. Coletivismo é errado porque pune indivíduos inocentes e inocenta indivíduos culpados, tão somente. É um defeito intrínseco a ele. E sim, é perfeitamente dedutível do seu comentário anterior que você dividiu a sociedade em dois grupos antagônicos em uma relação binária de opressor-oprimido, sem levar em conta que a opressão emerge individualmente mesmo em “coletivos oprimidos”, e vice-versa. Se você escreveu desde a perspectiva coletivista com o fim de analisá-la ou expô-la como uma terceira parte, isto não ficou claro para mim. Se foi esse o caso, peço desculpa pelo mal entendimento.

      Tudo bem você considerar que os conceitos por mim apresentados foram fruto do seu tempo (iluminismo liberal de mil seiscentos e guaraná com rolha) e das idéias anti-absolutistas. Mas disto não decorre que estejam obsoletos. Até porque muito do coletivismo e do totalitarismo modernos são justamente “repescagens” de políticas e valores típicos do tempo do absolutismo. Como você deve saber, os princípios não ficam jamais obsoletos (é por isso que são princípios e não meios). A idéia de que eles estão “batidos” requer a aceitação prévia de um progressismo moral que é tão ou mais errôneo que o coletivismo.

      Entendi seu ponto sobre o Grão-Ser Oprimido que agruparia todo e qualquer suposto “rejeito” da sociedade na tal massa de manobra. Muitos dos seduzidos pelo canto da sereia esquerdista, de fato, não compreendem o valor do individualismo ou mesmo de uma dose saudável de egoísmo. O dever de um liberal é reavivar estes valores e princípios perdidos nas pessoas e para isso pode-se usar uma série de ferramentas, desde livros a blogs passando por palestras ou educação doméstica. Parece uma tarefa hercúlea, e é mesmo, mas não é algo impossível de fazer.

      Por muito tempo os liberais investiram na política econômica e no desenho de constituições. É inegável que este tipo de ação resultou em frutos duradouros para muitos países, mas em outros o seu efeito foi efêmero ou nulo. Atualizar políticas econômicas ou leis com base nestes princípios certamente pode ajudar, mas não terá efeito duradouro enquanto as pessoas continuarem partilhando de valores opostos, socialistas, fascistas, etc. Nossa principal tarefa hoje é conscientizar primeiro as pessoas (ou seja, a fonte de legitimidade das instituições políticas) e só depois partir para a política, social ou econômica. Enquanto ficarmos dando palestras caras entre economistas e políticos, publicando livros caros para economistas e políticos ou escrevendo blogs inteligíveis para economistas e políticos, continuaremos remando com um remo só em um só lado do barco e girando eternamente ao redor do próprio eixo. Os valores e princípios devem ser ensinados aos jovens, aos professores, aos jornalistas, aos artistas, aos pais e mães, aos policiais, aos legisladores, aos pipoqueiros, aos taxistas. Os liberais sonharam muito tempo com uma Cidade liberal e pecaram na educação de um Cidadão liberal (o remo que falta do outro lado do barco). E este deve ser o nosso objetivo agora.

      1. Olá Renan e Leitor Liberal,
        Muito frutífera a discussão de ambos!
        Renan, também não consigo entender como vc deduziu que Leitor Liberal defenderia ideias q vc atribuiu a ele, como “concepção de sociedade como dividida no binarismo opressor/oprimido como dois grandes grupos antagônicos” e “defesa do coletivismo”.
        QUAIS SÃO os respectivos trechos do texto dele em q vc visualiza tais conteúdos, base para sua dedução?
        Creio q isso clarearia o debate e o faria avançar de modo mais aprofundado. Percebo que a conversa está boa, mas ficou muito atravancada, porque o Leitor Liberal toda hora precisa voltar e explicar de novo o porquê de ñ pensar como vc diz q ele pensa. Para mim, particularmente, até foi bem útil ver as ideias dele explicadas em maiores pormenores. (uh, “maiores pormenores” rs… agora inovei!). Mas isso atrapalhou a clareza no CAMINHO que a discussão proposta pelo Leitor está indo. E estou REALMENTE interessada em ver o debate avançar. Não creio que no final teremos respostas, mas com certeza BOAS PERGUNTAS. Abraços e avante!

      2. Infelizmente não estou com tempo para debater, e mal estou dando conta do blog :p. Evito me alongar em discussões por comentários, só respondo para que os leitores não pensem que estão falando aos ventos.

  3. Impressionante!!! Novamente você fez dois equívocos catastróficos: primeiro, em repudiar uma suposta defesa velada ou concepção apriorística que tenho acerca do coletivismo, entendo plenamente isso em você, sendo um defensor, custe o que custar, do individualismo com um “dose saudável de egoísmo” (parece título de autoajuda). Mas é totalmente justo creditar sua posição, pois você explicou bem e de forma prática: “é errado porque pune indivíduos inocentes e inocenta indivíduos culpados, tão somente” (apesar de ter soado um tanto quanto um imperativo moral, bem cogente). Não me interessa aqui entrar em debate a respeito disso, até porque não era diretamente o tema do seu artigo que eu destacava, e o ponto que eu destacava ainda é bem obscuro pra você. O que me chamou atenção no seu breve artigo foi discutir esta ideia do “não-outro”, não deixar alguém, que tem suas singularidades, seus princípios, suas formações próprias, se deixarem “negar-se” diante de embates externos que lhes trazem supostamente o intuito de lhes representarem diante de um dada condição que eles tem, mas na verdade [esses “indefesos”] são reduzidos a não-outro que convém apenas aos interesses restritos dos supostos defensores. E estes defensores colocam todos numa caixa: “Minorias”. Minorias de que? Daquilo o que eles não são. E neste ponto reconheci sua sensibilidade de notar que o processo é outro quando não se esta dentro da politica daquele que luta em defesa (e é o que penso também). Mas o que permite juntar estes “não-outro” nessa massa amorfa? Os defensores justificam, estamos lhes defendendo daquilo que supostamente são seus opressores. É nisto que disse que: O SEU ARTIGO NÃO RECONHECE ISSO, NEM EU, mas pergunte a um esquerdista manifestante contra quem ele luta (um engajado, por favor), ou alguém que vai numa manifestação por direitos gays, religiosos, raciais enfim, eles apontam alguém, pois a política da representação necessita circunscrever quem é o sujeito politico que manifesta (aí desconsidera particularidades e forja um coletivo-uno) e se elege o “contra quem se luta”, porque senão não justificaria o empreendimento social de, dispor-se de si e agrupar-se, para lutar ‘sabe-se lá contra quem…” senão parece manifestação de passe-livre, contra corrupção, mensalão (ou como disseram alguns, de pauta total, isso para mim é quem não tem conhecimento de politica e trata manifestação como evento, enfim…). seu artigo na lê este processo desta forma (sociedade em dois grupos antagônicos em uma relação binária de opressor-oprimido), eu penso que são sujeitos(agentes)-individuais em sujeição a partidarismo “interesseiros”. Todavia, esta discussão requer, no meu ver, debates políticos e de cultura, que não foram alvo de sua análise e então não farei também.
    Segundo, sobre princípios “batidos”: qualquer coisa não perece se ainda tem alguém que por ela dá seu ânimo em prol de defendê-la. E o que te disse e repito: é que princípio que tende a ser mais abstrato, geral, tende aspirar mais universalidade, imparcialidade, enfim, revela que não é algo que nega a história, mas como algo que lhe atravessa. Qual é o problema disso, o princípio pode, devido à circunstancia históricas diversas daquelas da sua origem, não responder e esgotar as questões postas pelos agentes recuperadores ao tempo ulterior ao da criação dos mesmos. Isso que você disse de “progressismo moral” não tem pé nem cabeça, e por favor, chegue de “ismos”, que isso só complica. Progresso é entender que há estágios, um superando o anterior, e pior que há algo superior, acima de todos os outros, isso pra mim é pensamento religioso, não tendo relação alguma com o que eu disse a respeito das insuficiências do pensamento diante do decurso do tempo e do surgimento das novas ideias, colocações, e na ânsia da busca de novos princípios e valores, sobretudo.
    Educação (que pra mim é uma tradução prática do que você chama do processo de conscientizar as pessoas a respeitos dos princípios e valores) é um bom caminho para enfrentar este processo, mas a problemática que coloco é a seguinte: no exercício pleno da liberdade individual (com sua dose saudável de egoísmo), a verdadeira formação em prol de ideias, valores e princípios que venham justificar este reconhecimento de liberdade do individuo enquanto sujeito de si e da sua história, não passaria pela inegável percurso da não exclusão daquilo que lhe é contrário? Porque? Para não reduzir a formação a doutrinação e proselitismo, ao partidarismo, ou pior, dar para cada um a verdade-absoluta e natural das coisas e depois, portando-se dela, examinar o mundo e a si mesmo deteriorando tudo que lhe for contrária, aí parece um partidarismo autoritário, e autoritário consigo mesmo e não autoritarismo politico (que isso sim, vem da coletividade formada, que legitima isso). As vezes parece que estamos lutando por uma “liberdade inventada” por aquilo que em mim, não é o NÂO, mas é o SIM-do-outro.
    E você disse “são princípios e não meios”. Independente do contexto de onde tirei, advirto uma coisa, tem princípio virando meio, sendo instrumentalizado (o liberalismo econômico, por exemplo, livre concorrência, princípio para uma prática econômica que visa eliminar dominação de mercados de um/uns poucos sobre outros/todos os outros, é um meio, de que? De se garantir a “felicidade do consumidor utilitarista”).

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