Tags

, , , , , , , , , , , , ,

Artigo publicado originalmente no periódico espanhol El Mundo. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, em espanhol, clique aqui.

puerto de mariel

Cuba se aproxima um pouco mais ao estilo das reformas chinesas, ao criar uma ‘Zona Especial de Desenvolvimento’, tal como no final dos anos 70 o líder chinês Deng Xiao Ping pôs em marcha à conversão interna do país asiático e a instauração da política de ‘um país, dos sistemas’, uma simbiose de socialismo e capitalismo.

O projeto, que tem uma extensão de 465 quilômetros quadrados e abarca vários municípios da província de Artemisa – situada muito próxima à província de Havana -, incluiu o porto de Mariel que foi renovado com um investimento brasileiro a um custo de 900 milhões de dólares, 640 milhões dos quais graças a um empréstimo do Brasil. O porto começa a operar em dezembro.

A idéia do Governo é transformar a zona em um ponto de trânsito de mercadorias e contêineres. Espera-se que o porto chegue a manejar 3 milhões de contêineres ao ano. Também está previsto construir indústrias, fábricas e montadoras, assim como escritórios de faturamento e administração.

Segundo a televisão local, o Governo aprovou esta semana a lei que regirá os destinos da zona especial e o presidente Raúl Castro disse que “para sua elaboração se tomaram em conta experiências nacionais e internacionais”, como as da China. Castro visitou o país asiático ao menos três vezes, a última delas no ano passado.

Ao fazer o anúncio, a televisão local detalhou o funcionamento do que agora se chama ‘Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel’ e especificou que terá um regime e política especiais “para fomentar o desenvolvimento econômico sustentável através da atração de investimento estrangeiro, inovação tecnológica e concentração industrial”.

Com a zona especial, o Governo também pretende incrementar as exportações, a substitução de importações e gerar novas fontes de emprego em uma constante articulação com a economia interna. “Mariel é um porto moderno para barcos de grande calado,  se trata da obra mais complexa realizada em Cuba e é por isso que ali há de se primar desde o princípio pela ordem, pela disciplina e pela exigência”, disse à televisão cubana.

Ao contrário do resto do país, o Governo criou para a zona especial um regime especial de relações trabalhistas, similar ao implantado na China por Deng Xiao Ping, no qual o trabalhador será remunerado de acordo com sua produção e, acima de tudo, a qualidade da mesma. Não se descarta, inclusive, que se paguem salários mais altos e em divisas.

Quando começou a traçar as reformas econômicas internas há uns três anos, Raúl Castro pretendeu reduzir a força de trabalho despedindo 500.000 funcionários do Governo e do governante partido comunista.

De qualquer forma, o plano foi congelado porque os economistas locais se deram conta de que não havia onde colocar os demitidos. Por ora, não está claro quantos trabalhadores terá a ‘Zona Especial de Desenvolvimento’.

Várias fontes em Havana asseveraram a ELMUNDO.es que a inteção governamental é construir outras duas zonas econômicas especiais.


Leia também: