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A razão pela qual o progressismo triunfa sobre o conservadorismo na seara política é que o primeiro busca soluções universais para problemas pontuais, uma panaceia fácil de engolir e propagandear, ao passo que os conservadores se atém a soluções particularistas, mesmo quando não são aplicáveis. Disso resulta que todos os progressismos do mundo são aliados entre si, enquanto todos os conservadorismos são inimigos entre si. Basta ver como tratam os conservadores ocidentais o conservadorismo islâmico para perceber isso: enquanto os progressistas ocidentais não se importam de defender a unhas e dentes mesmo as vertentes islâmicas mais radicais do progressismo, os conservadores teimam em condenar as suas contrapartes islâmicas.

Isto ocorre porque os conservadores tem falhado em buscar qual é o princípio que os norteia, os princípios basilares que estão por trás da forma de governo que almejam. Os conservadores tem se concentrado no meio e não no fim, na superfície e não no âmago da questão: que o direito dos povos a viver conforme suas leis, costumes e tradições é um axioma universal e não um instrumento de propaganda do modo de vida ocidental ou cristão em específico.

Os três filósofos mais importantes para a formação das tradições políticas ocidental, oriental e asiática, respectivamente.

A solução do problema se encontra no texto The Best Form of Government, de Russell Kirk, do qual extraio os seguintes trechos:

“A política sendo a arte do possível, me atrevo a sugerir aqui as linhas gerais do tipo de governo que parece razoavelmente consoante com a verdadeira felicidade humana. Acho que com relação a este problema devemos nos referir a dois princípios. O primeiro princípio é o de que um bom governo permite mais e melhor que a natureza enérgica das pessoas se realize, assegurando que estas pessoas não exercerão tirania sobre as massas. O segundo princípio é que em cada estado a melhor – ou menos repulsiva – forma de governo é aquela de acordo com as tradições e leis prescritivas de seu povo. Além destes dois grandes princípios, não há regra na política que possa ser aplicada, uniforme e universalmente, com qualquer chance de sucesso.”

“As grandes lições da política são ensinadas a um povo através de sua experiência histórica; nenhuma nação pode separar-se de seu passado e ainda assim prosperar, pois os mortos em si nos dão energia.”

“Ainda que cada povo tenha algo a aprender da experiência de outros povos, não uma única forma de governo calculada para funcionar com sucesso em todo lugar. Pois as instituições políticas de um povo crescem a partir de sua religião, de seus hábitos morais, de sua economia, e até mesmo de sua literatura; instituições políticas são meras partes de uma intrincada estrutura civilizacional, a qual suas raízes, muito antigas, são infinitamente profundas.”

Destas passagens podemos concluir que enquanto os conservadores confundirem o conservadorismo com o proselitismo de uma forma específica de tradição política ou religiosa como o conservadorismo americano e o catolicismo romano estarão limitados diplomaticamente e não conseguirão articular importantes alianças políticas fora do seu “aquário”.

É importante que o conservador brasileiro saiba que o conservadorismo americano é diferente, que o conservadorismo árabe é diferente, que o conservadorismo chinês é diferente, mas que ainda assim todos eles devem ser julgados pelos princípios universais aqui expostos, e não desde a perspectiva particularista de uma forma específica de conservadorismo. Ou é isso ou é seguir sendo inimigo de todo mundo e seguir sofrendo golpes do progressismo, nacional e internacional.