A questão da Islamização da Europa

Se há um problema que o ocidente tem enfrentado como sinal de sua decadência é sua islamização, bastante abordada pelos círculos da Direita. Geralmente esse tema é abordado com ares de conspiração, desejos de dominação. Basicamente, se aborda o tema como se os muçulmanos fossem à Europa com o desejo de islamizá-la, e por isso fazem dezenas de filhos. Pretendo apresentar outra visão.

O ocidental de forma geral, mais especificamente o europeu (que a esses males está exposto a mais tempo), perdeu todo e qualquer senso de comunidade e dever. Leva à sério de mais a máxima “ninguém manda em mim” e se entrega aos excessos hedonistas de nosso tempo. É a filosofia de vida do incompreendido “carpe diem”, somente possível nos tempos de abundância e total despreocupação. O ser humano vive, então, apenas para seu próprio prazer.

Há um contraponto, no mundo hodierno, que representa o exato contrário dessa filosofia: a civilização islâmica. Por mais inaceitáveis que possam ser certos comportamentos pela óptica dos direitos humanos, é inegável que é uma civilização que não se deixou seduzir pelo domínio excessivo da técnica. Existe, ainda, nesse grupo, um sentimento de unidade, de pertencimento a um todo por parte do particular, que há muito o ocidente perdeu.

É necessário falar da técnica porque ela é que abriu o caminho para um sistema de produção jamais visto na história em termos de força produtiva. Se o ser humano, até certo tempo atrás, tinha que lutar diariamente contra a natureza pela sobrevivência, conseguiu criar um reino de relativa abundância (que, apesar do período de decadência, ainda tem o que crescer). Essa facilidade, esse luxo, cria de certa maneira o comodismo de uma maioria, que observa os espíritos criativos guiarem o mundo (espíritos esses que, na atualidade, possuem apenas espaço no setor econômico, passando longe do político) e proverem o bem estar geral. A competição estimula, sim, a produção, dentre aqueles que possuem a gana para competir. Fica clara, nesse trecho, a análise conservadora de que não há progresso, mas mudanças que trazem tanto benefícios quanto malefícios.

Se por um lado a técnica nos trouxe abundância, por outro ela criou a dependência. A morosidade natural de certos espíritos cômodos é acentuada por uma avalanche de distrações e divertimentos, que sufocam toda e qualquer tentativa de transcendência e reflexão. O materialismo, na modernidade, sufoca (já em vias de matar) a espiritualidade. A palavra de ordem é aproveitar o agora, viver os excessos, ao invés de buscas a temperança e o equilíbrio. O resultado final é livrar-se de toda forma de responsabilidade, já que essa, no fim, “aprisiona” (e a tendência mundial de casais que trocam filhos por gatos e cães).

Voltamos, então, à Europa, continente mais afetado pelos males que trazem o progresso da técnica (e, importante lembrar, não estou a ignorar os benefícios, mas apenas a lembrar que tudo possui dois lados). A culpa dessa islamização é partilhada: islâmicos não vão com o objetivo de islamizar a Europa, mas de ascender de vida, inclusive em empregos que os europeus não querem ocupar. Se por um lado os muçulmanos vivem dando seguimento ao ciclo reprodutivo, os europeus esqueceram-se dessa faceta da vida, não querem para si a responsabilidade de criar um ou mais filhos. São bons demais para a comunidade e precisam apenas de seus prazeres imediatos. Viveram uma decadência moral até seu quase fim. Alguns dizem que eles estão a acordar e que podem viver um renascimento moral. Eu acredito que já é tarde: o futuro do ocidente não mais esta em mãos europeias, mas em mãos das américas.

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5 comentários em “A questão da Islamização da Europa”

  1. O sentimento de unidade islâmico não tem nada haver com o sentimento de unidade que moldou outrora a civilização ocidental.

    O sentimento de unidade islâmico é como os sentimento de unidade comunista, como a antiga URSS, onde a grande massa de manobra seguia um “líder supremo, uma sapiência telúrica”.

    Algo completamente diferente do senso de unidade dos país fundadores dos EUA, que queriam liberdade e direitos iguais para todos.

    1. Também os fatos contestam a afirmação de que islâmicos não imigram com objetivo de impor sua cultura.

      É claro que eles fogem de suas respectivas tiranias em busca das melhores condições oferecidas por países livres.

      Mas diferentemente dos antigos imigrantes que deixaram a Europa séculos atrás rumo ao Novo Mundo, esse trazem consigo os mesmos vícios que transformaram seus países natais e tiranias teocráticas.

      Assim como boa parte dos imigrantes ilegais Mexicanos que entram nos EUA, querem dinheiro, querem os benefícios do capitalismo, mas estão lá apoiando políticas socialistas, as mesmas que foram a causa de sua fuga do antigo país.

      São como gafanhotos, parasitas que chegam para sugar todos e recursos e depois migrar novamente.

      Não vieram para construir uma nação livre, como os imigrantes que construiram os EUA há 300 anos atrás, onde esses deixaram seus respectivos países com o claro objetivo de não repetir os erros que tornaram esses mesmos países inabitáveis.

    2. Lembro-me do caso de uma Brasileira que imigrou para os EUA e em 2010 já estava filiada ao partido comunista Americano e angariando fundos para o Obama.

      A moça divulgava tudo isso em seu facebook, via Iphone, moradora da Califórnia.

      Fugiu do do governo socialista no Brasil em busca de melhores oportunidades, mas através dos mesmos meios errados e espúrios que a fizeram deixar o Brasil.

      No mínimo incoerente, fugir de uma ditadura e ao chegar na nova “casa” imediatamente começar a promove-la.

      É isso que os islâmicos fazem não só na Europa, mas também nos EUA e na Austrália ao tentarem impor a Sharia aos outros e ao mesmo tempo destruir os costumes vigentes que fundaram essas nações através dos métodos politicamente corretos.

      Ao meu ver o objetivo claro é a islamização sim, se fosse o contrario eles teriam abandonado essa crença que destruiu seus antigos lares.

      1. Entendo seu ponto de vista, mas acredito que houve um mal entendido. Não digo que o muçulmano não queira impor sua cultura. É claro que quer, e o faz naturalmente quando se agrega com seus semelhantes. O que quero dizer é que não há uma espécie de conspiração como afirmam alguns, que não há um movimento organizado que pretende dominar a Europa, mas sim que a coisa acontece de um jeito bastante natural, já que os próprios europeus, tão cegados pela liberdade, acreditam que dar continuidade ao ciclo reprodutivo por si só já constitui em um grande fardo. Não carregam consigo a responsabilidade de dar continuidade a seu legado, então deixam que outros o tomem para si. Os europeus não tem mais um propósito, por isso sucumbirão, assim como Roma sucumbiu a povos chamados, à sua época, de bárbaros.

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