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Em 1964, o povo pediu que os militares livrassem o país do comunismo, não que assumissem o poder por vinte anos. Eles assumiram o poder por vinte anos, e, em vez de acabar com o comunismo, deixaram-no crescer à vontade contanto que não apelasse à violência armada. Acabaram com a democracia que prometiam defender e afagaram a cabeça inimiga que prometiam cortar. Agiram assim por medo de se autodefinir ideologicamente, por desejo de parecer neutros e infinitamente superiores às “paixões” (assim as entendiam) da política civil. Decorrido meio século, a ameaça comunista está mais perigosa do que nunca, fortelecida por uma audácia incomum e pela apatia de seus possíveis adversários. E até hoje não vi nenhum militar examinar seriamente os erros do regime instalado em 1964 para evitar que se repitam. O principal desses erros foi encarar o comunismo tão-somente como ameaça armada, não como guerra cultural e ideológica. Daí resultaram, de um lado, as ilegalidades cometidas contra os comunistas e, de outro, o sucesso da “revolução cultural” gramsciana que até hoje aliás usa essas mesmas ilegalidades como pretexto publicitário altamente convincente. Se os mesmos erros forem cometidos de novo, veremos a história repetir-se em sentido inverso da famosa fórmula de Karl Marx. A farsa se repetirá como tragédia.

Olavo de Carvalho