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Winston Churchill – Primeiro Ministro Britânico em 1940-45 e 1951-55. Ícone do conservadorismo anglo-britânico, se posicionou veementemente contra o nazismo, o fascismo, o comunismo e a segunda guerra mundial.

Esta é a quarta e última parte da série “Como seria um bom governo de direita”. A proposta da série, como já dito, foi mostrar ao leitor idéias típicas do pensamento de direita que certamente fariam parte do programa de governo de um bom governo de direita.

Digo bom governo porque não basta um governo dizer-se de direita ou ser chamado de direita pelos adversários. Um bom governo de direita é, de fato, um governo que põe em prática aquilo que a ideologia direitista vem pregando há pelo menos dois séculos: governo limitado, com poucas funções; baixos e poucos impostos; leis rígidas contra criminosos; incentivo à iniciativa privada; pouca burocracia e regulamentações; liberdade individual e etc. Sendo assim, descrevi aqui algumas ações básicas que precisariam ser tomadas para que tais idéias se fizessem realidade.

Nesta última parte, mais alguns tópicos importantes para o pensamento de direita e as ações políticas que eles engendram. Os tópicos abordados, como já previsto na terceira parte serão: Individualismo, Estado Democrático de Direito, Discriminações e Religião. Comecemos, então, a exposição dos tópicos.

13) Individualismo

Se me pedissem para escolher uma ideia de direita que fosse capaz de definir e sintetizar todo o seu pensamento, eu provavelmente escolheria “descrença no homem”. Afinal, é a descrença no homem que faz a direita clamar por um governo limitado, temendo que o aumento de poder governamental acabe com a liberdade do indivíduo. Mas, se por um lado a descrença no homem é, para mim, a ideia que melhor sintetiza o pensamento de direita, por outro lado, acredito que o individualismo é o principal valor que define a direita. Porque, como já dito, é este valor que move a direita a desconfiar do ser humano e, consequentemente, do governo. É o medo de perder a sua liberdade e/ou de ver seus semelhantes perderem suas liberdades. É o medo de deixar de ser tratado como um indivíduo, para ser tratado como parte de uma classe qualquer homogênea e inimiga de alguma outra classe.

É justamente por isso que a direita é geralmente chamada de conservadora, reacionária e defensora do status quo. Porque, enquanto a esquerda, em seu eterno estado de destruição de pilares sociais, não vê mal em castrar a liberdade do indivíduo em prol de seu desejo utópico de transformar o mundo em um paraíso igualitário, a direita continua a conservar o princípio da liberdade individual. Assim, ela é vista como a ideologia dos monstros que não querem ajudar a mudar o mundo. São os conservadores da classe, da desigualdade, dos problemas sociais.

Mas a verdade é que a direita é a apenas uma ideologia política que entende o individualismo como um bem inalienável. É uma coluna da sociedade. Se a arrancamos fora, tudo o que construímos vai por água a baixo. A verdade é que a direita é cética quanto ao céu esquerdista. Ela sabe que todas as tentativas de fazer da terra um paraíso, o tornam um inferno. Exemplos empíricos não faltam. O partido jacobino matou mais de 40 mil pessoas no espaço de um ano, na revolução francesa. O nazismo matou mais de 40 milhões de pessoas. O comunismo matou mais de 100 milhões de almas. Tudo em prol da massa, da classe, da raça. Tudo em oposição ao direito individual.

O individualismo é, acima de tudo, uma defesa contra a tirania. Não devemos ser obrigados a fazer o que o governo quer. Devemos ser os donos de nossas próprias vidas. Nosso direito, desde que não afete diretamente o direito do outro, não deve ser refreado. Se abrimos mão deste princípio básico, damos margem para que o governo faça as escolhas por nós. E, definitivamente, isso não é bom.

Quando um direitista abre mão do individualismo, portanto, afasta-se da direita. Já não pode ser chamado de direitista, pois abandonou o princípio primordial da ideologia direitista. Gradualmente, todos os seus demais princípios serão destruídos, porque todos os outros, de algum modo se ligam a este.

Por esse motivo, um governo de direita, acima de tudo, sempre se guiará pelo individualismo. E a cultura que será formada em um bom governo de direita será uma cultura individualista. Não egoísta. Egoísmo é não se importar com os outros. Individualismo é respeitar o indivíduo. A si próprio e aos demais.

14) O Estado Democrático de Direito

O Estado Democrático de Direito é uma consequencia lógica de se adotar o individualismo. Se o respeito ao indivíduo é um princípio primordial para um governo e para uma cultura, esse mesmo governo não pode ser ditatorial, totalitário, unitarista. Individualismo e governo autoritário, centralizador, são duas coisas diametralmente opostas. Segue-se, portanto, que um governo genuinamente de direita, sempre será descentralizado, limitado e servo das leis. O autoritarismo, de modo nenhum é algo que pertença a ideologia de direita. O individualismo não o permite.

Isso pode gerar certa confusão no leitor. Afinal, muitos governos pelo mundo a fora foram definidos (e até auto-definidos) como de direita, embora tenham sido extremamente autoritários. O governo nacional socialista alemão, o governo fascista italiano e a ditadura militar brasileira são alguns exemplos clássicos.

Entretanto, todos esses regimes tiveram poucas ideias de direita aplicadas. O principal motivo pelo qual foram definidos como regimes de direita era que eles eram anti-marxistas. E para o senso comum, se um regime é contra o socialismo marxista (ou comunista), é de direita. Um grande equívoco, por certo. É perfeitamente possível ser anti-marxista e de esquerda. A esquerda não é só feita de marxistas. Há quem ache o marxismo utópico demais e até perigoso, sendo assim, contrário a ele. No entanto, a mesma pessoa pode querer um governo bastante intervencionista, inchado, com muitas funções, muitos serviços públicos e altíssimos impostos. Ou seja, ela é anti-marxista, mas é tão de esquerda quanto qualquer comunista.

Uma vez entendido isso, não há dúvidas de que os regimes citados jamais foram de direita. Pelo contrário, suas principais características eram de esquerda: a visão do Estado como um agente transformador do mundo, os altos impostos, as muitas empresas estatais, o foco na educação pública, o forte intervencionismo econômico, a visão classista de mundo, a definição de classes inimigas que se constituem os responsáveis pelo mal no mundo, a desvalorização do indivíduo… Tudo isso são características de esquerda e não de direita. E são justamente essas características que levam o regime a se tornar autoritário e centralizador.

Portanto, fica claro que um regime realmente de direita sempre terá um Estado Democrático de Direito. Este Estado é garantido pelos princípios do individualismo, do Estado limitado e descentralizado, do governo não interventor e com poucas funções e etc. Não há como descambar para o totalitarismo e o autoritarismo seguindo essa receita.

15) Discriminação

Há no código de Hamurabi uma lei civil que afirma: “Olho por olho, dente por dente”. A mesma frase foi utilizada por Moisés, na Bíblia, para resumir o princípio jurídico que iria reger a punição para determinados tipos de crime. Não era, como muitos pensam, um incentivo à vingança própria, mas um princípio a ser usado por juízes, em julgamentos e dentro das prerrogativas da lei civil.

Entretanto, desde que o mundo é mundo, muitas pessoas tem utilizado essa mentalidade como regra moral para a sua vida. Em outras palavras, se fulano errou comigo, eu tenho o direito de cometer o mesmo erro contra ele.

É justamente esta mentalidade que a esquerda adota, a partir de meados do século XX, para lidar com o problema das discriminações. Partindo de sua premissa classista, ela passa a colocar na cabeça das pessoas que “se a classe Y foi humilhada durante os séculos pela classe Z, então a classe Y está legitimada a dar o troco. E assim vencemos o preconceito”.

É, na verdade, uma questão de estratégia. Tendo compreendido que uma revolução proletária mundial só seria possível após uma intensa revolução cultural pelo mundo (através do qual se disseminaria o marxismo entre o “povão”), a esquerda marxista passou a ramificar o conceito de guerra de classes, criando uma série de sub antagonismos dentro da guerra principal entre burguesia e proletariado.

Surgem assim, o antagonismo brancos x negros, homens x mulheres, religiosos x antirreligiosos e, mais recentemente, heterossexuais e homossexuais. E rapidamente todas as vertentes da esquerda entendem que explorar o campo emocional das “classes oprimidas” e incentivar o ódio entre “oprimidos” e “opressores” é uma ótima estratégia para se conseguir poder.

Do ponto de vista da luta contra discriminação, no entanto, a mentalidade de esquerda só serve para intensificar todos os preconceitos enraizados na sociedade. Não se luta contra discriminações, discriminando. Isso é tão lógico que me ofende ter que explicar.

A essência do problema da discriminação é a criação de uma desigualdade cultural e legislativa entre dois grupos distintos, a legitimação dessa desigualdade e a exploração do ressentimento mútuo e a legitimação dessa desigualdade. Todas as discriminações que existiram ao longo da história apresentaram essa “fórmula mágica”. E tudo o que a esquerda tem feito hoje no que diz respeito à “luta contra discriminação” apresenta essa fórmula. Vai mudar alguma coisa? Não vai.

A ação da direita quanto à discriminação é muito mais lógica. Se há grupos discriminados, vamos trata-los de maneira estritamente igual. Nenhum é superior ao outro. Na verdade, sequer devem existem grupos aos olhos de um governo de direita e de uma cultura de direita. Um cidadão, para o governo, não é um negro, ou um branco, ou um homossexual, ou um hetero, ou uma mulher, ou um homem. É simplesmente um cidadão igual a qualquer outro e sujeito às mesmas leis. Qualquer tipo de discriminação deve ser punida da mesma forma: com rigor. Afinal, discriminar é quase sempre formar classes; e para a direita, formar classes é destruir o individualismo, o pilar da direita.

16) Religião

Julgo interessante fechar a série de tópicos que vimos durante essas quatro postagens com o tema religião. A visão que esquerda e direita apresentam de religião é dos um maiores divisores de águas entre os dois posicionamentos políticos, de forma que vale à pena citar como um bom governo de direita encararia a questão.

Não raro os esquerdistas associam a direita à religião e os direitistas ao fundamentalismo religioso. Em outras palavras, a direita seria um posicionamento político religioso por natureza. A associação é descabida. O real posicionamento da direita em relação á religião é apenas de respeito. Afinal de contas, a maioria das religiões prega o amor, a compaixão, a misericórdia e o perdão, que são sentimentos nobres. Desses sentimentos nobres pregados pelas religiões surgem diversas escolas, hospitais e instituições de caridade, financiados pelo dinheiro de fiéis que se preocupam em ajudar ao próximo. Não há como se negar a enorme contribuição humanitária que as religiões têm dado ao mundo.

Alguém poderia contestar, dizendo que a religião também causou muitas guerras. Mas isso é uma distorção dos fatos, típica de quem é de esquerda. Na imensa maioria dos casos, a causa da guerra não é a religião, mas o religioso, o que é bem diferente. A religião em si só é capaz de causar guerra se esta for a doutrina ensinada por ela. Mas alguém conhece alguma religião que nos ordene odiar o próximo, matar, torturar? Definitivamente esta não é a doutrina das principais religiões do mundo. Cristianismo, islamismo, judaísmo, budismo, espiritismo – todas essas religiões pregam o amor, a compaixão e a paz.

Agora, o homem tem livre arbítrio. Ele pode escolher se desviar dos princípios básicos da própria filosofia que segue. Tal é o caso de alguns religiosos, que se enveredam por caminhos criados por suas próprias interpretações delirantes, distorcendo suas religiões e agindo justamente de contrária ao que suas religiões pregam.

Então, para a direita, dificilmente, é a religião que causa guerras ou qualquer outro mal social como fome, discriminação, desigualdade e etc. Esses males são causados pela própria maldade inerente do ser humano. Culpar a religião é tentar tirar o erro das costas do homem.

Por esse motivo, a direita não vê problema em reconhecer a importância da religião no mundo, respeitando a existência da mesma. Isso está longe de significar que ser de direita é ser religioso ou que a direita é posicionamento político que tem a ver com religião.

Não obstante, a esquerda não entende o assunto dessa forma. Como para ela o mal não está no próprio ser humano, mas em algo externo, tudo o que religiosos fanáticos, ignorantes, loucos ou mal caráter fazem, é tido como culpa da religião. Assim, a religião seria uma grande pedra no sapato do mundo.

Esse é o princípio do posicionamento esquerdista. Mas é claro que nem todo o esquerdista é antirreligioso. Do ponto de vista estratégico, isso nem seria bom para a esquerda, pois perderia adeptos religiosos. Assim, o que a esquerda faz é se dividir em vertentes quanto à visão sobre religião. São três as vertentes, todas igualmente importantes para ela: a visão liberal, a visão sincretista e a visão antirreligiosa em si.

Todas essas vertentes visam enfraquecer as religiões de raízes judaico-cristã, visto que a moral judaico-cristã entre em conflito direto com os interesses dos esquerdistas mais radicais.

O resultado desse “antirreliogismo” de esquerda não poderia ser diferente: gera-se preconceitos e conflitos até onde não existia e a liberdade religiosa vai por água abaixo. E uma vez travada (ou reduzida) a liberdade religiosa, o governo tem o caminho aberto substituir o culto a Deus pelo culto ao Estado, ao governo, ao partido e ao líder. Foi o que aconteceu em todos os países que tiveram regimes comunistas e é o que acontece em grande parte das democracias ocidentais, embora de maneira camuflada e sem o uso de coerção física (ainda…). À pretexto de tornar o Estado “laico” (como se laico significasse “anti-religioso”) os esquerdistas tem avançado em limitar cada vez mais a expressão das religiões tradicionais e, consequentemente, tornando os Estados mais autoritários.

Aqui é possível entender que o respeito da direita pela religião existe não apenas pelo que a religião representa para a humanidade (independente se há alguma religião correta ou não), mas, sobretudo, porque não respeitá-la é tirar a autonomia do indivíduo e abrir caminho para um agigantamento do poder do Estado. Assim, um bom governo de direita, que realmente prezasse pelos seus princípios, jamais enveredaria por esse caminho. O respeito à religião aqui entra como respeito ao indivíduo. Não há negociação.

Conclusão

Eu tive dois objetivos básicos durante essa série. O primeiro foi fazer o leitor conhecer um pouco mais sobre as propostas de direita e o que a direita pensa sobre os principais temas políticos. A segunda foi deixar claro que na medida em que um governo se afasta dos princípios expostos nesta série, se afasta também da direita. Entender isso evita confusões como a de chamar o Nacional-Socialismo de regime de direita (o que é ridículo). Termino com um breve resumo das ações que vimos:

1)    Diminuição da interferência do governo na economia

2)    Redução da carga tributária e cortes em gastos públicos

3)    Modelo de financiamento público individual na educação

4)    Criação de concorrência no sistema público privado

5)    Endurecimento das leis civis e penais

6)    Privatizações

7)    Concessões de curto prazo

8)    Presídios terceirizados

9)    Abertura para empresas e produtos estrangeiros

10)  Evitar e combater crises através da pouca intervenção

11)  Proteção à natureza através do sistema de lotes

12)  Fim da Previdência Pública obrigatória

13)  Incentivo ao individualismo

14)  Incentivo ao Estado Democrático de Direito

15)  Combate às discriminações através da igualdade cultural e legal

16)  Respeito à religião

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Links para as outras partes dessa série:

Como seria um bom governo de direita – Parte 1

Como seria um bom governo de direita – Parte 2

Como seria um bom governo de direita – Parte 3