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Por Salvador Suniaga. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos.

A tragicomédia do revolucionário é que -em sua imperiosa necessidade de retaliação, de vingança, de ressentimento- fabula conspirações onde não existem, encontra “ovelhas” em todas as partes, e ansia que a natureza se adapte ao seu igualitário e míope sentido de justiça. Isto, ignorando que:

  • Ser revolucionário, em si mesmo, é ser vítima de uma conspiração. O ideal, por ser ideal, não é real nem realizável.
  • Na lida contra a cegueira da humanidade, o revolucionário desconhece a história universal, o rigor filosófico, as ciências econômicas, a técnica científica, a biologia; e todos os fatores que poderiam, ironicamente, tirá-lo da cegueira emocional e explicar-lhe porque, de forma natural, o mundo é como é.
  • A justiça não existe em si mesma. A igualdade não existe em si mesma. E se há uma convenção humana de igualdade, não é possível formar, ao mesmo tempo, uma convenção humana de justiça; e vice-versa.

Por ser um flagelo emocional, e não de inteligência, a humanidade nunca se livrará do revolucionário, assim como ninguém se livrará do primeiro amor e da primeira decepção. É um assunto da juventude, de ingenuidade de espírito. Por sorte, a vida, por si só, ensina os meninos a ser homens.

Quem aos 18 anos não foi comunista, não tem coração; quem aos 30 anos segue sendo comunista, não tem cérebro.

– Arturo Uslar Pietri