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“Em qualquer país sério do mundo, 50 mil homicídios por ano é considerado guerra civil. Com 1,09 milhão de homicídios entre 1980 e 2010, o Brasil tem uma média anual de mortes superior aos conflitos da Chechênia, onde morreram 50 mil pessoas entre 1994 e 1996, da Guerra Civil da Angola onde morreram 20,3 mil pessoas por ano entre 1975 e 2002 e, por fim, a guerra do Iraque que matou 13 mil pessoas por ano.

Temos um “Massacre” do Carandiru todos os dias, mata-se 137 pessoas diariamente. A gravidade da situação é tamanha que é mais fácil banaliza-la e culpar a vítima pela sua morte. Mata-se por tudo e por nada com uma única certeza: Que a impunidade será a lei.

Na madrugada de hoje, mataram uma criança de cinco anos de idade, boliviana, pobre, cuja a família morava numa casa com outra família. Tudo aconteceu porque o garotinho chorava e os pais não tinham mais dinheiro para dar aos criminosos, e assim, com a benevolência que só os facínoras sabem lidar, atiraram na cabeça do pobre garoto, do garotinho pobre no colo de sua mãe. Morreu implorando pela vida para quem- sequer- merecia estar vivo.

O que não falta são OnG´s, Blogueiros, pseudo-intelectuais, palpiteiros, para defender as vítimas sociais justificando seus crimes. Esse discurso medíocre poderia ser mais plausível quando as vítimas eram os endinheirados, mesmo assim é deprimente e facilmente refutável. Mas e agora que as vítimas são mais pobres que os bandidos? Qual é a desculpa que irão usar? Quem é mais vítima, o bandido a “vítima social” de si mesmo, ou o pobre trabalhador a vítima social de um estado patife?

O discurso errôneo começa quando acreditam que a cadeia serve para reabilitar, regenerar pessoas, quando, na verdade, cadeia serve apenas para punir. Claro que esta minha visão é rechaçada pelos inteligentinhos de classes sociais abastada, mas a cadeia não tem função de resocializar ninguém. Há muitos voluntários, ONG´s e pessoas que fazem isso em presídios, mas esta não é a função do estado. E estas mesmas ONG´s, Movimentos, blogueiros, palpiteiros, não movem um só dedo para ajudar as vítimas, sequer lamentam as suas mortes.

Você trabalhador de São Mateus, acha mesmo que tem culpa pelo seu vizinho não ter a mesma disposição para o trabalho que o senhor e com isso justifica o assassinato do menino de 5 anos? É nossa culpa quando alguém resolve se drogar por conta de suas frustrações? Temos alguma coisa a ver com o problema de cunho individual das pessoas? Alguma coisa a ver com a escolha das mesmas? Porque temos que nos sentir culpados por isso?

Enquanto as pessoas não tiverem consciência que as escolhas, as atitudes e as condutas frente a vida são derivadas da nossa liberdade de escolher, elas acreditarão fielmente que quem rouba, mata, estupra, ateia fogo é vítima social.

É bíblico: Quando Poncio Pilatos perguntou quem ele deveria crucificar, o povo escolheu Barrabas o bandido, e 2013 anos depois, nossos governantes continuam escolhendo bandidos e crucificando crianças, dentistas, estudantes, trabalhadores de todas as classes, credos e cores.

Num país que não há leis rigorosas, há assassinatos monstruosos.

Lastimável.”

Autora: Michelle Fransan