Tags

, , , , , , , , , , , , , ,

Nota Introdutória: Ștefan Baciu (1918-1993) foi um escritor poliglota de origem romena, nacionalizado brasileiro. É conhecido por seus estudos e antologias sobre a literatura surrealista latinoamericana.

Como exilado, unindo-se à grande diáspora romena, trabalharia de jornalista em vários países da Europa. Em 1949 chegaria ao Rio de Janeiro com sua esposa, onde trabalharia como jornalista, escritor e comentarista de política internacional. De 1953 a 1962 foi redator da Tribuna da Imprensa, jornal de oposição fundado por Carlos Lacerda. Nestes anos faria várias viagens a distintos países da América Latina copilando informações sobre suas literaturas.

Diz-se que no México conheceu a Ernesto “Che” Guevara e a Fidel Castro, segundo algumas referências de seus escritos. Logo iria a Cuba onde daria sua testemunha e crítica à Revolução Cubana como evidencia em seu livro Cortina de Ferro Sobre Cuba (1961) e no seguinte poema, de título “Yo No Canto Al Che”.

Yo no canto al Che,
como tampoco he cantado a Stalin
con el Che hable bastante en México,
y en la Habana
me invito, mordiendo el puro entre los labios,
como se invita a alguien a tomar un trago en la cantina,
a acompañarlo para ver como se fusila en el paredón de La Cabaña.

Yo no canto al Che,
Como tampoco he cantado a Stalin;
que lo canten Neruda, Guillen y Cortazar;
ellos cantan al Che (los cantores de Stalin),
yo canto a los jovenes de Checoslovaquia

Em tradução livre para o português:

Eu não canto a Che,
como tampouco cantei a Stalin
com Che falei bastante em México,
e em la Habana
me convidou, mordendo o puro* entre os lábios,
como se convida a alguém a tomar um trago na cantina,
a acompanhá-lo para ver como se fuzila no paredão de La Cabaña.

Eu não canto a Che,
como tampouco cantei a Stalin;
que o cantem Neruda, Guillen e Cortazar;
eles cantam ao Che (os cantores de Stalin),
eu canto aos jovens da Tchecoslováquia**

Ao contrário de Neruda e Cortazar, Baciu não é cultuado e venerado na América Latina, apesar de sua extensa obra sobre a literatura desta região.


Notas:

*tipo de charuto feito de folhas de tabaco enroladas, sem papel.
**referência à resistência ao regime ditatorial socialista neste país