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Direita as Moscas

Você é extremista ou um moderado pacifista?

Se esbarrasse na rua com algum dos nossos políticos ditos “de direita”, eu lhe perguntaria o seguinte: “Você quer destruir a esquerda, destrui-la politicamente, socialmente, culturalmente, de modo que ela nunca mais se levante, e que ser esquerdista se torne uma vergonha que ninguém ouse confessar em público?”

Tenho a certeza absoluta de que a resposta do desgraçado será “Não”, e que virá , provavelmente, acompanhada das usuais caretas de repugnância fingida com que os bons meninos da direita marcam sua distância de todo “extremismo”.

Bem, o fato é que aquilo que a direita não quer fazer com a esquerda é o que a esquerda já fez com a direita. Afinal, só quem precisa ostentar moderação é quem se envergonha da sua própria opinião ao ponto de admitir, cabisbaixo e submisso, que ela só vale alguma coisa quando usada em doses moderadas. Em doses moderadas, filhinho, até a estricnina vale alguma coisa. Só o que é indiscutivelmente bom, como a inteligência, a beleza, a santidade ou a saúde, vale tanto mais quanto maior a dose. 

A esquerda conseguiu convencer até os direitistas de que nenhuma dose de esquerdismo é excessiva, tanto que o sr. Luís Inácio Lula da Silva, vendendo uma imagem de moderado, não se vexava de presidir o Foro de São Paulo de mãozinhas dadas com um notório extremista, assassino e narcotraficante, o sr. Manuel Marulanda, nem muito menos se esquivou jamais de fazer parceria com o sr. Fidel Castro, que é o extremismo de esquerda encarnado.

Já os homens “da direita” – digo “homens” cum grano salis – prefeririam antes morrer do que ser vistos ao lado de alguém que lhes pareça mais direitista que eles.

Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia