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Bene Barbosa*

Na última semana, a imprensa voltou a noticiar com destaque o que seria a primeira arma praticamente produzida, na íntegra, em uma impressora 3D, numa pequena empresa no Texas. Confesso que, como especialista em armas e munições, tenho sérias dúvidas sobre a viabilidade real dessa invenção, que tem tido destaque como se um estudante do ensino médio descobrisse a cura para AIDS.

Assumindo que tudo que foi mostrado pela empresa seja verdadeiro, ainda assim são muitos os fatores a se considerar. Primeiramente, ela não passa de uma pistola monotiro, ou seja, precisa ser recarregada depois de cada disparo, o que faz dela algo muito pouco efetivo para defesa e a inutiliza para ataques. Em segundo lugar, a capacidade de disparo se resume a calibres pequenos, únicos que, em teoria, podem ser contidos em receptáculos integralmente em plástico, ainda que com muito pouca – ou nenhuma – precisão.

Além disso, ao contrário do que imaginam os alarmistas, fazer armas em casa é até certo ponto um processo muito simples. A Internet está recheada de modelos caseiros e até projetos mais elaborados, sem contar diversas publicações que tratam exclusivamente do assunto. Aqui mesmo no Brasil não são raras as apreensões de armas desse tipo em mãos de criminosos. Há pouco tempo a Polícia Civil de São Paulo encontrou até uma pequena fábrica que fazia submetralhadoras em escala quase industrial e com grande grau de sofisticação.

O risco efetivo da invenção, se é que existe um, é o de que essa pistola seja “invisível” aos detectores de metal, o que não inclui, por óbvio, sua munição, facilmente identificável em scanners e aparelhos de raio-x.

O nome dado à pistola é emblemático. Contudo, por um flagrante desconhecimento profundo da mídia sobre a história das armas de fogo, em especial no Brasil, até agora não se viu ninguém que tenha percebido o porquê desta escolha, no que reside, aí sim, a verdadeira alma da notícia. O nome “Liberator” não está só relacionado à liberdade de se produzir armas em casa, mas também faz referência direta a outra pistola, a “FP-45 Liberator”, também monotiro, em calibre .45ACP e fabricada pela General Motors durante a Segunda Guerra Mundial. Essa arma foi distribuída aos milhares nos territórios ocupados pelos alemães para a resistência e visavam a morte de oficias e autoridades colaboracionistas. O vídeo “promocional” da Liberator feita com a impressora mostra uma cena com aviões durante a Segunda Guerra e foi exatamente assim que ela foi introduzida em território inimigo (vídeo neste link:http://youtu.be/drPz6n6UXQY).

Explicado o real sentido do nome, fica claro o recado dado pela empresa que agora lança a nova Liberator. Enquanto o presidente Obama e outros desarmamentistas quebram a cabeça tentando encontrar uma forma de impor restrições às armas para a população, há gente que não estará disposta a se desarmar e, se necessário for, fará suas próprias armas, cada dia contando com mais tecnologia para isso.

Para quem adora se curvar ao governo, quem adora bolsa-isso, bolsa-aquilo, quem gosta de ser tutelado pelo Estado que lhe diz o que ele deve fazer ou deixar de fazer, isso pouco importa, mas para a maioria dos norte-americanos a ideia de não ter defesa, inclusive contra o Estado, é algo inaceitável. É uma raiz histórica do país, advinda de seus fundadores, que na própria constituição garantiram que isso jamais deveria acontecer, pois quando o fuzil escraviza, é o fuzil a única arma capaz de libertar.

*Bene Barbosa é especialista em segurança pública e presidente da ONG Movimento Viva Brasil

AVISO: Este artigo pode ser livremente distribuído e publicado desde que em sua íntegra e respeitada a autoria

Governo americano ordena remoção de instruções on-line que permitem criação de arma usando impressora 3D