Tags

, , , , , , , , , , , ,


Continuação do ensaio escrito por Ron Paul. Para ler a primeira parte, clique aqui.

O comunismo seguramente perdeu muito com a quebra do Império Soviético mas isto dificilmente pode ser declarado como uma vitória para a liberdade americana, como os Pais Fundadores entenderam. O neoconservadorismo não é uma filosofia de livre mercado e uma sábia política externa. Pelo contrário, representa o governo inchado assistencialista interno e um programa de uso do nosso poderio militar para espalhar suas versões de valores americanos pelo mundo. Uma vez que os neoconservadores dominaram o jeito de fazer política no governo americano que agora opera, convém a nós todos entender suas crenças e metas. O rompimento do sistema soviético pode bem ter sido um evento épico, mas dizer que os pontos de vistas dos neocons são os vencedores incontestáveis e que tudo que precisamos fazer é esperar pelas suas implementações é uma rendição para controlar as forças da história que muitos americanos ainda não estão prontos para admitir. Certamente não há necessidade de fazê-lo.

Existe agora uma conexão filosófica reconhecida entre os neoconservadores modernos e Irving Kristol, Leo Strauss e Maquiavel. Isto é importante em entender que as políticas de hoje e os problemas subsequentes estarão conosco por anos a vir se essas políticas não forem revertidas.

Não apenas Leo Strauss escreveu de modo favorável a Maquiavel, Michael Ledeen, um atual líder do movimento dos neoconservadores, fez o mesmo. Em 1999 Ledeen intitulou seu livro “Machiavelli on Modern Leadership” (Maquiavel sobre a liderança moderna, tradução livre) e deu o subtítulo: “Porque as regras firmes de Maquiavel são tão convenientes e importantes hoje como há cinco séculos”. De fato, Ledeen é um teórico neocon influente cujo seus pontos de vista obtém muita atenção em Washington. Seu livro sobre Maquiavel, curiosamente, foi passado para os membros do congresso presentes uma reunião de estratégia política logo após sua publicação e em pouco tempo mais que A Clean Break foi lançado.

Na mais recente publicação de Ledeen, The War Against The Terror Master (A guerra contra o mestre do terror, tradução livre), ele reitera suas crenças delineado neste livro sobre Maquiavel de 1999. Ele especificamente elogia: “Destruição criativa… tanto dentro da nossa sociedade quanto fora… (estrangeiros) ao ver os Estados Unidos desfazerem sociedades tradicionais podem temer a nós, visto que eles não desejam serem desfeitas”. Surpreendentemente Ledeen conclui: “Eles devem nos atacar de modo a sobreviver, assim como devemos destruí-los para avançar nossa missão histórica”.

Se essas palavras não te assusta, nada te assustará. Se elas não são uma clara advertência, eu não sei o que poderia ser. Parece algo como ambos os lados de cada discordância no mundo vai estar seguindo o princípio da guerra preventiva. O mundo certamente é um lugar menos seguro por isso.

Em Machiavelli on Modern Leadership, Ledeen elogia um líder nos negócios por corretamente entender Maquiavel: “Não há soluções absolutas. Tudo depende. O que é certo e o que é errado depende sobre o que precisa ser feito e como”. Isso é uma clara afirmação da situação ética e não está vindo da esquerda tradicional. Isso me lembra de: “Depende de qual definição da palavra ‘é’ é”.

Ledeen cita Maquiavel de modo a aprovar sobre o que faz um grande líder. “Um príncipe não deve ter outros objetivos ou pensamentos ou tomar qualquer coisa em relação de sua habilidade, exceto a guerra”. Para Ledeen isso significa: “A virtude do guerreiro são essas, de grandes líderes de qualquer organização de sucesso”. No entanto, é obvio que guerra não é coincidente com a filosofia neocon, mas uma arte integrante. Os intelectuais justificam isso e os políticos o realizam. Há uma razão precisa para argumentar por guerra sobre a paz, de acordo com Ledeen pois “…a paz aumenta o nosso risco por fazer a disciplina menos urgente, encorajando alguns de nossos piores instintos, privando-nos de nossos melhores líderes”. Paz, ele alega, é apenas um sonho e nem mesmo algo agradável, por isso causaria indolência e iria minar o poder do estado. Embora eu reconheço que a história do mundo é a história de gerra frequente, a capitular e desistir até mesmo a lutar pela paz – acreditando que a paz não é um benefício para a humanidade – é um pensamento assustador que condena o mundo a uma guerra perpétua e justifica-o como um benefício e uma necessidade. Essas são ideias perigosas, pelo que nada de bom pode vir.

O conflito de eras tem sido entre o estado e o indivíduo: poder central contra liberdade. Quão mais contido o estado e mais ênfase na liberdade individual, maior tem sido o avanço da civilização e prosperidade geral. Como a condição do homem não foi fechada em um local pelos tempos e guerras do passado e melhorou com liberdade e mercados livres, não há razão para crer que um novo estágio para o homem não poderia ser alcançado por acreditar e trabalhar pelas condições de paz. A inevitável e tão chamada necessidade pela guerra preventiva deveria nunca ser justificada intelectualmente como sendo um benefício. Tal atitude garante um retrocesso da civilização. Neocons, infelizmente, alegam que a guerra está na natureza do homem e que nós não podemos fazer muita coisa sobre isso, então vamos usá-la em nosso proveito para promover nossa bondade em todo o mundo através da força das armas. Esta visão é anátema para a causa da liberdade e preservação da Constituição. Se não for refutada em voz alta, nosso futuro será, de fato, terrível.

‘Para sobreviver é preciso lutar o tempo todo. A paz leva a decadência. Por isso, uma ordem política somente pode ser estável se for unida por uma ameaça externa. Se não existir nenhuma ameaça externa, então, é preciso fabricar uma.’ – Leo Strauss

Ledeen acredita que o homem é mal e não pode ser deixado por seus próprios desejos. Portanto, ele deve ter uma liderança adequada e própria, assim como Maquiavel argumentou. Somente assim o homem pode alcançar o bom, como explica Ledeen: “A fim de alcançar as mais notáveis realizações, o líder pode ‘entrar para o mal’. Essa é a visão arrepiante que fez Maquiavel tão temido, admirado e desafiador… nós estamos podres”, argumenta Ledeen. “É verdade de que nós podemos alcançarmos a grandeza se, e somente se, estivermos adequadamente conduzidos”. Em outras palavras, o homem é tão depravado que indivíduos são incapazes de grandeza moral, ética e espiritual e alcançar excelência e virtude pode somente vir de um líder autoritário poderoso. Que ideias depravadas são essas que agora influenciaram nossos líderes em Washington? A questão de Ledeen não respondida é: “Por que os líderes políticos não sofrem das mesmas deficiências e onde eles obtém seus monopólios sobre a sabedoria?”

Uma vez que esta confiança esteja colocada nas mãos de um líder poderoso, esse neocon argumenta que certas ferramentas são permissíveis de uso. Por exemplo, “a mentira é fundamental para a sobrevivência das nações e para o sucesso das grandes empresas, porque se nossos inimigos podem contar com a confiabilidade de tudo que você disser, sua vulnerabilidade é enormemente aumentada”. E sobre os efeitos de mentir sobre seu próprio povo? Quem se importa se um líder pode enganar o inimigo? Chamando-o de “estratégia de decepção” faz a mentira moralmente justificável? Ledeen e Maquiavel diz que sim, conquanto que a sobrevivência do estado esteja em jogo. Preservar o estado é seu objetivo, ainda que a liberdade pessoal de todos os indivíduos tenha que ser suspensa ou cancelada.

Ledeen deixa claro que a guerra é necessária para estabelecer fronteiras nacionais – porque esse é o modo que sempre foi feito. Quem precisa de progresso da raça humana! Ele explica: “Olhe para o mapa do mundo: as fronteiras nacionais não foram desenhadas por homens pacíficos conduzindo vidas de contemplação espiritual. Fronteiras nacionais tem sido estabelecidas por guerra e o caráter nacional tem sido moldado por luta, geralmente lutas sangrentas”.

Sim, mas quem está a liderar o comando e decidir por quais fronteiras iremos lutar? Que tal fronteira com 6 mil milhas de distância sem relação com nossas próprias fronteiras contíguas e nossa própria segurança nacional? Afirmando um relativo truísmo em relação a frequência de guerra por toda a história, dificilmente deveria ser a justificação moral para a expansão do conceito de guerra para resolver disputas humanas. Como alguém pode chamar isso de progresso?

Maquiavel, Ledeen e os neocons reconheceram a necessidade de gerar um zelo religioso para promover o estado. Isso, afirma ele, é especialmente necessário quando a força é usada para promover uma agenda. Tem sido verdade ao longo da história e continua ser verdade até hoje, cada lado de grandes conflitos invoca a aprovação de Deus. Nosso lado se refere a uma “cruzada”, o deles a um “Jihad sagrado”. Muitas vezes as guerras se resumem a seu deus contra o nosso Deus. Parece que esse princípio é mais um esforço cínico para ganhar a aprovação das massas, especialmente daqueles mais prováveis de serem mortos pela causa dos promotores de guerra de ambos os lado que possuem poder, prestígio e riqueza em jogo.

Ledeen explica por que Deus deve sempre estar do lado dos defensores da guerra: “Sem temor a Deus, nenhum estado pode durar tanto tempo, visto que o pavor da danação eterna que mantém os homens na linha, faz eles honrarem suas promessas e inspira-os a arriscar suas vidas para o bem comum”. Parece que morrer ao bem comum ganhou um status moral mais elevado do que a salvação eterna da alma. Ledeen continua: “Sem o medo da punição, os homens não obedecerão as leis que os forcem a agir o contrário de suas paixões. Sem medo de armas, o estado não pode aplicar as leis… para este fim, Maquiavel quer líderes para tornar o estado espetacular”.

É interessante notar que algumas grandes denominações cristãs junta neoconservadores em promover a guerra preventiva, enquanto ignoram completamente a doutrina cristã da Guerra Justa. Os neocons solicitaram e receberam abertamente seus apoios.

Eu gostaria de alguém para recolher qualquer coisa do que os Pais Fundadores disseram ou colocaram na Constituição que concorde com a doutrina agora professada de um estado “espetacular”, promovido por aqueles que agora possuem muita influência em nossas políticas aqui no país e no exterior. Ledeen argumenta que este elemento religioso, este temor de Deus, é necessário para aqueles que podem ser hesitantes em sacrificar suas vidas pelo bem do “estado espetacular”.

Ele explica em termos estranhos: “Morrer pelo país não vem naturalmente. Exércitos modernos, surgidos da população, devem ser inspirados, motivados e doutrinados. Religião é o centro do empreendimento militar, para homens que estão mais propensos a arriscar suas vidas, se eles irão acreditar que serão recompensados para sempre depois de terem servidos seu país”. Isso é uma admoestação que poderia muito bem ter sido dada por Osama bin Laden, reunindo suas tropas para o sacrifício em matar infiéis invasores, como por nossos intelectuais no AEI, que influencia grandemente nossa política externa.

Neocons – ansiosos para os EUA usarem força para realinhar fronteiras e mudar regimes no Oriente Médio – claramente entende o benefício da galvanização e evento emocional para reunir pessoas para a sua causa. Sem um evento especial, eles perceberam a dificuldade em vender sua política de guerra preventiva, onde nosso próprio pessoal militar seria morto. Se fosse na Lusitânia, Pearl Harbor, no Golfo de Tonkin ou no Maine, todos serviram seus propósitos em promover uma guerra que fora solicitada por nossos líderes.

Ledeen escreve um evento fortuito (1999): “…claro, nós sempre podemos ter sorte. Eventos colossais de fora podem providencialmente despertar a empresa de seu entorpecimento crescente e demonstrar a necessidade de reversão, como o devastador ataque japonês a Pearl Harbor em 1941, de modo tão efetivo despertou os EUA de seus sonhos tranquilizantes de neutralidade permanente”.

Surpreendentemente, Ledeen chama Pearl Harbor de um evento “de sorte”. O Project for a New Amrican Century, como recentemente, em Setembro de 2000, igualmente previu a necessidade por “um evento de Pearl Harbor” que galvanizaria o povo americano a apoiar seus planos ambiciosos para garantir a dominação política e econômica do mundo, enquanto isso estrangulando qualquer “rival” em potencial.

Reconhecendo uma “necessidade” para um evento de Pearl Harbor e referenciando a Pearl Harbor como sendo de “sorte”, não são idênticos aos de apoio e conhecimento de um evento como esse, mas que essa simpatia para um evento a galvanizar, como o 11 de Setembro se tornou, foi formulado para promover uma agenda que constitucionalistas ferrenhos e devotos dos Pais Fundadores desta nação encontrou terrível, é de fato perturbante. Depois do 11 de Setembro, Rumsfeld e outros discutiram por um ataque imediato no Iraque, mesmo que não estive implicado nos ataques.

O fato de que neo-conservadores ridicularizam aqueles que firmemente acredita que o interesse dos EUA e da paz mundial seria melhor servido por uma política de neutralidade e evitar envolvimentos estrangeiros não deveria ser incontestado. Não o fazer é tolerar seus planos grandiosos por uma hegemonia americana mundial.

A atenção atual dada a neocons normalmente vem no contexto de política externa. Mas há mais do que está acontecendo hoje em dia do que apenas a influência tremenda que neocons tem em nossa nova política de guerra preventiva com o objetivo de império. Nosso governo está agora sendo movido por uma série de idéias que vem juntos no que chamo de “neoconismo”. A política externa está sendo debatida abertamente, mesmo se suas implicações não estão sendo totalmente compreendidas por muitos que as apoiam. Washington está agora sendo dirigida por antigos pontos de vistas reunidas em um novo pacote.

Nós sabemos que aqueles que nos governam – ambos na administração e no congresso – mostram nenhum apetite para desafiar sistemas fiscais ou monetário que causam tantos danos a nossa economia. A Receita Federal e o Banco Central estão fora dos limites das críticas e reformas. Não há resistência aos gastos, tanto no campo doméstico quanto no exterior. A dívida não é vista como problema. Economistas da corrente “Lado da Oferta” venceram esta questão e agora muitos conservadores prontamente defenderam gastos deficitários.

Não há uma oposição séria à expansão do estado assistencialista, com rápido crescimento da burocracia da educação, agricultura e assistência médica. Apoio a sindicatos trabalhistas e protecionismo não são incomuns. As liberdade civis são facilmente sacrificadas na atmosfera predominante pós-11 de Setembro em Washington. Questões de privacidade são de pouco interesse, exceto por poucos membros do congresso. Ajuda internacional e internacionalismo – apesar de algumas críticas saudáveis da ONU e da nossa crescente preocupação pela nossa soberania nacional – são defendidos por ambos os lados do corredor. A aprovação está dada ao livre mercado e para a liberdade de tratados de comércio, contudo toda a economia é regida por legislações de interesses comerciais favorecendo grandes corporações, grandes sindicatos e, especialmente, grandes gastos do governo em modelar o mercado.

Em vez do “fim da história”, nós agora estamos experimentando o fim de um movimento sonoro do governo limitado na capital de nossa nação. Enquanto muitos conservadores já não defendem orçamentos equilibrados e redução de gastos, muitos progressistas tem aumentado uma lenta defesa pelas liberdade civis e agora estão aprovando guerras que iniciamos. A então chamada “terceira via” chegou e, infelizmente, tomou o pior do que os conservadores e progressistas têm para oferecer. As pessoas estão bem menos fora disso, enquanto a liberdade definha como um resultado.

Os neocons entusiasticamente abraçaram o Ministério da Educação e o exame nacional[1]. Ambos os partidos apoiam de forma esmagadora o enorme compromisso para um novo programa de prescrição de medicamentos. Suas devoções para a nova abordagem chamada “conservadorismo compassivo” atraiu muitos conservadores no apoio a programas para a expansão do papel do governo federal sobre o assistencialismo e caridades promovida por instituições religiosas. A iniciativa baseada na fé é um projeto neocon, ainda que reformula e expande a noção progressista de assistencialismo. Os intelectuais que promoveram essas iniciativas eram neocons, porém não há nada de conservador em promover a expansão do papel do governo federal sobre o assistencialismo.

 

Michael Ledeen, um dos mais influentes nomes da política externa americana.

Políticas econômicas baseado no “Lado da Oferta” de baixos impostos marginais tem estado incorporado no neoconismo, assim como seus apoios a crédito e inflação monetária abundantes. Neoconservadores não tem interesses no padrão-ouro e até mesmo ignoram o argumento por um falso padrão-ouro dos economista da vertente “Lado da Oferta”.

Há alguma surpresa de que os gastos do governo federal está crescendo, em um ritmo mais rápido do que em qualquer época dos últimos 35 anos?

Poder, política e privilégio prevalecem sobre o império da lei, liberdade, justiça e paz. Mas não precisa ser dessa maneira. O neoconismo reuniu muitas ideias antigas sobre como o governo deveria governar o povo. Pode ter modernizado seus atrativos e sua embalagem, porém governança autoritária é governança autoritária, independente das conotações humanitárias. Uma solução só pode vir após a ideologia atual que dirige nossa políticas de governo ser substituída por algo mais positivo. Em um contexto histórico, a liberdade é uma ideia moderna e deve, mais uma vez, recuperar o fundamento de moral elevada para a civilização avançar. Reafirmando as antigas justificações para guerra, o controle de pessoas e um estado benevolente não será suficiente. Não se pode eliminar as deficiências que sempre ocorrem quando o estado assume autoridade sobre os outros e quando a vontade de uma nação é forçada em uma outra – se for ou não for feita com boas intenções.

Eu percebo que todos os conservadores não são neoconservadores e todos os neocons necessariamente não concordam com todos os pontos – o que significa que, apesar sua tremenda influência, a maioria dos membros do congresso e da administração, necessariamente não tomam suas ordens direcionadas ao American Enterprise Institute ou Richard Perle. Mas para usar isso como uma razão para ignorar o que os líderes neoconservadores acreditam, escrevem e discutem por algo – com sucesso espetacular eu poderia assinalar – estaria em nosso próprio risco. Este país ainda permite abrir discursos – embora menos ultimamente – e nós que não concordamos deveríamos forçar a discussão e expor aqueles que dirigem as nossas políticas. Está ficando mais difícil conseguir uma discussão honesta e equilibrada nesses pontos, porque tornou-se rotina para as hegemonias em rotular aqueles que contestam a guerra preventiva e vigilância doméstica como traidores, anti-patriota e anti-americano. A uniformidade de apoio por nossa atual política externa pelas majoritárias e redes de noticiários de TV a cabo deveria preocupar todo americano. Todos nós deveríamos ser gratos pelo C-SPAN[2] e a internet.

Michael Ledeen e outros neoconservadores já estão fazendo lobby para a guerra contra o Irã. Ledeen é um pouco antipático para aqueles que falam por uma abordagem calma e razoável, chamando aqueles que não estão prontos para a guerra de “covardes e conciliadores de tiranos”. Porque alguns incitam uma abordagem menos militarista para lidar com o Irã, ele alega que eles estão traindo as melhores “tradições” dos Estados Unidos. Eu me pergunto de onde ele aprendeu o início da história americana! É óbvio que Ledeen não considera os Pais Fundadores e a Constituição parte de nossas melhores tradições. Quase que em nenhum momento fomos encorajados pelos revolucionários americanos a perseguir um império americano. Entretanto, fomos instigados em manter a república que eles tão meticulosamente projetaram.

Se os neoconservadores retém o controle de conservador, do movimento de governo limitado em Washington, das ideias, uma vez defendidas por conservadores, de limitar o tamanho e o escopo da vontade do governo, será um sonho há muito esquecido.

Os que acreditam na liberdade não devem enganar a si mesmos. Quem deve estar satisfeito? Certamente não os conservadores, pois não há movimento conservador à esquerda. Como poderia os progressistas estarem satisfeitos? Eles se agradaram com a centralização de programas de educação e saúde em Washington e apoiam muitas propostas do governo. Mas nenhum deve estar satisfeito com o ataque constante às liberdade civis de todos os cidadãos americanos e o consenso atual aceito de que guerra preventiva – por qualquer razão – seja uma política aceitável para lidar com os conflitos e os problemas do mundo.

Apesar da deterioração das condições em Washington – com perda de liberdade pessoal, uma economia fraca, déficits explodindo, guerra perpetual, seguido de nacionalismo/ desenvolvimentista – há ainda um número considerável de nós que apreciaria a oportunidade de melhorar as coisas, de um modo ou de outro. Certamente um crescente número de americanos frustrados, tanto de direita quanto de esquerda, estão ficando ansiosos para ver o congresso fazer um trabalho melhor. Mas, primeiro, o congresso deve parar de fazer um mau trabalho.

Nós chegamos num ponto em que precisamos pegar em armas, tanto aqui, em Washington, quanto em todo o país. Não estou falando sobre armas de fogo. Aqueles entre nós que se importam precisam levantar os braços e encarar nossa vitória por fora e começar a acenar e gritar: pare! Chega e basta! E deveria incluir progressistas, conservadores e independentes. Nós todos estamos fazendo falsas acusações vindos de políticos que são pressionados por pesquisas e controlados por interesse especial de dinheiro.

Uma coisa é certa, não importa o quão moralmente justificável os programas e as políticas pareçam, a capacidade para financiar todos os canhões ou manteigas prometidos é limitada e tais limites estão se tornando aparente a cada dia que passa.

Gastos, empréstimos e dinheiros impressos não pode ser o caminho da prosperidade. Não funcionou no Japão e também não está funcionando aqui. Na realidade, nunca funcionou em qualquer momento ao longo da história. Um ponto é sempre alcançado onde o planejamento governamental, gastos e inflação perde a força. Ao invés destas ferramentas antigas reviverem a economia, como eles fazem nos primeiros estágios do intervencionismo econômico, eventualmente eles se tornam o problema. Ambos os lados do espectro político devem, um dia, compreender que a intrusão governamental sem limites na economia, em nossas vidas pessoais e nos assuntos de outras nações não podem servir os melhores interesses para os Estados Unidos. Isto não é um problema conservador nem é um problema progressista – é um problema de intrusão governamental que vem de ambos os grupos, embora por diferentes razões. Os problemas emanam de ambos os lados que defendem diferentes programas por diferentes razões. A solução virá quando ambos os grupos perceberem que não é um mero problema de partido único, ou somente um problema progressista ou conservador.

Uma vez que muitos de nós decidirmos que nós já tivemos o bastante dessa então chamada boas coisas que o governo está sempre prometendo – ou, mais provavelmente, quando o país está quebrado e que o governo é incapaz de cumprir suas promessas ao povo – nós poderemos iniciar uma discussão séria sobre o papel apropriado do governo em uma sociedade livre. Infelizmente, será depois de um tempo em que o congresso receber as informações de que as pessoas estão exigindo uma verdadeira reforma. Isso exige que aqueles responsáveis pelos problemas de hoje sejam expostos e suas filosofias de intrusão governamental penetrante seja rejeitada.

Deixe não ser dito de que ninguém importava, de que ninguém se pôs, uma vez que seja percebido que nossas liberdades e riquezas estão em perigo. Alguns tem, outros continuarão a fazer, mas muitos – tanto dentro como fora do governo – fecham seus olhos para questões de liberdade pessoal e ignoram o fato de que empréstimos infinitos para financiar demandas infinitas não podem ser sustentadas. A verdadeira prosperidade pode somente vir através de uma economia saudável e dinheiro lastreado. Que somente pode ser alcançado em uma sociedade livre.

Notas do tradutor:
[1] Exame estudantil semelhante ao Enem.
[2] Rede televisiva de caráter governamental, semelhante ao nosso TV Senado ou TV Câmara.

Ron Paul é médico e ex-político americano, já foi candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Libertário e Partido Republicano.

Traduzido por Rodrigo Viana

Leituras complementares: