Considerações sobre os termos Direita e Esquerda

Recentemente esse espaço tem sido palco de um embate à respeito dos termos Direita e Esquerda. Gostaria, então, de oferecer minha contribuição, focando nos problemas da Direita.

Introdução: História

Antes de começar a analisar o cenário contemporâneo, é necessário entender a origem da divisão, que remete à Revolução Francesa. O cenário, aqui, de pré-revolução, adota uma definição bastante simplista, que não apenas ignora muitos fatores, mas que por ser simplista facilita a campanha política e a definição de um inimigo. Atirar libelos quando se considera que todos os diferentes são um é muito mais fácil.

Com isso em mente, a divisão se deu de maneira tranquila: os revolucionários se sentariam à esquerda do rei, e os conservadores à direita. Pouco importaria que dentre os revolucionários houvesse das maiores divergências possíveis (burgueses liberais, anarquistas, socialistas), mas sua união era imprescindível para desbancar um Estado que era fortíssimo, não apenas pela autoridade que emanava de seu soberano, mas pela prosperidade de seu povo no momento histórico.

Aqui, discordo de Davi Caldas: os termos não se restringem às propostas de uma construção de um novo mundo, mas sim caracterizam a reação do antigo regime ao mundo novo. Essa reação não é desimportante para ser descartada, e é, em verdade, o momento que caracteriza maior diferença, maior separação ideológica e doutrinária, um momento realmente digno de separar a política em direita e esquerda.

Ambos liberais e socialistas da época beberam das mesmas fontes, dos libelos iluministas contra a ordem vigente. Ambos, durante a revolução, levantaram a mesma bandeira republicana, ambos bradavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, embora depois fosse descoberto que essas palavras, inicialmente vazias, se encheram de significados distintos que vieram a os separar logo após a Revolução. E enquanto os futuros antagonistas estavam unidos em torno de um ideal supostamente igual, os conservadores se amparavam nos escritos de Jean Bodin e Jacques Bossuet, no poder divino dos reis, na monarquia absolutista.

Pode-se dizer, então, que após Napoleão sedimentar a nova ordem liberal, a antiga direita desapareceria, e daria lugar a uma nova, à direita liberal influenciada por Adam Smith, John Locke, e a esquerda então seria monopolizada pelos socialistas. Nada mais errôneo. Os ideais do antigo regime ainda perduravam, e nos escritos de Joseph de Maistre e Louis de Bonald encontraram as forças para reagir e restaurar a monarquia hereditária. Os ideais revolucionários ainda não haviam se sedimentado a ponto de se considerarem dominantes: o status quo ainda era a monarquia absolutista, mesmo que algumas delas houvessem se apropriado de algumas noções do liberalismo econômico.

Frente a esse cenário, não há como negar que sim: a direita pode ser caracterizada como conservadora. E mesmo que se considere a divisão concernente apenas à criação de um novo regime, não há como negar as influências das reações conservadoras na criação desse novo regime.

1. Os Conservadores

Se houve um argumento que me satisfez quanto à divisão entre esquerda e direita, foi o argumento do otimismo/pessimismo antropológico. Esse argumento é bastante esclarecedor, mas leva a conclusões diferentes das proporcionadas por Davi Caldas.

Quando se divide a direita e a esquerda entre o pessimismo e o otimismo, respectivamente, exclui-se, de imediato, qualquer liberalismo clássico puro do campo da direita. Todo o liberalismo inglês e francês da época se pautou em um otimismo, e na menos otimista das hipóteses, na tabula rasa. O fato de a análise de Smith se utilizar do egoísmo humano para o equilíbrio da economia não parte do pressuposto de que o ser humano é egoísta por natureza, mas porque as circunstâncias do momento o levam a ser egoísta e isso, de algum modo, gera um equilíbrio. Sua análise era descritiva, não positiva. Dentre os iluministas mais aceitos pelos liberais de hoje predomina a noção de que não há natureza humana, e que a bondade ou a maldade se fazem pelas circunstâncias.

Frente a essa argumentação, pode-se dizer que então não há direita já que o debate político é pautado, geralmente, nas visões políticas de liberais ou socialistas. É verdade que a influência do tradicionalismo decaiu muito na política atual, mas o pensamento sobreviveu e continuou sendo desenvolvido. Os pensadores que se pautavam em um pessimismo continuaram a escrever, mesmo que ostracizados.

No início do século XX, na França, houve um levante conservador liderado por Charles Maurras. Pouco se parece com as ideias liberais, no entanto. Seu corporativismo rejeita totalmente o liberalismo (sendo anti-liberal), mas também nada se parece com o coletivismo marxista. Sua ideia de sociedade paira na ideia de corporação, muito semelhante à noção das corporações de ofício medievais: a sociedade, espontaneamente, cria corporações, entes coletivos, instituições, e essas são protegidas pelo Estado, que não só garante a existência das mesmas, mas o não conflito entre as mesmas e a representação das mesmas mediante o poder.

Aqui, aproveito para contrapor o colunista Rodrigo Viana: o conservadorismo antigo não é coletivista. A rejeição ao individualismo não faz com que a ideologia busque a supressão do mesmo. O pensamento conservador paira entre os dois, lembrando sempre a importância tanto da pessoa quanto de sua inserção em um meio social. Não existe no pensamento conservador um coletivo pelo qual se governa, não existe essa noção de “massa”. Existem diversos pequenos corpos coletivos autônomos que exigem representação, mas não um ente abstrato. O importante é a noção de Pessoa.

Além de Maurras, diversos outros pensadores construíram sobre as bases do antigo pensamento conservador, dentre eles o altamente rejeitado Julius Evola e o cada vez mais aceito Carl Schmitt. Todos são antiliberais, mas se encontram à direita no espectro político.

Mas nem só de autoritarismo é feita a direita conservadora, mas também de conservadores que se aproximaram de conceitos liberais. Edmund Burke é um grande exemplo.

É simplista também definir conservadores como pessoas que desejam manter o status quo. A conservação se refere muito mais a princípios civilizacionais e instituições políticas, e para isso muitas vezes podem ser exigidas reformas, até profundas. Não se deve perder de vista que por de trás de todo pensamento conservador há uma ideologia política, por mais moderada que possa ser.

Essa discussão se faz necessária não para excluir os liberais totalmente da direita, mas para mostrar que um pensamento que, mesmo pertencente à velha ordem, não pode ser excluído de uma classificação política da atualidade, principalmente quando volta a ganhar certo prestígio e a cada pouco mostra lampejos na política de hoje.

2. Os Liberais

Adotando a classificação conforme a visão da natureza humana, a impressão que surge é a de que liberais não pertencem à direita, logo devem estar à esquerda. Isso seria simplista.

O que ocorre é que os liberais de hoje não adotam um otimismo quanto à natureza humana, mesmo sendo essa a visão dos primeiros liberais. Outro aspecto é que, apesar de não serem tradicionalistas, muitos liberais de hoje seguem a linha de Edmund Burke, que é conservadora. A esmagadora maioria dos liberais de hoje não são liberais clássicos, mas sim liberais-conservadores. Não são adeptos de um exagerado humanismo, mas do liberalismo econômico investido de conservadorismo moral ou político.

A crença, agora, não é a de que o ser humano é necessariamente bom e por isso deve ser deixado livre, mas que a maldade do ser humano não qualifica um a estar em posição de poder sobre outro, impor sua visão de finalidade da humanidade sobre outros. A concorrência extrairia o bem geral da ganância humana. É por isso que os liberais hoje podem ser colocados na direita, diferentemente de outrora.

Pouco importa aqui se são reformadores.

3. O problema dos Fascistas

Os fascistas são o típico patinho feio. Ninguém os quer, por isso ninguém os aceita. Não colocarei, portanto minha visão pessoal sobre a posição dos mesmos no espectro, apenas traçarei algumas considerações.

O fascismo nasce do corporativismo medieval, revivido por Maurras, mas inverte sua lógica. Se a lógica corporativista é, através dos entes coletivos intermediários, evitar o Estado Total, em um modelo de baixo para cima (corporações surgem espontaneamente e são defendidas pelo Estado), o fascismo vê na ideia de corporação a realização do Estado Total: o Estado cria as corporações, único meio possível para exercício da vida pública. O modelo fascista é de cima para baixo.

Os fascistas também encontram bastante inspiração nos conservadores, apesar de essa admiração não costumar ser recíproca. Joseph de Maistre foi uma importante influência, apesar de ser fácil de perceber que, dentro de seu catolicismo radical (mesmo sendo autoritário), não aprovaria um culto ao deus Estado. O totalitarismo em muito difere das monarquias absolutistas de outrora, é muito mais abrangente e muito mais brutal.

Uma marca do pensamento fascista que o diferencia bastante do conservadorismo é seu apelo à massa. Ele busca uma redução do indivíduo frente ao Estado, uma verdadeira “demência espacial” frente à grandiosidade da nação e do coletivo. Não existe essa desvalorização do indivíduo em nenhuma corrente presente nem na esquerda e nem na direita.

A luta comum à da esquerda foi a luta contra o capitalismo internacional. Mesmo assim, o fascismo era uma doutrina anticomunista e, principalmente, antimarxista. Apesar do intervencionismo na economia, essa não é uma bandeira exclusiva da esquerda, sendo bastante presente nos conservadores.

4. O problema Nazista

Sim, diferente do que comumente se pensa, é necessário que se dedique um trecho somente aos nazistas. Definir o mesmo como um tipo de fascismo é extremamente simplista, já que dele muito se difere. São ideologias distintas, então focarei na diferenciação da mesma, o que para o intuito deste artigo será o suficiente.

Apesar de serem ambas totalitárias e nacionalistas, existe um aspecto primário que é essencial na distinção entre as duas: a noção de inimigo. O fascismo busca o exercício da exaltação da nação através da exaltação do Estado. O Estado é tudo, não o povo. O nazismo contém muito mais elementos que se referem ao povo e a supremacia de sua raça: possui o ódio aos judeus e estrangeiros como elemento determinante e necessário ao sucesso do pensamento.

O nazismo pouco se baseia no corporativismo medieval. Não é uma adaptação do mesmo ao mundo industrial. É a criação de uma sociedade inteiramente nova baseada na raça. Uma verdadeira anomalia política.

Outra diferença um pouco menos importante é econômica: o fascismo é intervencionista, enquanto o nazismo se tornou dirigista e planificador.

As alianças políticas nunca podem servir de base para definir a visão ideológica, apenas mostram colaborações de circunstância. Muitas vezes tentam pintar o nazismo como conservador por ter se aliado a conservadores. Mas conservadores foram os responsáveis pela Operação Valquíria. A Alemanha de Hitler se aliou aos soviéticos, e no momento seguinte esteve a atacá-la.

5. Conclusão

O objetivo não era esgotar o tema (até porque não se faz isso em um mero artigo de blog), mas oferecer algumas pontuações que julguei pertinentes e levantar alguns questionamentos a mais.

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3 comentários em “Considerações sobre os termos Direita e Esquerda”

  1. Hassan, gostei do seu texto (assim como também gostei do texto do Rodrigo). Mas gostaria de fazer alguns apontamentos. Coisa rápida.

    (1) Receio que minha definição de otimismo/pessimismo antropológico seja um pouco diferente da sua. Para mim esses termos não envolvem apenas a crença pura e sincera de que o homem é bom ou mal por natureza, mas também (e principalmente) a crença de que o homem é capaz de transformar a sociedade (e a própria espécie humana), tornando-a um paraíso ou algo muito próximo a isso. Em geral, quem acredita que o homem é naturalmente bom, crê nessa ampla capacidade de transformação; e quem acredita que o homem é naturalmente mal, crê que a sociedade pode ser melhorada, mas não transformada. Contudo, isso não é uma regra. Podemos dar alguns exemplos.

    Existem muitos religiosos tradicionais que são de Esquerda. Por serem religiosos tradicionais, eles acreditam que a natureza do homem foi corrompida lá na queda de Adão (seja este evento simbólico ou não). Entretanto, entendem que o homem, mesmo corrompido, pode aprender a ser muito bom e que o dever de todo o homem é transformar a sociedade por suas ações políticas. Em sua concepção, isso é possível e eles agem exatamente como qualquer esquerdista não-religioso. Aliás, foi daí que surgiu a teologia da libertação, que leva essa concepção muito à sério.

    Então, mesmo esses esquerdistas acreditando que o mal é natural, creem que o homem pode minimizar tanto esse mal à ponto de transformar a sociedade. O homem da esquerda religiosa é capaz de vencer sua própria natureza pecaminosa. Isso é um tanto otimista, não?

    Por outro lado, há aqueles que acreditam que o mal seja social (não natural), mas que não creem em uma ampla transformação do mundo. E por que não? Porque não creem na capacidade do homem se descorromper socialmente. Uma vez corrompida a sociedade, não há mais volta para o homem. Ele deve aprender a viver nessa sociedade corrupta, não buscando transformá-la, mas apenas tornando-a melhor. Montesquieu é um bom exemplo. Ele criticava a noção de Hobbes de natureza corrompida. No entanto, não era ideólogo como Rousseau. Ele não gastava tempo pensando em uma nova sociedade, mas formulava mecanismos para fazer ESSA sociedade se tornar melhor. Muito realista, defendia que o homem deveria ter o seu poder limitado, porque “todo homem com poder é levado a abusar dele; vai até encontrar limites”. Compare esta afirmação com as ideias de Marx e Rousseau e a conclusão será que Montesquieu é um tanto pessimista em relação ao ser humano.

    Não obstante, não é necessário concordar com a minha definição dos termos otimismo/pessimismo antropológico. Podemos utilizar os termos crença/descrença no homem, que já englobam essa fé na capacidade do ser humano de transformar a sociedade e a própria espécie.

    Aplicando isso a Adam Smith, acho difícil dizer que ele era um crente no homem. Tudo bem, ele era muito otimista quanto ao liberalismo. Achava que as coisas melhorariam muito se o liberalismo fosse aplicado em todo o mundo. Mas grande diferença existe entre o pensamento dele e o de Marx e Rousseau. Adam Smith não queria mudar a sociedade, mas melhorá-la, sem negar o egoísmo e a maldade humana. Marx e Rousseau queriam transformamar a sociedade, criando um homem não mais egoísta e não mais maldoso, características que faziam parte, segundo eles, dessa sociedade que precisava ser derrubada para dar lugar a outra. Em resumo: Adam Smith e Montesquieu eram mais realistas e pragmáticos; Rousseau e Marx eram mais crentes no homem e idealistas.

    (2) Como disse no outro texto, a palavra “conservador” não diz nada sozinha. Conservador é aquele que conserva. Quem conserva, conserva algo. Então, falar que fulano é conservador é tão esquisito quanto dizer que fulano é um fazedor (fazedor de quê?). A questão é: Existem vários tipos de conservadorismo diferentes: conservadorismo absolutista, conservadorismo burkeano, conservadorismo nacionalista e etc. Misturar todos eles é um erro.

    (3) Minha grande discordância em relação ao espectro político que a maioria das pessoas sustenta é a mistura das diferentes acepções. Existem várias acepções diferentes dos termos Direita e Esquerda. Não é um erro escolher uma delas, mas é um erro misturá-las. Você tratou, no início do texto, da primeiríssima acepção (Conservadores Absolutistas x Revolucionários anti-absolutistas). Legal. Deveria tê-la utilizada até o fim do texto. Mas aí, misturou essa acepção com aquela acepção que coloca socialistas e humanistas à esquerda e liberais e conservadores burkeanos à direita. Isso não faz sentido para mim. Ou se usa uma ou se usa outra. Eu adotei a segunda. E é em cima dela que montei meus argumentos nos textos anteriores.

    É isso.

    Abraços.

    1. Obrigado pela resposta, só tenho uma consideração a fazer com respeito ao item número 3: se atentar bem eu mantive a mesma concepção. Mas a noção de direita x esquerda não foi usada como Absolutismo x Anti-Absolutismo, mas sim a disposição de conservar princípios/instituições ou regressar x disposição de progresso/transformação. Além de que um grande objetivo, aqui, foi demonstrar que mesmo dentro da nova ordem não há sentido em excluir o pensamento conservador dos absolutistas, já que, apesar de adquirir nova forma, ele ainda persiste e desenhou toda uma linha ideológica própria.

      Abraços!

  2. Hassan vou deixar aqui o meu contra-ponto

    Na questão que toca o Conservadorismo, eu não disse que o pensamento é coletivista per se. Porém há, de fato, linhagens verdadeiramente coletivistas no conservadorismo. O exemplo que dei de Disraeli expõe isso dado a natureza coletivista deste conservador importantíssimo para a tradição conservadora anglo-saxã. Relembrando João Pereira Coutinho, um conservador (de estirpe coletivista) não enxerga o indivíduo. O estado não entende o que é o indivíduo. Ele sabe o que é a escola, a empresa, a família, a igreja mas não o indivíduo.

    Isso é muito importante de entender quando se analisa as estruturas políticas e sociais da era feudal/ absolutista e pós-absolutista na manutenção das várias classes e outros tipos de organizações sociais. O que existia era o clero, a nobreza e por aí vai. E no pós-absolutismo a mesma ideia permaneceu, porém adequando-se a a estrutura da consolidada Democracia Liberal. O corporativismo econômico, por exemplo, é uma estrutura social tipicamente conservadora adotada depois também por socialistas e fascistas, por este tipo de política adequar a suas propostas.

    Porém claro que há uma disposição liberal, e por consequência individualista, dentro do Conservadorismo. Foi esta disposição que trouxe esse pensamento próximo ao Liberalismo. De modo que essa proximidade está, quase que, apenas no campo político. Mas a cosmovisão da sociedade, o modo de enxergar esse fenômeno continua em lados totalmente opostos.
    Em outras palavras, o Pessimismo Antropológico é uma característica do, e somente do, Conservadorismo. O Liberalismo continua mantendo a sua visão otimista como sempre manteve. E esse Otimismo Antropológico do ser humano e da sociedade é a base tanto do Liberalismo quanto do Socialismo. A diferença é que cada pensamento possui o seu modo de enxergar a sociedade, criando resultados totalmente diferentes. Como disse no artigo que escrevi, essas duas correntes políticas são frutos da modernidade, coisa que não se acha no Conservadorismo.

    Aliás, essa é a premissa de onde parte todo o erro escrito por Davi Caldas. Ele entende perfeitamente que o Pessimismo Antropológico é uma característica primária da Direita e o Otimismo da Esquerda. Ele só não entendeu uma coisa: que o Liberalismo NÃO É baseado no pessimismo, mas no otimismo.

    Algo que seja importante salientar: do mesmo modo que conservadores beberam (e bebem) de fontes liberais, do outro lado também é verdadeiro. Há alguns liberais que tiveram uma pré-disposição ao Pessimismo Antropológico conservador. Porém o que se deve lembrar é que quão mais próximo está esta pessoa dessa visão, mais próximo está do Conservadorismo e, claro, longe do Liberalismo.
    A tradição liberal original, baseada em seu otimismo, existe e é a força maior no pensamento liberal. Quer dizer, conservador “liberal” não é um liberal de fato, mas um conservador que abraçou certas posições liberais. Do mesmo jeito que um liberal “tradicionalista” não é um conservador, mas um liberal que adotou posições conservadoras.

    O que eu resumiria disso tudo é: Liberalismo não faz parte da tradição da Direita política. Nunca fez. O Liberalismo é e sempre será o opositor histórico do Conservadorismo. O lado bom é que, mesmo sendo opositores, liberais e conservadores (de posições individualistas e pró-liberdade) possuem grandes pontos em comum do qual podem coexistir de modos a lutarem juntos por muitas coisas. Em âmbitos políticos, podem perfeitamente estarem do mesmo lado contra o Socialismo.

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