Tags

, , , , , ,

POR RODRIGO VIANA

Como ainda há quem ousa falar de nossos militares do passado? Esbravejar contra seus governos, suas ações e gerência em toda a sociedade? Decerto são pessoas de valores dúbios, contra a família, de gente a favor de terroristas e do socialismo.

Quem em sã consciência estaria contra grandes obras de suma importância? Diga-se de passagem, promovidas por políticas estatistas que faria inveja ao estado soviético (até o Lula elogiou tais empreitadas). Ora, o que poderia dar de errado numa centralização econômica? Vejam as hidrelétricas, seus abastecimentos de energia e como funcionam bem. É verdade que quando elas param, metade do país fica sem eletricidade, tendo até que recorrer a racionamentos. Mas e daí? Não são elas belas e úteis?

Quem disse que não havia questões políticas sendo elaboradas e debatidas no país? Só porque um golpe de estado destruiu o corpo democrático? Vamos ser sinceros, era uma democracia rudimentar que foi restaurada após uma outra ditadura. Não me parece tão necessária e importante assim.

Se há algo que existia, era liberdade. Que grande liberdade tinha os brasileiros! Podia-se andar nas ruas com suas famílias, trabalhar, comprar seus produtos e ver seu futebol sem ser incomodado. Bem, através de decretos foi criado um estado policial que tornava cidadãos em inimigos em potencial. Mas veja bem, eram leis que tinham que ser colocadas em prática. Dado que grande parte dos brasileiros eram cidadãos de bem, gente que seguia as leis, não teria do porque se preocupar.

A economia do país estava de vento a popa! O país crescia e muito e havia muitos tratados comerciais sendo executados. Como, por exemplo, os tratados comerciais feitos com países socialistas africanos. Sim, eu entendo que estes países foram tomados por esquerdistas genocidas. Genocidas estes com ideias semelhantes aos grupos de esquerda ligados ao terrorismo no Brasil, do qual os militares da época se propuseram a exterminar em solo tupiniquim. Mas gente, pensa no dinheiro que trouxe ao país!

O país saltou de posições amargas para uma das principais economias do mundo! O globo começou a prestar atenção em nós. Quem pode negar tal crescimento durante a década de 70? Claro que foi um crescimento criado artificialmente pelo estado, através de gastos gigantescos e resultando em uma dívida colossal. Como resultado, houve a década de 80 perdida por uma estagnação criada por tais políticas? Bom, há de concordar que houve. A inflação subiu para níveis catastróficos? Subiu. O estado jogou, criminosamente, a conta nos bolsos dos brasileiros através de controle de preços e inflacionando a moeda em suas impressoras oficiais? Sim, sim. Os mais prejudicados foram os pobres, tendo diminuído o nível de riqueza dos cidadãos e ajudando a criar ainda mais pobreza? Err… gente, quem não se orgulha das grandes estatais? Orgulho nacional, certo?

Tempos bons aqueles. A ordem e o progresso juntos… Lema emblemático do pensamento positivista abraçado pelo exército. Um pensamento autoritário? Ninguém nega, mas ainda sim bons tempos.
Também reconheço que, por causa desse pensamento, certos grupos militares se levantaram por uma ditadura. Mas era uma ditadura para a defesa da democracia! Assim como foi necessário um levante golpista, tendo apoio do autoritário Carlos Lacerda, contra o perigoso governo de Kubitschek (golpe este que infelizmente não deu certo), também foi necessário um golpe contra Jango. De fato, Jango não era comunista mas como se daria seu governo, não é mesmo? Liberdade demais é perigoso.

A vida política existia sim. E funcionava!
Mesmo que o governo militar tenha destruído a pluralidade política, perseguido políticos com carreira feita e abolindo partidos, o povo estava bem representado. Tinha-se partidos para representar o povo, como não? Dois partidos apenas para suportar diferenças políticas e ideológicas enormes mas ninguém pode dizer de que não havia partidos.

Antigos generais, como não se emocionar ao lembrar de seus feitos? Realmente burocratas sentados em seus gabinetes não tem como ter o conhecimento disperso na sociedade, para saber o que é realmente viável ou não. Como a faraônica Transamazônica, um verdadeiro desperdício econômico insustentável. Sabe lá Deus se meus netos verão essa rodovia funcionando de verdade. Mas mesmo assim não deixa de ser emocionante tal obra.

Ainda precisa agradecer a esses competentes senhores pelo legado anti-livre mercado que eles mesmos ajudaram a propagar na sociedade. Conceitos vazios como “entreguismo”, algo totalmente refutado pela teoria econômica, continua bem vivo na nossa mente em em todas as esferas políticas. Não é pouca coisa.

Chamar a Contra Revolução de 64 de ditadura é de um exagero sem tamanho. Soa melhor chamá-la de “ditabranda”. Vejam o Chile. Pinochet matou muito mais pessoas que os governos militares brasileiros. E o nacional-socialista Hitler que dizimou a população judaica? Stalin, gente. Stalin e seus estadistas comunistas bateram recordes de assassinatos na história humana!
E tem gente que compara os cemitérios clandestinos criados pelos governos dos militares com o holocausto e as gulags. O que é isso?! Os nacional-socialistas e os comunistas exterminaram infinitamente mais pessoas. Moralmente, essas ações do governo militar está no mesmo nível dos governos desses loucos. Mas matou menos, vai?

Além disso é preciso salientar o ótimo trabalho referente a educação. Época fascinante onde as escolas ensinavam coisas boas de verdade. Com métodos de engenharia social, estes homens do poder impunham nobres valores como o famoso lema autoritário “ame-o ou deixe-o”. Doutrinações do bem através da importante matéria escolar Educação Moral e Cívica. Verdadeiro orgulho nacional.

Saía-se nas ruas sem problemas, não tinha esse pavor de assaltos e mortes como há em nossos dias. Sentíamos seguros! Embora a criminalidade crescesse de modo imperceptível, como o caso pouco comentado do início das operações do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Essa facção criminosa nasceu debaixo dos “narizes” militares no poder? Nasceu. A criminalidade teve um aumento considerável durante o empobrecimento social nos anos 80, referente às políticas econômicas estatistas/ intervencionistas adotadas nos anos 70? Sim, teve. Mas daí já não era problema desses militares, e sim, dos governos democráticos que sucederam no poder e não souberam atuar na Segurança Pública. É importante salientar isso.

Homens inteligentes e cultos. Atuaram de modo enfático contra o comunismo. Mesmo sem ter noção de que a esquerda adotara outros métodos de propagação para suas ideias, com a qual estamos absorvidos hoje. Mas fora tudo isso, foram totalmente competentes.

A iniciativa privada nunca florescera tanto. Multinacionais viam no país grandes chances de um mercado promissor. Claro que as empresas teriam que se virar através de um crescimento burocrático absurdo. As empresas nacionais sofriam para conseguirem seus lugares ao sol de tanto carimbo em documentos. Porém a liberdade de empreender existia, não existia? Gente, compara com Cuba, Coreia do Norte e ex-Alemanha Oriental pra ter uma ideia.

O que dizer do protecionismo nacionalista em amparo às nossas indústrias? Políticas sensatas para a defesa de nossa economia! Sim, foi se mostrando desastroso pouco a pouco como a Lei da Informática, que era uma resposta para a defesa de nossa soberania. Claro que quando se começou a abrir timidamente o mercado, gigantes da tecnologia quase acabou com certos mercados já existente. Empresas tradicionais que serviam o consumo interno, boa parte com produtos de qualidade “pré-histórica”, foram perdendo terreno (ou falindo) por causa de empresas estrangeiras. Empresas que ofereciam serviços e produtos de qualidade, com aceitação superior no mercado. Com essa invasão, o nosso orgulho por empresas nacionais já não era a mesma coisa. O que esses estrangeiros tem de melhor? Quem liga pra produtos com preços mais baratos e de qualidade superior feitos lá fora?

A cultura era muito valorizada e, claro, sua liberdade de criação também. Ou vai me dizer que as liberdade civis foram tiradas da população através de censura? Que pessoa de respeito foi censurada? Não conheço.
Realmente houve pequenos deslizes no governo mas nada que fosse de grande importância. Pouca coisa mesmo. Claro que centrais de jornalismo eram constantemente vigiadas. Com certeza houve pessoas da imprensa sendo levadas para as delegacias. Mas e daí? Cantores e bandas tiveram faixas de músicas riscadas literalmente em seus álbuns. Ou quando não, músicas proibidas de serem gravadas. Como também escritores proibidos de lançarem seu livros. Até houve teatros sendo invadidos por policiais, proibindo peças de serem encenadas. E manifestações públicas sendo finalizadas por uma ou outra repressão. Mas cá entre nós, eram ações necessárias.

Vamos confessar uma coisa, o poder estava sendo exercido de modo comedido. Há muita gritaria em torno disso. Claro que o estado, sob o comando dos militares, estava com poder centralizado, quase que sem limites. Mas foi para uma boa causa. Não conheço nenhum pai de família que fora torturado ou assassinado. Se bem que, por utilizar de justiçamentos e de condenações arbitrárias e clandestinas, não dava pra saber de fato quem era ou não inocente. Afinal, muitas dessas pessoas tiveram seus direitos espoliados e não foram levadas a um tribunal para serem julgadas justamente. Sistema este utilizado em qualquer nação civilizada.
Sejamos realistas. Se os terroristas, os bandidos, os assassinos e todo esse tipo de gente imoral utilizava de métodos semelhantes, porque os militares, estando no poder, não poderiam utilizar? A lei deve ser una para todos, mas há exceções, poxa.

Que a ditadura dos militares seja sempre lembrada. Bravos militares!

Veja também: