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O maior desafio de um individualista ao tentar esclarecer as pessoas sobre os benefícios de uma sociedade mais livre é tentar, primeiramente, livrá-las dos cacoetes mentais coletivistas que povoam suas cabeças. Não é tarefa fácil: as pessoas são treinadas, educadas e adestradas para pensar e comunicar-se sempre em “coletivês” de modo que parece as vezes até impossível pensar de modo diferente.

Desta mentalidade coletivista brotam jargões do tipo “Brasil para os brasileiros”, “dívida histórica/social”, “luta de classes” e outros absurdos. Eu arriscaria dizer que a mentalidade coletivista é a mãe de todos os preconceitos, do racismo ao sexismo passando pela xenofobia e pelo preconceito de classe. O artigo de hoje propõe uma divisão “taxonômica” da mentalidade coletivista.

Supremacismo
É a mentalidade coletivista que hierarquiza os coletivos humanos (gêneros, etnias, classes, nacionalidades, grupos religiosos) e declara abertamente a supremacia de um sobre os demais. Este que fica no topo tem o direito de dominação sobre os demais. Os exemplos mais claros são o racismo e suas variantes (supremacismo branco, supremacismo negro, etc.), mas também se aplica ao ultranacionalismo, ao sexismo (machismo, femismo) e ao sectarismo religioso.

A contraparte do supremacismo é o submissivismo que reconhece a si e ao coletivo com que se identifica como uma parte da hierarquia que está abaixo daquela dominante. Um submissivista, por exemplo, seria como um racialista negro que acredita que os negros são cidadãos de segunda classe e que deveriam se espelhar e imitar os brancos para melhorar sua condição.

Igualitarismo
É a mentalidade coletivista que reconhece os diferentes coletivos humanos mas propõe que a relação de valor entre eles é a de igualdade, ainda que as características naturais ou sociais deles não sejam. Do igualitarismo também vem a noção de igualdade formal, embora prejudicada pela sua impossibilidade de conceber os seus membros como indivíduos transcendentes que ora estão em um grupo, ora em outro, ou mesmo em mais de um grupo ao mesmo tempo. A relação de igualdade entre os grupos, sem o reconhecimento do indivíduo como ente primário e necessário, força a incorporação arbitrária deste a um grupo.

Vitimismo
É a mentalidade coletivista que identifica nos coletivos humanos uma relação conflitiva entre explorados e exploradores, da qual não raro brota o revanchismo histórico (“dívida social”, “dívida histórica”) ou o irredentismo. O vitimista que se crê parte do coletivo “explorado” demanda políticas compensatórias das quais é beneficiário. Exemplos claros são o protecionismo (vitimismo econômico), a xenofobia (vitimismo nacionalista), o racismo (vitimismo étnico), o feminismo (vitimismo sexista), etc.