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Por Rodrigo Viana

Costumo publicar artigos, normalmente, uma vez por semana. Mas por tal momento, acredito que seja necessário um em especial. Ontem, Quinta-feira, houve uma palestra da blogueira Yoani Sánchez na cidade de São Paulo. A palestra foi ministrada no auditório da Livraria Cultura.
Creio que não precisa dizer que houve princípio de tumulto dentro das partições, desrespeito à liberdade de expressão da cubana e tudo mais. Também não preciso dizer que tudo fora causado pela esquerda. Assim será toda a “turnê” da blogueira pelo país, em qualquer canto que vá. Porém o assunto a ser tratado não é esse, é outro.

O partido Liber organizou um ato público para se manifestar a favor da liberdade da cubana expor suas idéias e vivências de seu país de origem no Brasil. Longe de apoiar toda a bagagem política de Yoani, o ato simplesmente foi um contrapeso contra a maré vermelha que domina nosso país.
Dentre as trinta (o número segundo a imprensa) pessoas que estavam no local protestando contra os socialista, eu também me fiz presente.

A manifestação não contava apenas com libertários, claro. Todo tipo de “reaça” estava presente, porém o chamariz para a causa foi por conta dos libertários do partido Liber. Vale mencionar que, a respeito do modus operandi, a esquerda é realmente profissional no que faz. Desde os gritos de guerra, organização, pressão de intimidação e até no número maior de representantes. O grupo pró-liberdade, às vezes atônito, ora se dispersava, ora se encolhia. Poxa, a esquerda está fazendo esse trabalho há mais de 40 anos! Eles possuem “escolas” para educar a sua militância em como intimidar e até agredir o adversário. Isso quando não pagam seus militantes para “trabalhar” em tais manifestações. E o movimento libertário? Bom, acredito que beira uns 5 anos de existência no país.

Motivo de desapontamento? Nem um pouco! No meio da bagunça toda (sim, era uma loucura de gritarias entre os dois lados) a ordem espontânea falava mais alto. Mesmo com a inexperiência conseguimos o que queríamos: dizer que “sim, há a Oposição” (ênfase no “O” maiúsculo).
Foi lindo de ver a energia de todos em se juntar no coro contra a turma pró-ditadura. Expressões fortes, aguerridas, entoadas e o melhor de tudo: sendo ouvidas ao vivo pela horda vermelha.
O que pude ver ali era uma revolta, um sentimento amargo de “contrário a tudo que está aí”. E o inimaginável é que a manifestação foi criada por um partido que sequer existe oficialmente, que ainda busca seu lugar ao sol. Uma manifestação verdadeira, de pessoas sem representação política, sem porta-vozes no poder. E o que é gratificante é saber que faço parte deste movimento de vanguarda, de história, feita por diferentes cabeças em diferentes lugares desse país.

Certas cenas ficarão bem gravadas na minha memória. Lembrar que havia pessoas curiosas no local observando a tudo e a todos mas perto de nós. Meio que, inconscientemente, respondendo “amigos aqui, inimigos ali” Outros nos dando apoios de incentivos. Como uma senhora idosa que estava de passagem ao dizer para um dos nossos: “é isso aí, continuem”! Ou quando conversando com um senhor sobre o cenário caótico atual do país, sobre a sua terrível experiência de viver (na época) num país de ditadura e sem liberdades civis. Onde que, visceralmente, se juntou a nós e esbravejou coros contra os pró-ditadura.
Mas acho que a cena mais marcante foi ver uma senhora idosa, de muletas e com dificuldades para andar, levantar um dos cartazes nossos e andar entre a “divisória imaginária” dos dois grupos. Um gesto que chamou a tenção dos dois grupos presentes. O que aprendi de tudo isso? Que somente os socialistas anseiam o socialismo.

Pensa que parou por aí? Não. Foi ótimo presenciar a acusação dos socialistas em nos tachar de “imperialistas” e darmos respostas como “Cuba sim, Fidel não” e “livre comércio é a solução“. Um caso curioso foi uma pessoa (desculpe, realmente não lembro o seu nome) me contado sobre uma entrevista dada a um portal socialista bem conhecido, até. Perguntaram o que ele achava do embargo em Cuba. Sua resposta foi sucinta, não só contrário ao embargo mas à ditadura opressiva também. Preciso dizer que a repórter ficou embasbacada com tal resposta, sem saber o rumo de casa?
Em um dado momento pude ver a cara de espanto de uma garota pondo as mãos na boca, assustada, por ler um cartaz. A mensagem de tal cartaz? A verdade mais que batida, “socialismo = fascismo“.

Confesso que presenciar tudo isso foi como um combustível para mim. Um combustível em manter o trabalho de divulgar a idéia da liberdade mais e mais. É verdade que este não é o único foco de resistência que vem acontecendo no país, porém a diferença é que ele foi formado, na maioria, por pessoas engajadas que possuem conhecimento político. Até porque muitos ali são ativistas, estudantes e estudiosos.

Por tudo isso, não poderia deixar de agradecer ao trabalho “de formiga” prestado anos atrás por professores, institutos, editoras e ativistas de todo tipo. Pessoas que apenas os conheço de nomes (e de seus escritos).
Independente das correntes políticas e das diferentes visões, são esses feitos que enriqueceram esse cenário que agora começa dar os primeiros passos rumo a um reconhecimento na sociedade. Estas pessoas e grupos são os fomentadores de tudo isso, essa que é a verdade. Só precisamos trabalhar ainda mais para que os holofotes da sociedade nos ilumine. A semente já foi plantada e já germinou, gente!

Claro que o texto é carregado de emoção. E não poderia deixar de ser. E é claro que a mídia não consegue entender esse movimento pró-liberdade, que surgiu dos subterrâneos da sociedade. O que precisa ser comentado é que ele agora é fato, existe no mundo real e se fez presente. Status quo, tremei porque, parafraseado Ron Paul, amigos, a liberdade é popular!

P.S.: Parabéns ao partido Liber. Que venha muitas outras manifestações desse tipo.

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