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O Paradoxo de Epicuro, também conhecido como O Problema do Mal, é um dilema lógico sobre o problema do mal atribuído ao filósofo grego Epicuro que argumenta contra a existência de um deus que seja ao mesmo tempo onisciente, onipotente e benevolente.

Prova irrefutável da existência do Mal.

A lógica do paradoxo proposto por Epicuro toma três características do deus judaico: onipotência, onisciência e onibenevolência como, caso verdadeiras aos pares, excludentes de uma terceira. Isto é, se duas delas forem verdade, excluem automaticamente a outra. Trata-se, portanto, de um trilema. Caso seja ilógico que uma destas características seja verdadeira, então não pode ser o caso que um deus com as três exista. O problema é apresentado da seguinte forma:

  • Enquanto onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.
  • Enquanto onipotente e onibenevolente, tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então não é onisciente.
  • Enquanto onisciente e onibenevolente, sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então não é onipotente.

Mas o Mal existe? Existe por si mesmo? A refutação mais conhecida para este problema é a seguinte: O Mal não existe por si, mas é o indicador da ausência do Bem, como o frio é o indicador de ausência de calor e a escuridão é o indicador da ausência de luz. Assim, ao buscarmos sempre o calor, a luz e o bem, somos capazes de identificar a ausência dos mesmos como frio, escuridão e mal, respectivamente.

Porém, um leitor atento da Bíblia perceberá na história da Queda de Lúcifer uma perspectiva diferente. Lúcifer, o Diabo, não tenta acabar com o Bem (no caso, Deus e seu poder), tampouco tenta criar o seu inverso. Dizia o próprio Diabo: “Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:13-14). Lúcifer cai porque tenta rivalizar com a Bondade de Deus sem ter o poder para tal. Ele tenta imitar o Bem, recriar o Bem.  Aí reside a origem do Mal. O Mal é a inveja e a cópia mal-sucedida do Bem, é a imitação, o arremedo do Bem e um escárnio dele, até certo ponto.

A limitação do Diabo é que ele não tem o poder de criar, exclusivo de Deus, mas somente o de remodelar o que já foi criado. De certo modo, é uma boa analogia com a Parábola da Janela Quebrada de Frédéric Bastiat, uma vez que boa parte dos problemas políticos são gerados pela tentativa de “criar abundância” a partir da mera realocação de recursos que já existem.

Esta interpretação nos aproxima muito mais da realidade política. É muita mais realista ver um adversário político não como alguém feito de pura maldade e vilania, nem como alguém em quem o bem está ausente e lhe é desconhecido, mas como alguém que, ao tentar praticar o bem de modo inapropriado tem o poder de causar grandes males à Sociedade. Não há dúvidas de que os nacional-socialistas, quando planejavam expulsar os estrangeiros (principalmente os judeus) do Reich, estavam tentando fazer o que acreditavam ser o melhor para os alemães. Mao e Mengistu, quando mataram milhões de fome na China e na Etiópia, tentavam implantar um modelo ideal de produção que prometia fartura e abundância.

O único problema real da política, portanto, não é identificar quem são “os caras maus”, mas evitar os benévolos planos dos déspotas esclarecidos, impedir que alguém tome para si todo o poder e diga “eu farei isso, eu vou levar este povo para a frente”. A nossa maior preocupação política deve ser com os benevolentes.


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