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Tradução, resumo e adaptação da reportagem original, em inglês, publicada no site da Reuters. Para ler a reportagem original, clique aqui.

Ativistas dos direitos humanos e blogueiros usaram o programa de recreação, educação e marketing do Google e o aplicaram para mapear um vasto sistema de campos de trabalho forçado na Coréia do Norte, um país pouco menor que a Grécia e habitado por cerca de 23 milhões de pessoas.

Estima-se que até 250.000 presos políticos e suas famílias trabalham e passam fome nos mais remotos campos de trabalho, de acordo com estimativas de grupos internacionais de direitos humanos.

Gulags escondidos, agora não tão escondidos

O blog de Stanton freekorea.us traz imagens via satélite do Google Earth e análises de seis campos penais para prisioneiros políticos – três dos quais ele recebe o crédito por confirmar ou identificar.

O blogueiro identifica imagens de portões e guaritas, e em alguns casos minas de carvão – confirmadas através do trabalho de experts e entrevistas com desertores da Coréia do Norte que viviam ou trabalhavam nos campos.

“Os maiores dos campos, se você não sabe para o que está olhando, parecem cidades ou vilas, e eu suspeito que tenham sido projetados deste modo para se encaixar no interior do país,” disse Statnton.

Stanton, que se interessou pela Coréia do Norte quando trabalhava servindo o Exército dos Estados Unidos na Coréia do Sul quando rompia a grande fome dos final dos 90 na Coréia do Norte, se envolveu no trabalho pioneiro do Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte, uma organização não-governamental que revelou, em um livro de 2003, “O Gulag Escondido” (título original: The Hidden Gulag).

Quando a segunda edição de “The Hidden Gulag” surgiu em 2012, o Google Earth recebeu um proeminente reconhecimento.

“A melhor resolução das imagens via satélite, agora disponíveis pelo Google Earth, permite que ex-prisioneiros identifiquem suas antigas barracas e alojamentos, os locais de execução e outros pontos de referência nos campos,” disse o estudo.

“The Hidden Gulag” também creditou Stanton e um segundo blogueiro, Curtis Melvin, cujo www.nkeconwatch.com esteve na vanguarda do uso do Google Earth para catalogar não só prisões mas também locais comuns como escolas, fábricas e estações de trem.

“Ele abre áreas da Coréia do Norte que nenhum estrangeiro tem permissão para ver,” disse Melvin, que baixa o programa gratuito e disponível para o público.

As imagens tornam o negacionismo implausível

Melvin, um economista com uma dissertação inacabada de doutorado sobre o sistema monetário da Coréia do Norte, verifica os pontos de referência que encontra no Google Earth estudando mapas e documentos e entrevistando norte-coreanos na Virginia (EUA).

“Eu também tenho assistido a televisão norte-coreana literalmente todo santo dia há três anos, então tenho uma lista de nomes (de lugares) sobre os quais posso fazer perguntas específicas,” disse sobre as entrevistas que faz a desertores norte-coreanos.

Algumas das imagens do Google Earth vem da DigitalGlobe, uma firma do Colorado. O Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte recebe imagens e análises em um projeto da DigitalGlobe Inc, que tem um histórico de suporte a causas humanitárias, disse Greg Scarlatoiu, diretor executivo do Comitê.

“As imagens via satélite disponíveis pelo Google Earth certamente permitiram a especialistas em direitos humanos confirmar decisivamente que estas instalações existem, apesar do regime norte-coreano negar sua existência,” disse Scarlatoiu.