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É comum que, na internet, pessoas de comum interesse se congreguem. Nos grupos onde o interesse comum é a direita política, tem-se de passar pelo suplício de ler, todo santo dia, alguma charge, alguma piada (agora em formato de meme), algum texto de blog, denunciando a corrupção do PT (Partido dos Trabalhadores). Digo suplício porque todos nós já sabemos do que se passa com o PT, lendo no jornal ou assistindo na televisão. Não é necessário ocupar também todo o tempo que ficamos na internet reclamando das mesmas coisas. Já explico.

Entre os esquerdistas, simplesmente ser anticapitalista não é o suficiente para determinar quem você é. Um anticapitalista pode ser um anarquista, um comunista, um fascista ou um nazista. Diz pouco sobre si afirmar-se anticapitalista. Do mesmo modo, para a direita, simplesmente ser antissocialista não é o suficiente para determinar quem você é. A coisa fica ainda mais estreita quando você afunila esta relação a um partido político.

Um antipetista pode ser do PSOL, pode ser do PCdoB, pode ser do PSB, pode ser do PSDB, do PTB, do PDT, etc… todos partidos notoriamente esquerdistas. Ele também pode ser de direita, é claro, mas para isso necessita de outros itens que compõem a sua identidade. Estes elementos que compõem a sua identidade são o que realmente importa: importa quem somos, não quem não somos. O que queremos, não só o que não-queremos. O que não somos é ilimitado, quem somos é específico. O que não queremos pode ser uma lista infindável, o que queremos pode ser obtido. Quem somos nós? Quais nossas idéias? Quem são nossos representantes? Nossos movimentos, nossos grupos, nossos símbolos, nossas publicações?

A militância contra um partido específico, por mais corrupto e nojento que este seja, é uma perda de tempo. Primeiro porque desperdiça tempo e recurso que deveria estar sendo empregado na construção da sua própria identidade, da identidade dos movimentos e dos novos partidos que virão: o tempo, meus amigos, é um recurso escasso, e é por isso que morrer é caro e o juro existe. Nosso tempo deve ser empregado na tarefa de “tornar-se invencível”, deve ser dedicado ao “conhece-te a ti mesmo”. Na composição, enfim, de um corpo de idéias e atitudes vigorosas no âmbito político, não necessariamente partidário.

Em último lugar, é necessário antecipar-se a uma questão. A corrupção não é partidária, é sistêmica. Nenhum dos partidos, atuais ou futuros, tem em si o gene da mudança, da probidade administrativa, da boa gestão: o Estado brasileiro é um Leviatã ingovernável. Cumpre reduzir o seu poder, os seus recursos, e só assim terminaremos com o pote de mel que alimenta a corrupção.