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Um dos fenômenos mais comuns deste século é a invasão de questões privadas e particulares no âmbito político e público. Cada vez mais, assuntos de foro íntimo como religião, dieta e sexo entram para a política como se fosse a coisa mais normal do mundo ditar o que os outros devem venerar, comer ou como devem transar.

A surpresa da politização do ateísmo, do pentecostalismo, do vegetarianismo e do ciclismo só é superada (em idade e bizarrice) pela já velha politização do sexo gerada pelos movimentos feministas.

O feminismo, quando surgiu, era um movimento legítimo que buscava a igualdade de direitos políticos entre homens e mulheres. Entre seus objetivos estava a obtenção do direito feminino ao voto, o direito ao divórcio, e o direito de ir e vir sem precisar de uma autorização de responsável homem. Isto, claro, no século XIX. O feminismo de hoje não tem pé nem cabeça e transformou em bandeira de luta as coisas mais banais, íntimas ou subjetivas como o comportamento sexual das mulheres e os padrões de beleza da sociedade. Isto depois de ter incorporado às suas idéias o conceito marxista de guerra de classes, onde há sempre um opressor e um oprimido. Neste esquema pronto de deturpação da realidade, claro, a mulher é oprimida pelo homem e consequentemente tem direito a uma ‘digna rabia’ que inclui a violação de propriedade, a injúria, o atentado ao pudor e até a agressão física.

Por mais que ainda persistam algumas bandeiras legítimas, como a luta pelo fim da violência doméstica, o abuso sexual (prostituição e turismo sexual inclusos) e outras bandeiras políticas e econômicas, o modus operandi foi de tal modo deturpado que não só não é adequado aos fins almejados como leva o próprio movimento a perder sua legitimidade e seriedade diante do público como um todo. É uma espécie de ação direta, só que com os seios à mostra. Farei uma lista dos disparates:

1. “O Machismo Mata”
O que é:
Basicamente, está na moda entre feministas associar toda e qualquer prática criminosa que vitime mulheres ao “machismo”. Assim, são “vítimas do machismo” todas as mulheres vítimas de estupro, assalto, homicídio, etc.

Por que é um absurdo: As mulheres, sendo mais da metade (51,5%) da população brasileira, obviamente estão vulneráveis aos crimes dentro da sociedade como um todo. No entanto, a maioria das vítimas de homicídio são os homens, sobretudo os jovens. Isso indica uma sociedade “androfóbica”? É claro que não. O caráter preconceituoso ou discriminatório de um crime não é determinado somente pelo tipo da vítima (mulher, negro, homossexual), mas pela motivação do criminoso. Ou seja, não basta a vítima ser negra para enquadrar o crime como racista, não basta a vítima ser mulher para enquadrar o crime como machista.

2. “O Gênero é um Construto Social!”
O que é: A proposição de que os gêneros e seus respectivos papéis sociais são construções sociais e não tem vínculo necessário com a biologia de cada sexo. Mais do que isso, tomar esta análise da realidade como política pública e eliminar qualquer distinção de gênero. Exemplos incluem o abandono do uso de flexão de gênero na língua (ele/ela, bonito/bonita), banheiros unissex e promoção da cultura transgênero (LGBT).

Por que é um absurdo: Ainda que o gênero e seu papel social não sejam completamente determinado pela biologia do sexo – havendo sociedades com até cinco gêneros distintos – na nossa sociedade assim como na maioria das sociedades existem dois gêneros (masculino e feminino) associados aos dois sexos que existem. Na nossa sociedade, mesmo os homossexuais tendem a mimetizar o comportamento e o papel social de um dos gêneros (ex.: o gay efeminado e a lésbica masculinizada), sendo raríssimos os casos reais de “transgêneros”. O absurdo de retirar as flexões de gênero de uma língua e acabar com a privacidade das mulheres em banheiros femininos para satisfazer uma ideologia de gênero dispensa maiores comentários.

3. “Cultura do Estupro”
O que é: A crença de que vivemos em uma sociedade que favorece ou incentiva o estupro. A “prova” seria o fato de o homem encarar a resistência da mulher como uma forma de tentação, de prova da sua masculinidade, o típico “se fazer de difícil”. Outra “prova” seria o julgamento moral que a sociedade faz das mulheres que se vestem com roupas curtas e provocantes. Outra coisa comum é dirigir mensagens “anti-estupro” a toda a população masculina e dar a entender que todo homem é um estuprador em potencial.

Por que é um absurdo: Vivemos na Cultura do Sexo e da promiscuidade. O sexo hoje é banalizado, vulgarizado e gritado aos quatro cantos pelas rádios e está ao alcance de pré-adolescentes e crianças através de um clique. Portanto, homens e mulheres estão sujeitos à mesma “coisificação” do relacionamento e sua redução ao carnal. Porém, o estupro é considerado um dos crimes mais monstruosos pela sociedade, tanto por homens como por mulheres. Se houvesse uma pesquisa com o público sobre a pena a ser aplicada a estupradores, sem dúvidas a pena de morte teria um alto índice de aprovação, provavelmente liderando o ranking.

4. “Ditadura da Beleza”
O que é: A crença de que a mulher é vítima da imposição de padrões estéticos pela mídia, pela publicidade e pela sociedade como um todo. O modo de atacá-lo é quase sempre a auto-destruição estética, um ataque contra padrões estéticos que usa como ferramenta o próprio corpo, o melhor exemplo sendo a exposição de corpos com inscrições do tipo “você é linda mesmo que a TV não diga”.

Por que é um absurdo: Padrões estéticos existem, são vários e não se aplicam só a mulheres. Peguemos o exemplo do homem: o homem ideal tem a barriga tanquinho, é alto, tem o rosto largo, etc… e nem por isso os carecas, barrigudos e baixinhos saem por aí quebrando lojas da Giorgio Armani.

Quando a “causa” escolhida é defender as gordinhas, por exemplo, escolhe-se sempre uma modelo ‘plus size’ que se encaixa perfeitamente no padrão de beleza das gordinhas. E azar da gordinha que não se encaixar no padrão “gordinha com rosto de boneca”. Consiste portanto em um ataque superficial à beleza. Se o objetivo é opor-se a padrões de beleza, o correto é convencer que há características muito mais importantes que a beleza, e não massagear o próprio ego dizendo que “você é bonito do seu jeito”.

5. “Sociedade Patriarcal”
O que é: A crença de que toda a violência e opressão contra a mulher – nas versões mais extremas, contra toda a sociedade incluindo os homossexuais, os negros, os índios e os animais domésticos – é fruto da patriarquia, ou seja, o governo da sociedade pelos ‘pais’. Em outras palavras, pelos homens.

Por que é um absurdo: Atribuir os males da sociedade atual aos “homens no poder” é dar a entender que, por qualquer motivo que seja, as mulheres estão mais aptas para governar a sociedade, o que é uma forma de sexismo e parte de um pressuposto injustificado: a crença de que a mulher seja moralmente superior ao homem. Não existe evidência de que sociedades matriarcais ou matrilineares estejam menos sujeitas a relações de poder opressivas ou violência, sobretudo porque são pouquíssimas as civilizações que são matriarcais (exemplos incluem a civilização minóica, os hopi, os iroqueses e os mosuo). Mulheres no poder também não são um indicativo de paz e relações igualitárias como inúmeros exemplos históricos, de Cleópatra a Imperatriz Cixi, demonstram.

Concluindo. O feminismo se desvinculou de suas raízes e demandas legítimas para se tornar um movimento revolucionário sem pé nem cabeça que quer reconstruir toda a sociedade fundamentada em uma utópica ideologia de gênero. Neste momento, o individualismo oferece para as mulheres melhores perspectivas na luta por direitos iguais e liberdades civis.