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Por Alberto Medina Mendez. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos SantosPublicado originalmente no site Existe Otro Camino. Para ler o artigo original em espanhol, clique aqui.

O pseudo-progressismo se tornou o maior gerador de pobreza deste tempo. O faz diariamente, e apesar das irrefutáveis evidências que confirmas está visão, os progressistas estão convencidos de estar fazendo o caminho inverso. Definitivamente montaram um culto à indigência. Depois de tudo, nutrem-se dela.

As nações que lograram vencer o subdesenvolvimento, que progrediram a sério, não o fizeram construindo uma indústria de dádivas, nem gerindo um furacão de privilégios, muito menos concebendo condições ideais para esta sociedade injusta na qual os que se esforçam obtém o mesmo que os que não o fazem.

Esta casta de dirigentes ruins que povoam as bancas legislativas e os escritórios públicos, a imensa maioria deles, incapazes de exibir um êxito profissional em suas vidas, dispõem do dinheiro de todos, fundamentalmente do dos mais pobres, para seguir empobrecendo-os, em uma lógica que, a estas alturas, já deveria ter caído por seu próprio peso.

Aos que menos tem, castigam com uma carga tributária inexplicável. Fazem pagar os mais pobres, os que com muito esforço podem se sustentar, impostos que tem como destino o desperdício de sempre, este que permite exercer distorcidas práticas políticas, favorecer amigos do manda-chuva da vez, ou alimentar a epidemia da corrupção.

Eles, a classe política de diferentes espaços, que governa estes países há tempo demais, construiu um emaranhado de regras de jogo para manter-se ali, empobrecendo os que produzem, mas também aos que dizem beneficiar.

São os setores mais empobrecidos os que pagam com maior força este sistema que supõem que os defende. Impostos, inflação, desperdício e corrupção. É difícil identificar nesta lista em que lugar está a tão mencionada defesa dos que menos possibilidades tem con a qual enchem a boca os dirigentes deste tempo.

Projetaram um sistema para enriquecer como funcionários, que se sustenta sobre a base de subjugar os mais pobres. Não geraram as condições para que deixem de sê-lo, muito pelo contrário, criaram um sistema para que os sigam sendo pobres e permaneçam escravizados, nas mãos do clientelismo e do assistencialismo que se ocuparam de edificar durante décadas.

Um país rico e próspero, como o que sustenta o relato, não saqueia os pobres com impostos e inflação para logo subsidiá-los, não os humilha, nem os impulsiona a converterem-se em mendigos da política.

O país no qual querem nos fazer acreditar que vivemos, não existe. Somos parte de uma sociedade onde um pobre é induzido a votar em um candidato partidário em troca de um plano social estatal ou de uma mera promessa.

Os que se ufanam de fazer política a sério, organizam, qual associação ilícita, um afinado método para entregar uma bolsa de alimentos no dia das eleições para obter um maior caudal eleitoral. Tentam arrebanhar os cidadãos como gado, em veículos. Todo esse show com dinheiro público muitas vezes, confirmando esta cruel sociedade entre a política e a corrupção.

Temos de ser menos piedosos com essa classe política. Se trata de uma perversa casta, uma verdadeira cicatriz social, apoiada por muitos cidadãos, a maioria deles cúmplices involuntários desta paródia.

Esta caterva de dirigentes políticos não tem autoridade moral para falar de progresso. Se encarregam todo dia de de tratar à gente como “uma coisa”, de condená-los a manter-se em uma vida desprezível, de fazer-lhes promessas que intencionalmente não cumprirão, e fundamentalmente de convencer-lhes de que são uns inúteis, que não serve para nada e que só podem tentar seguir em frente recebendo favores, vivendo de empréstimos e só na medida em que continuem votando em seus humilhadores para que os sigam destratando.

Quando estes corruptos finalmente se forem e estiverem finalmente desmascarados, quando os que ainda os sustentam conseguirem se dar conta da imoralidade que geraram, esta sociedade deverá ainda lutar para vencer as temíveis sequelas e este legado lamentável que deixarão como herança.

Os depredadores da política e da sociedade convenceram os mais pobres de que são ineptos, imprestáveis, e levará muito tempo para recuperar a auto-estima, a fé em si mesmos, a fortaleza para dar a maior das batalhas e sair da pobreza sem favores dos outros.

Em todo este tempo, lhes roubaram a maior riqueza de que um ser humano pode dispor, sua dignidade.  E é difícil recuperar esta virtude quando foi pisoteada, arrastada e ultrajada durante gerações.

Não se necessitam governos que se aproveitem da pobreza do povo, em todo caso se necessita uma classe dirigente que deixe de lado seu apelo messiânico e interminável vaidade, sua soberba inesgotável de crer que é o centro da criação, a dona das verdades e proprietário do monopólio das soluções.

Às pessoas de bem resta uma dura tarefa pela frente, ajudar a reconstruir o otimismo, o pouco que resta, e devolver a fé aos que a perdem todo dia, a alimentar a confiança em si mesmos e a imprescindível atitude, que é a mãe da riqueza.

O combate será difícil, porque enquanto muitos cidadãos estão dispostos a ser protagonistas da mudança, outros decidiram dedicar-se ao ócio cívico, fomentando o conformismo crônico e sendo cúmplices de tanto desatino.

É tempo de focar-se em não baixar a guarda. Os que realmente creem que a história pode mudar tem um duro desafio pela frente. Enquanto isso, do outro lado, boa parte desta classe política contemporânea, alimentada pelo populismo vigente, se dedicará a aperfeiçoar a arte de ser fabricantes de pobreza.