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Por Robert McMillan. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos SantosArtigo publicado originalmente na Wired. Para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Está se tornando algo típico de regimes decadentes: silencie seus críticos e acabe com sua comunicação cortando a internet. A Líbia fez. O Egito também. E na última semana, a Síria puxou o plugue do seu próprio sistema de internet.

De acordo com uma nova pesquisa da empresa de monitoramento de redes Renesys, isto poderia acontecer facilmente em muitos outros países também, incluindo Groenlândia, Iêmen e Etiópia. Sessenta e um dos países do mundo tem somente um ou dois provedores de serviço conectando-os ao resto da internet.

“Se é um lugar suficientemente pequeno é quase inescapável que haverá uma internet tão pequena que será quase trivial desligá-la”, diz James Cowie, chief technology officer da Renesys.

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No outro extremo, mais de 30 países — incluindo EUA, Canadá e a Holanda — tem mais de 40 provedores de rede cada um em suas fronteiras eletrônicas. Estes são quase impossíveis de desplugar.

Renesys veio com seu mapa sobre os países mais facilmente desconectáveis através de um estudo das tabelas de Border Gateway Protocol (BGP) armazenadas na memória de grandes roteadores usados por centenas de provedores de internet. Estas tabelas  GBP dizem aos roteadores como transmitir as mensagens de uma rede à outra, e uma vez que você começa a juntar quatro ou cinco centenas destas tabelas, você tem uma imagem clara de como a internet é conectada.

O que torna um país fácil de desconectar? “Um alto grau de centralização e um baixo grau de diversidade”, diz Cowie. “Eles tendem a ser lugares onde naturalmente ou organicamente através da história ou da regulamentação, o número de provedores que trafegam dados com suas contrapartes estrangeiras é muito, muito baixo.”

A Groenlândia encaixa no molde. “A Groenlândia provavelmente desejaria mais diversidade, mas a natureza da Groenlândia e a despesa para obter conectividade na Groenlândia significa que eles estão limitados a um pequeno — aparentemente muito pequeno — grupo de provedores”, diz Cowie.

Curiosamente, no entanto, o Afeganistão não.

De acordo com Cowie, o Afeganistão já teve uma rede ao longo de todo o país. Não era muito boa, mas quando foi destruída na guerra uma nova rede se formou como uma ferida cicatrizada sobre o país, conectando diferentes regiões a Irã, Paquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.

“O Afeganistão, no meio deles, compra conectividade a internet de todos estes países”, diz Cowie. “Então o governo em Kabul não é mais capaz de desligar a internet do que seria para construir uma internet em primeiro lugar.”