Tags

, , , , , , , , ,

Muito se questiona acerca dos problemas do Brasil. Nesse momento, percorremos os mais diversos problemas realmente existentes como a corrupção do governo, a ineficiência da administração pública, até aqueles não realmente existentes como o neoliberalismo, um suposto imperialismo norte-americano sobre nós. Enfim, identificamos, bem ou mal, diversos problemas. Mas existe um problema que é grande responsável, sobre o qual até se fala, mas não da maneira como é devido, que é o problema de nossa cultura viciada.

Quando se fala em problemas de nossa cultura, rapidamente vem à mente a cultura carnavalesca, do futebol e cerveja. Menor dos males. Que nação não possui suas festas e comemorações? Que nação não pára para ver os representantes de seu país em algum esporte que estimem? As festividades são importantes, assim como o esporte. O incentivo ao esporte, inclusive, tira diversas pessoas da miséria.

Alguns vão um pouco mais além e falam do jeitinho, da tendência a levar vantagem em tudo o que acontece. Sim, um problema grave, que explica muito do mal-caratismo presente na política e na vida privada. A corrupção generalizada, em parte decorrente de nossa cultura do jeitinho, é sim um grande obstáculo a ser superado. Mas o maior entrave para o nosso desenvolvimento vai ainda um pouco além, ao meu ver.

O brasileiro é avesso ao sucesso. Valoriza o esforço, mas não valoriza a conquista, quando essa se trata de ganhos econômicos. É invejoso. Se uma pessoa é bem sucedida, deve ser criminosa.

Desde cedo aprende-se a deixar de pensar em si mesmo. O que prego não é o egoísmo como virtude, mas como condição necessária em diversos momentos. Não o abandono à caridade e à ajuda, mas a necessidade de saber que pensar em si por vezes é saudável. Pensar em trilhar o próprio caminho, ter controle sobre a própria vida. Isso, infelizmente, é contra o modo brasileiro de ser.

Ao invés de aprendermos desde cedo a sermos os melhores, aprendemos a nos sentirmos culpados por nos sobressairmos em qualquer coisa que seja. E se engana quem pensa que isso se converte em caridade: isso se converte em falta de esforço. É sabido que o resultado não será valorizado, mas sim reprimido. A sociedade não o valorizará por suas conquistas, e sim o condenará como se fosse um criminoso, aquele que ousou ser bem sucedido.

Não vejo uma cura ao problema, mas fica a crítica. Talvez o tempo venha a transformar esse vício, talvez seja necessário um trabalho que envolva gerações. O marxismo cultural exerceu seu trabalho com maestria. As instituições ruem uma a uma, principalmente a propriedade privada, cada vez mais sujeita a restrições. E aqueles que se sobressaem, motores da sociedade, são cada vez mais criticados. Até o ponto em que os bem sucedidos deixem de existir. Então o caos estará instaurado.