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Trechos retirados do livro Ayn Rand Answers: The Best of Her Q & A
Tradução de Breno Barreto

Introdução do tradutor:
Nestes trechos, Ayn Rand responde a perguntas de pessoas na platéia durante apresentações públicas suas e discorre sobre princípios valiosos, tais como a liberdade de expressão como indicador do tipo de ação política a ser adotada (se pacífica ou não) para a mudança de uma sociedade; a importância de se conceder tempo à população para que se adapte a novas medidas políticas que retiram o governo da economia e da vida social; a supremacia da ação cultural sobre a política prática partidária e o foco nas instituições de ensino. Enjoy!

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Pergunta: Quais passos políticos levam à realização dos seus objetivos?

Ayn Rand: Eu não trabalho para ou aconselho a criação de qualquer novo partido político. É muito cedo para isso. Mas, como muitos de vocês são Republicanos e interessados em política local, eu diria que política se começa com uma ideia. Você não vence eleições com slogans isolados utilizados uma vez a cada quatro anos. Se algo prático pode ser feito é isso: desenvolva um conjunto consistente de princípios e o ensine às pessoas em seu partido: trabalhadores da região, candidatos locais e talvez nacionais. Ensine-os a defender o capitalismo. Exija – moralmente, orgulhosamente e sem pedir desculpas por isso – um retorno ao pleno capitalismo.Isso não pode ser feito da noite para o dia, então não ajam feito cruzados no sentido improdutivo de exigir mudanças imediatas. Mas afirme esse objetivo às pessoas. Ao invés de socialistas prometendo sustento público, mantenha a promessa da liberdade, e trabalhe passo a passo em sua direção. Formule uma política de quais controles podem ser repelidos primeiro, e quais passos poderiam realizar uma economia completamente sem controles. Mas, acima de tudo, baseie seu programa em um pleno conhecimento da história e da natureza do capitalismo, e em uma plena defesa do capitalismo contra as acusações e más concepções pregadas pela esquerda.Comece pelas escolas e faculdades porque elas são as fontes dos futuros políticos e homens de ação. Você nada realizará em uma eleição política se você negligenciar as instituições onde as ideias são formadas. Certifique-se de que as instituições educacionais ensinem o individualismo e o capitalismo. Você não deve buscar o controle das escolas; você deve apoiar aqueles em suas escolas que são bons, assim como os esquerdistas apoiam os seus defensores…

Aprenda a defender sua posição de forma que nenhum esquerdista conseguia lhe responder… Não peça desculpas pelo capitalismo. Não permita que ele seja atacado como um sistema de cobiça egoísta. Mas você nada conseguirá realizar enquanto simultaneamente expressar consideração pelo altruísmo. Aprenda a moralidade implícita na Declaração da Independência Americana, um documento que hoje não é suficientemente citado nem suficiente entendido. A ética Objetivista é meramente a prova filosoficamente trabalhada do que os Pais Fundadores implicaram na Declaração… A batalha é moral e filosófica. (1961)

Pergunta: É possível mudar a direção da humanidade sem primeiro experimentar o desastre?

AR: Enquanto um país não estiver sob uma ditadura, a cultura poderá ser mudada pacificamente, particularmente em um país como os Estados Unidos, que foi fundado sobre ideias de liberdade. Seria mais difícil na Europa, onde eles são tradicionalmente estatistas – seus valores básicos subconscientes são estatistas – e a liberdade é uma exceção. Na América, as pessoas aceitam demais – de forma muito inocente e ingênua – mas eu não acho que uma ditadura poderia assumir o controle do país. Por baixo de todos os seus erros, a premissa básica dos americanos é liberdade. Essa é uma emoção expressa sem palavras – a atmosfera do sentido de vida. Tradicionalmente e historicamente, o povo americano pode ser levado até certo ponto, em seguida eles interrompem isso.

Uma vez que um país aceita a censura da imprensa e da expressão, então nada pode ser conquistado sem violência. Portanto, enquanto você possuir liberdade de expressão, dê-lhe proteção. Essa questão é de vida ou morte neste país: não abandone a liberdade de imprensa – dos jornais, livros, revistas, televisão, rádio, filmes e todas as outras formas de apresentar ideias. Enquanto essas forem livres, uma virada intelectual pacífica é possível. (1961)

Pergunta: …como [uma sociedade capitalista laissez-faire] poderia ser implantada?

AR: (…) Toda mudança em política prática foi precedida por uma mudança cultural – ou seja, uma mudança na filosofia dominante na cultura. Portanto, como uma questão prática, é preciso se concentrar na cultura – em disseminar a filosofia que torna possível a uma sociedade esclarecida adotar o capitalismo laissez-faire. (1962)

Pergunta: Se você fosse eleita presidente dos Estados Unidos amanhã, quais mudanças você instituiria?

AR: Essa é a última coisa que eu tentaria ou aconselharia alguém a tentar. Mas quanto à questão hipotética “O que eu aconselharia se meu conselho fosse imediatamente adotado?”, eu responderia: Comece a retirar os controles da economia tão rápido quanto considerações econômicas racionais permitam. Eu falo em “considerações econômicas racionais” porque hoje toda a população é dependente de controle dos governos. A maioria das profissões funciona sobre controles, e suas atividades são calculadas sobre essa base. Então, se alguém repelisse todos os controles da noite para o dia, por decreto legislativo, isso seria uma ação desastrosa, arbitrária, ditatorial. O que um país livre necessita é dar a todas as pessoas interessadas comunicados suficientes para que reajustem reorganizem suas atividades econômicas. Portanto, depois de elaborar com economistas o tipo de programa necessário para descontrolar a economia, e quais controles devem ser repelidos primeiro, eu aconselharia aprovar legislação anunciando que certos controles serão abolidos dentro de três anos, digamos – o período calculado para permitir às pessoas a oportunidade de reajustar suas atividades. Em uma economia livre, nenhuma mudança acontece do nada e da noite para dia. Toda mudança econômica, todo desenvolvimento, é gradual. Portanto, em uma sociedade livre, não há mudanças imediatas e desastrosas. Pois, dada a nossa presente situação, qualquer mudança repentina poderia criar deslocamentos desastrosos e, por isso, devemos retirar os controles gradualmente. (1962)

Pergunta: Como podemos mudar nossa política e nossos políticos?

AR: Enquanto um país for pelo menos semi-livre, os políticos não são o fator determinante. Eles são o que a opinião pública fizer deles (ou o que eles pensam que a opinião pública quer). Portanto, antes que de engajar em política, devemos nos engajar em trabalho educacional. Nós precisamos de uma campanha educacional mirada na disseminação de uma nova filosofia, que faça as pessoas entender o que são direitos individuais e por que o altruísmo é errado. Se você entende suas ideias, tente disseminá-las ao máximo de pessoas possível. É assim que a opinião pública muda, e isso mudará os políticos. Desde que a causa de nossos problemas está nas universidades, se você quer reformar qualquer única instituição, comece aí, porque a filosofia determina uma cultura e, com isso, a direção de um país, e filosofia é a especialidade das universidades. Se você quer uma cruzada, comece com as universidades. (1972)

Pergunta: Há alguém na política hoje por quem você seja entusiasta?

AR: Não. Eu gostaria que houvesse. Na atmosfera cultural de hoje, as melhores pessoas – os verdadeiros intelectuais – não entrariam na política; não ainda. A batalha – que está nas universidades – deve ser vencida primeiro, e a base estabelecida fora da política. (1976)

Pergunta: Agora é o momento para um político Objetivista?

AR: Certamente não. Para quem ele falaria? Não se pode conduzir uma campanha educacional e uma campanha política simultaneamente. Em cinqüenta anos, pode ser o momento para um político Objetivista; mas no momento em que isso for possível, ele praticamente não seria necessário. A opinião pública do país continuaria na direção da liberdade e da razão. Portanto, Objetivistas devem ir para a sala de aula, e corrigir a situação lá. (1976)

Pergunta: Você poderia comentar sobre a inépcia dos orientadores políticos na América? Ela é resultado de estupidez ou malícia?

AR: Estupidez, é claro. Você os lisonjeia ao pensar que é malícia. Eles não sabem nada mais, o que não é crime. O crime é eles não quererem saber mais. Afinal de contas, as pessoas na política são apenas o resultado último das tendências educacionais e culturais de um país. Elas não são a causa de nada. Elas são produto do que lhes disseram, o que no caso é exclusivamente coletivismo e estatismo. Elas vêem que isso não funciona, mas são incapazes de pensar no que poderia funcionar. Elas não conseguem retornar ao capitalismo, ninguém lhes disse isso. (1978)

Ayn Rand, pseudônimo de Alissa Zinovievna Rosenbaum, foi uma dramaturga, escritora, roteirista, filosofa e desenvolvedora do sistema filosófico chamado Objetivismo. Escreveu romances como “The Fountainhead”, do qual obteve fama, “A Nascente”, onde originou o filme “Vontade Indômita”, e “A Revolta de Atlas” (também em filmagem, em uma trilogia). Além de A Revolta de Atlas ser o mais conhecido, é também um best-seller americano e o livro mais influente depois da Bíblia (segundo a Biblioteca do Congresso americano) nos EUA.

Veja também
:
A Revolta de Atlas, por Ayn Rand
A Virtude do Egoísmo, por Ayn Rand – Libertarianismo