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Recentemente uma notícia trouxe mais evidências históricas da proximidade da relação entre o comunismo/socialismo marxista e o nacional-socialismo alemão (vulgo “nazismo”). Semelhanças teóricas e práticas aparte, o fato é que socialistas notórios cooperaram com os nacional-socialistas, comprovadamente.

Crise dos Mísseis: Castro e os nazistas

O primeiro choque é a revelação de que Fidel Castro teria recrutado ex-membros da SS nazista para treinar militares cubanos. Também buscou ex-oficiais paraquedistas (Fallschirmjäger), técnicos e pioneiros (Pioniere), além de armas ilegais compradas por intermédio dos nazistas Erns-Wilhelm Springer e Otto Erns Remer, do qual falaremos mais adiante. O regime cubano adquiriu uma leva de quatro mil metralhadoras belgas por intermédio deles, via Alemanha Ocidental. Tudo isto em plena Crise dos Mísseis (1962). Ao que parece, isso era parte da tentativa de Castro de tornar o armamento do seu regime menos dependente da União Soviética. Ou seja, Castro jogava o próprio jogo.

À esquerda, Fidel Castro na época da Crise dos Mísseis. À direita, Remer na época que servia na Wehrmacht.

Otto Erns Remer: quem foi?

Otto-Ernst Remer foi um oficial da Wehrmacht que desempenhou papel decisivo no impedimento do atentado de 20 de julho de 1944 contra Adolf Hitler (aquele do filme Operação Valquíria). Após a guerra foi co-fundador e líder do Partido Socialista do Reich (Sozialistische Reichspartei, SRP), promovendo a negação do Holocausto. É considerado o “poderoso chefão” do nazismo pós-guerra.

Seu envolvimento com a atuação do Partido Socialista do Reich acabou assim que o partido foi banido. Sendo acusado de suceder os nazistas, acabou fugindo para o Egito onde serviu de conselheiro para Gamal Abdel Nasser e trabalhou com outros nazistas na proliferação de armamentos em países árabes. Era conhecido de Johan von Leers, ideólogo nazista especializado em propaganda que trabalhou também para Nasser em suas campanhas anti-semitas.

Em 1956, iniciou operações em Damasco (Síria), continuando a proliferação de armas. A Frente de Libertação Nacional da Algéria, organização socialista e nacionalista, era um de seus principais clientes.

O Partido Socialista do Reich: o nazismo financiado pelos soviéticos

O Partido Socialista do Reich da Alemanha (Sozialistische Reichspartei Deutschlands) foi fundado após a Segunda Guerra Mundial em 1949 como um partido de orientação abertamente nacional-socialista. O SRP foi o primeiro partido a ser banido pelo Tribunal Constitucional Federal da Alemanha em 1952.

Foi estabelecido em 2 de outubro de 1949 por Otto-Ernst Remer, Fritz Dorls e Gerhard Krüger (líder da união estudantil alemã – Deutsche Studentenschaft). A maior parte dos membros era composta por antigos membros do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP).

Reder à frente do palanque, como líder do SRP.

O partido afirmava que o chanceler Konrad Adenauer era um fantoche dos Estados Unidos e que o almirante Karl Dönitz era o último presidente legítimo do Reich Alemão, nomeado por Adolf Hitler. Negava a existência do Holocausto, afirmando que os EUA tinham construído as câmaras de gás no campo de concentração de Dachau depois da guerra, e que as filmagens em campos de concentração eram falsas.

O SRP nunca criticou a União Soviética abertamente, porque a União Soviética financiava o SRP por causa de sua posição antiamericana e pró-soviética. O Partido Comunista da Alemanha (Kommunistische Partei Deutschlands – KPD), por outro lado, não recebia financiamento soviético porque era visto como “inefetivo”. Remer, o líder do SRP, chegava a afirmar que se a URSS invadisse a Alemanha mostraria o caminho do (rio) Reno para eles e que colocaria os membros do partido como guardas de trânsito para guiá-los.

O Partido tinha quarenta mil membros, e associações afiliadas como a organização paramilitar Reichsfront e a ala jovem Reichsjugend, que foram banidas por decisão do Ministério Federal do Interior em 4 de maio de 1951. No mesmo dia decidiu-se iniciar o processo de banimento do SRP como um todo na Alemanha. Em 23 de outubro de 1952, o Tribunal Constitucional Federal declarou o partido inconstitucional e dissolvido, proibindo o seu fundador de qualquer organização política sucessora. Em vista deste veredito, os líderes do SRP já haviam dissolvido o Partido em 12 de setembro.


Bibliografia:

  • Geppert, Dominik. Die Ära Adenauer.
  • Lee, Martin. The Beast Reawakens.
  • Atkins, Stephen E. Encyclopedia of Modern Worldwide Extremists and Extremist Groups
  • Der Spiegel – Rechtsradikale SRP, Geheims in Reich

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