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No último dia 7, as eleições da Venezuela opuseram Capriles e Chávez. Capriles é da oposição e concorria pelo partido Primero Justicia. Chávez, no poder há 13 anos, concorria pelo Partido Socialista Unido de Venezuela e dispensa maiores apresentações. O resultado das eleições foram decepcionantes, mas não surpreendentes: Chávez venceu e anuncia que continuará com a implantação do socialismo no país. Logo após o resultado, Alberto Mansueti publicou este artigo em seu Facebook, o qual compartilho agora traduzido para o português.


por Alberto Mansueti, advogado e politólogo. Tradução e adaptação para o português por Renan Felipe dos Santos. Publicado originalmente no seu blog homônimo. Para ler o artigo original, em espanhol, clique aqui


A derrota do 7 de outubro passado na Venezuela tem um grande responsável: a oposição, tanto a dirigência como as bases, que seguem tão cegamente a seus caudilhos como os chavistas ao seu.

São seis fatores: socialismo, unitarismo, bipolarismo, majoritarismo, triunfalismo e estupidismo. Há seis lições chave para aprender. Também há um último fator adicional, o mais importante; e uma última lição, mais instrutiva.

1. Socialismo. Entre 2005 e 2008, nós do “Rumbo Propio” planteamos uma saída liberal para Venezuela, começando pela autonomia das regiões, como na Espanha mas sem socialismo regional; mais ao estilo da China: “um país, dois sistemas”. Fomos selvagemente esmagados pela “oposição” de Rosales, sua máfia, os bons moços do Primero Justicia, o canal Globovisión e o coro de imprensa antichavista. Vimos o que aconteceu com Rosales em 2006; no entanto, depois desta data prosseguiram com o cerco contra nós. “Nada de liberalismo”, diziam. E depois disseram o mesmo contra a ODLV e o MDL. Lição 1: A oposição não aprende.

2. Unitarismo. “Primeiro há de sair o Chávez”, diziam. “Para isto se requer a unidade”, diziam. Negavam-se a ver algo muito simples: o comunismo é um socialismo “duro”, e se combate ele com capitalismo, não com socialismo “brando” ou “terceiras vias mistas”. Se deixa-se a gente empobrecida achar que o socialismo não é o mal, então ela o quer todo, inteiro e agora mesmo, de modo radical; e se damos a entender que o capitalismo é o mal, então não quer nada, nem um pouquinho dele. Posta a escolher entre o socialismo duro e o socialismo brando, vota pelo mais radical que encontre. Neste sentido o povo é consistente. Por este caminho Chávez jamais sairá do poder enquanto viva. E quando morrer, os chavistas aprendidos herdarão “o sistema”, e o manipularão a seu bel prazer. Lição 2: A oposição não raciocina.

3. Bipolarismo. Queixavam-se de que Chávez “dividiu o país em duas metades”. Não, não é assim; em primeiro lugar não somos duas metades senão três terços: o chavista, o antichavista, e o que não vota ou nem sequer se candidata. E em segundo lugar, se alguém fez uma divisão em duas metades foi a oposição socialista, com seu cego, insistente e reiterativo “unitarismo”, e seu conseguinte empenho em aniquilar uma oposição liberal na Venezuela, para dar a impressão de que são “eles ou Chávez”. Várias e várias vezes. É repetitivo. Já foram quatro vezes: primeiro Salas Rohmer (1998), depois o Cte. Arias Cárdenas (2000), depois Rosales (2006), e agora Capriles (2012). ¿Who’s next? (2019, 2025… e contando.) Lição 3: É verdade, “Hay un camino”, o deles, “somos o mal menor”; e conduz a derrota. Mas também há outro caminho: o do capitalismo.

4. Majoritarismo. “Somos maioria”, diziam. “Se perdemos é por fraude”, diziam. Vejamos. Em primeiro lugar, Chávez não ganha pela fraude mas pela abusiva vantagem de todos os seus programas sociais (“Misiones”): suas esmolas efetivas para alguns, e suas promessas de esmolas no futuro para o resto. Se prometes “não acabar com as Misiones” então não esperes que milhões de venezuelanos agarrados a suas migalhas votem por ti, porque mais vale o certo do que provável. E também mais vale o original que a cópia. Em segundo lugar: uma dose de trapaça há em toda eleição, até mesmo nos EUA; a questão é quanta, de que magnitude. E há de ser consistente: se você crê que a trapaça é demais, então peça a abstenção; só se você crer que a fraude seja tolerável, então chame as pessoas a votar, mas depois não se queixe. Lição 4: A oposição é incoerente e contraditória.

5. Triunfalismo. “Vamos ganhar”, diziam. “Chávez já saiu”, diziam. E com estas palavras os socialistas “brandos” calam toda manifestação de dissidência, se fecham a qualquer questionamento, e se negam redondamente a revisar suas políticas e suas propostas, seus clichês, suas estratégias e suas mensagens. Deste modo nos impõem uma segunda tirania, tão férrea ou mais que a de Chávez. Lição 5: A oposição é feroz com seus dissidentes.

6. Estupidismo. Burrice, pura e simples estupidez. Como fazem todo um “issue” por causa de um boné? Ou de uma suposta ou real relação de parentesco de Capriles com Bolívar? Até quando “Simón Bolívar”? Tem que ter o cérebro fundido. Ou subscrever o mito de Bolívar, que a oposição compartilha, como todos os outros mitos socialistas que acabaram com a Venezuela. Sobretudo o mito da abundância de Petróleo. Chávez não “reparte a riqueza petrolífera”, porque não há tal riqueza fabulosa que chegue para todos, até para “dar aos estrangeiros”, como diz em coro a oposição. Chega para os novos ricos bolivarianos, e nada mais. De resto, a abundância que há é de casas de lata, madeira e papelão. Mitologia é o que reparte Chávez, puros sonhos e promessas baseadas nestas lendas mitológicas. E também a oposição, com o mesmo estilo sentimentalóide e emotivo. Lição 6: A oposição forma parte da mesma Matrix.

Não obstante, o fator de maior peso na derrota de 7 de outubro é este: todo o anterior não são só erros ou crenças equivocadas. Há algo mais: na realidade a oposição não quer ganhar. Por que não saberia o que fazer no governo e com o chavismo na oposição, que voltaria ao poder em poucos anos, como os sandinistas na Nicarágua, só que mais rápido. Por isto a oposição atual só quer conservar “seus espaços” no sistema: seus governos e prefeituras, seus assentos na Assembléia, seu lugarzinho, seus contratos e subcontratos. Mais nada. O resto não lhes interessa.

E a lição mais dura é a que sempre repito; Lição 7: Sem outra oposição, não haverá outro governo.