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Por Ronald Bailey. Publicado originalmente no site da Reason. Traduzido e adaptado do inglês para o português por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.

Vinte anos atrás, a primeira Earth Summit (ECO-92, Rio-92, Cúpula da Terra) no Rio de Janeiro marcou a ascenção do ambientalismo como uma força potente nas relações internacionais. Aquela conferência de 1992 produziu a United Nations Framework Convention on Climate Change (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que busca impor limites às emissões de gases do efeito estufa, e a Convention on Biological Diversity (Convenção da Diversidade Biológica), que promove a conservação de ecossistemas. Naquela época, Chris Flavin do Worldwatch Institute exultava, “Não se pode ir a qualquer canto do globo sem encontrar algum grau de consciência ambiental e alguma quantia de políticas ambientais.” Com o socialismo em descrédito, Flavin disse, o ambientalismo havia se tornado “o ideal político mais poderoso hoje.”

Duas décadas depois, o ideal está aos pedaços. A conferência do 20º aniversário, feita no Brasil no último mês de junho, a United Nations Conference on Sustainable Development — apelidada Rio +20— foi um verdadeiro fracasso. O porta-voz do Greenpeace, Kumi Naidoo, julgou a Rio +20 um “fracasso”, enquanto a presidente da Oxfam, Barbara Stocking, chamou-a de “hoax” (embuste, pegadinha, trote). Mais de mil grupos ambientalistas e esquerdistas assinaram uma petição pós-conferência entitulada “O Futuro Que Não Queremos”, uma analogia a “O Futuro Que Queremos”, o tímido documento que diplomatas de 188 nações concordaram em assinar. Naidoo chegou a jurar que ambientalistas desapontados se envolveriam em atos de desobediência civil.

As pessoas do mundo deveriam partilhar do desespero dos verdinhos pelo “fracasso” da Conferência das Nações Unidas peo Desenvolvimento Sustentável? Não. Antes de mais nada, “desenvolvimento sustentável” é um termo controverso. A ONU o define assim: “desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atenderem suas próprias necessidades.” Este conceito vago pode ser usado por qualquer um para dizer qualquer coisa. Não é surpreendente que os representantes de países ricos e pobres se encontrando no Rio não conseguiram concordar em nada substancial trabalhando o tema.

Desde o primeiro Earth Summit, o mundo experimentou grande desenvolvimento benéfico. Em 1992, 46 porcento da população mundial vivia em absoluta pobreza (definida como uma renda equivalente a menos de U$1,25 por dia). Hoje este número baixou para 27 porcento, em termos ajustados à inflação. Durante o mesmo período, a expectativa média de vida aumentou em três anos e meio.

Na Rio +20 ambientalistas e líderes de países pobres esperavam espremer os países ricos para obter centenas de bilhões de dólares em assistência anual para o desenvolvimento. Mas a maior parte do desenvolvimento obtido nas últimas duas décadas não foi o resultado de assistência oficial (também conhecida como “dinheiro do contribuinte”) dos ricos para os pobres. De fato, um estudo publicado na edição de fevereiro de 2012 do Canadian Journal of Economics por uma equipe alemã de economistas do desenvolvimento descobriu que a ajuda muitas vezes retarda o crescimento econômico, tendo “um impacto insignificante ou pouco negativo na renda per capita”. A maior parte dos auxílios é roubada pelos cleptocratas que governam muitos países pobres, enquanto o que sobra é “investido” em projetos que não são lucrativos.

Então o que produziu tanta melhora na vida das pessoas pobres vivendo em países desenvolvidos desde o primeiro Earth Summit?

“Lembre-se que nos anos 1960, a assistência oficial ao desenvolvimento correspondia a 70 porcento do capital que fluía para as nações em desenvolvimento, mas hoje representa apenas 13 pocento, ao passo que os orçamentos para desenvolvimento aumentaram”, explicou a secretária de estado dos EUA Hillary Clinton na Rio +20. “Por que isso? Bem, vocês sabem muito bem. Por que enquanto províamos assistência, os investimentos do setor privado, usando recursos bem direcionados e políticas inteligentes, catalizaram um crescimento mais balanceado, inclusivo e sustentável.” Resumindo: O caminho para o desenvolvimento é o comércio, não a assistência.

Os ativistas, frustrados pela sua inabilidade de obter transferência de riquezas, se fixaram agora em um objetico particularmente problemático e perturbador: manter e expandir propriedades comuns de acesso livro, que são propriedades inutilizadas disponíveis para a exploração por qualquer um. Muitos participantes do People’s Summit for Social and Environmental Justice (Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental), um encontro paralelo, no Rio, de 200 grupos ambientalistas, advogavam pintura verde sobre uma ideologia velha e vermelha, postulando que a propriedade é roubo.

O Marxismo Canônico previu que o capitalismo entraria em colapso sob o peso de suas “contradições” entre as classes, nas quais o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre até atingir um ponto de ruptura social. Na atualização ambientalista, o capitalismo entrará em colapso porque a poluição produzida pelo seu consumismo negligente escala até um ponto de ruptura ambiental. Para os radicais, a solução dos problemas ambientais é um tipo de eco-socialismo no qual a natureza é protegida da “privatização” ou “mercantilização”. Esta tendência no pensamento ambientalista bem que poderia ser chamada comonismo.

Olhando ao redor do globo, é verdade que muitas medidas ambientais agregadas se deterioraram. Desde 1992, o United Nations Environment Program (UNEP – Programa Ambiental das Nações Unidas) afirma que a biodiversidade declino em 12 porcento e 740 milhões de acres de floresta primária foram derrubados. Hoje 53 porcento das populações de peixe são totalmente exploradas e a parte que está super-explorada, esgotada ou em recuperação subiu de 10 porcento para 32 porcento desde 1974. Mas são estas calamidades o resultado do capitalismo selvagem? Não mesmo.

O mesmo relatório da UNEP nota que 80 porcento das florestas do mundo, que concentram a maior parte da biodiversidade do planeta, são propriedade do governo. Também, em quase todo lugar onde algum tipo de calamidade ambiental está acontecendo, ocorre numa terra comum, espaço aberto. Rio poluído? Ninguém é dono dele. Florestas sendo derrubadas? Mesmo problema. Sobrepesca? Mesma coisa. Escassez de água? Idem. Empiricamente, pedir o aumento ou a reimposição da propriedade comunal em respeito a um recurso ambiental é o equivalente a pedir pela sua eventual destruição.

Países com fortes direitos de propriedade geralmente veem melhorias ambientais como reduções na poluição do ar e da água, populações estáveis de peixes, e florestas expandindo. Isto se dá porque proprietários protegem seus recursos, já que eles sofrem diretamente as consequências quando não o fazem. Além do mais, países com fortes direitos de propriedade são mais prósperos e podem arcar com os custos de regulamentações ambientaiso, aplicadas aos recursos comuns que ainda existem.

Duas décadas depois, o que outrora foi “o mais poderoso ideal político” na cena internacional entrou em pane e explodiu no Rio +20. A falha do ambientalismo como ideologia era inevitável, já que interpretou mal as causas de muitos problemas que prometia resolver. Será interessante ver qual direção tomarão agora aqueles que nutrem um permanente ânimo contra o capitalismo democrático.