PSDB, o socialismo água com açúcar

Esse artigo tem com objetivo principal tentar desmistificar a posição política que o PSDB ocupa na sociedade brasileira. Ao longo dos anos nos meios em que frequento, sejam eles o ambiente de trabalho, o ambiente acadêmico, os ambientes de lazer, entre outros, tenho me deparado com discussões políticas onde o partido acima era citado como exemplo de partido de direita e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é o seu mais ilustre representante, apontado como um adepto do Liberalismo Econômico, ou então chamado de forma pejorativa como “neo-liberal”, mesmo nunca tendo existido uma “Escola Neo-Liberal”.

Ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso. É presidente de honra do PSDB.

De onde então surge esse equívoco que só serve para confundir a cabeça do eleitor? Em primeiro lugar, acredito que vem pela falta de informação. É notório que muito brasileiros tem aversão à leitura e quando esta se trata de política alguns fogem do assunto como o diabo foge da cruz. Sobra então o papel educacional aos professores nas escolas e universidades, à mídia e aos próprios políticos. Porém estes que acabam desempenhando essa função informativa, às vezes também por falta de conhecimento ou a maioria das vezes propositalmente, induzem as pessoas ao erro classificando erroneamente o PSDB.

Pra começar, vamos traduzir a sigla PSDB. O PSDB é o Partido da Social Democracia Brasileira. A Social Democracia nada mais é que uma corrente política que surgiu no final do século XIX, oriunda do Marxismo. Essa corrente acredita que a evolução para o socialismo deverá ocorrer não pela revolução, como acreditam algumas correntes de esquerda, mas sim pelo que eles acreditam ser uma “evolução democrática”. Já no século XX, a Social Democracia ganha ares moderados, podendo ser considerado o Socialismo água com açúcar. Os adeptos da Social Democracia pregam o Estado de Bem Estar Social ou Estado Providência, que nada mais é que um tipo de organização que coloca o Estado como agente protetor, provedor social e organizador da economia. Cabe ao Estado fornecer serviços públicos e proteção à população. Essa ideia de público vem a ser uma ilusão, pois qualquer pessoa esclarecida sabe que a alta carga tributária é o que sustenta um Estado com tantos poderes de intervenção na vida dos cidadãos, ou seja, não seria público já que o Estado toma com impostos e retorna com serviços, diga-se de passagem, de péssima qualidade.

Mais características da Social Democracia: sua linguagem inclui o Marxismo, o Socialismo Utópico e o Revisionismo. Tem visão igualitária e nega as políticas liberais. Eles acreditam que a desigualdade é criada pelo mercado e deve ser compensada através de políticas assistencialistas, que nada mais é que dar dinheiro ao povo sem que para isso estes precisem trabalhar para obtê-lo. Esse tipo de política não só tira a dignidade do cidadão como cria também um monte de parasitas sustentados pelo resto da população produtiva do país. Nada mais é que uma forma de dar esmola deixando parte da população dependente e garantindo inúmeras reeleições ao longo dos anos. Observem que graças a esses programas federais, a esquerda está no poder no Brasil desde 1995 até os dias atuais.

Exemplo de políticas assistencialistas: Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, ambos criados no governo de Fernando Henrique Cardoso e tendo seu nome modificado para Bolsa Família na Gestão de Lula.

Agora que entendemos o que é a Social Democracia, venho aqui ressaltar que jamais Fernando Henrique Cardoso poderia ser chamado de Liberal, pois precisa muito mais que meia dúzia de privatizações para que um político seja considerado adepto do Liberalismo Econômico. O liberalismo prega o Estado mínimo, enquanto a Social Democracia prega o Estado Intervencionista. Eis a principal e gritante diferença entre as duas correntes ideológicas.

Resumindo, não é porque vota no PSDB que você é de direita.

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Autor: Rafaela Santos Jacintho

"Posso não concordar com nem uma das palavras que me diz, mas lutarei até com minha vida se preciso for, para que tenhas o direito de dizê-las".

9 comentários em “PSDB, o socialismo água com açúcar”

  1. Concordo quase completamente com o texto, discordo na questão que defender “programas assistencialista” não significa que é de esquerda, O Negative income tax era defendido por liberais como Milton Friedman, como uma forma do governo devolver o dinheiro que tira dos pobres na cobrança dos impostos
    Mas realmente não se pode considerar o PSDB como liberal, alias teria algum partido no Brasil que podemos considerar como liberal? eu acho que não…

  2. Discordo, não se pode classificar um partido em esquerda/direita se baseando apenas em seu nome e sim de acordo com suas ações, privatização por exemplo não é pratica de partido de esquerda, já o PSDB é especialista nisso, enfim, se formos seguir essa linha, de classificar de acordo com o nome, como classificar o PV? pelo nome fica meio difícil.

      1. Acho q ele realmente nao leu o texto, pq se tivesse lido e compreendido verias que eu nao classifiquei só pelo nome e sim pelas ações do partido. Não é pq o PSDB privatiza que pode ser considerado liberal. Ele tinha q ter muito mais ações classificadas como medidas liberais.

  3. Quanto a denominação: “neo-liberal”, dirigida a FHC, so leio tal rótulo lançado em comentários de petistas. E em alguns casos, chego a desconfiar tratar-se de mera repetição de termos que constam no rol da militância, ou seja, muitos chamam FHC de neo-liberal, sem saber que signifique o liberalismo. Sem contar o não descartado risco de existência da crença quanto a uma espécie de sinônimo da palavra libertinagem, visto o quanto alguns empregam tal termo com nítida agressividade, como se o liberalismo fosse uma coisa escandalosa. rs
    Diante de tanta coisa que tenho lido sobre o PSDB, inclusive sobre uma tal de “parceria” com o pt, dentro de uma global trama conspiratória, tenho sentido muita falta de abordagens quanto a conjuntura econômica que existia no Brasil ANTES DO, bem como no início do primeiro mandato de FHC.
    Não me considero a pessoa mais indicada para redigir tal comentário mas, afirmo sem medo de errar que era uma conjuntura MUITO DIFERENTE, com hiperinflação.
    E eu conheço a conjuntura que efetivamente vivi, e não apenas por ter lido a respeito, o que trata-se de algo bem diferente. O que proponho é que consideremos o EXATO momento no qual medidas tiveram de ser tomadas, visto que não confere honestidade por exemplo, comparar QUALQUER eventual privatização que viesse a ser feita hoje, com aquelas que foram feitas naquela época, naquele contexto econômico.
    Pareço ensaiar uma defesa a FHC? Não se trata disto, e o considero uma pessoa sujeita a falhas como qualquer outra. Tendo a não apreciar por exemplo, as denominadas medidas sociais, as quais no meu modo de entender não foram medidas sociais de um Estado preocupado com algumas camadas sociais, mas sim mera medida incrementadora do PIB, visto que tal “ajuda” não faz mais do que permitir que algumas pessoas consumam. Como sabemos, o consumo é uma parte importante para fazer girar a economia local, de modo que a ajuda principal com tais iniciativas foi a de movimentar a economia, no que diz respeito ao consumo interno. Termos hoje um PIB absurdamente formado em mais de 60% pelo consumo interno, nada mais é do que o resultado de espertalhões acomodados que incompentente, irresponsável e eleitoreiramente, expandiram as tais ajudas sociais ao máximo, inclusive a possibilitar a veiculação da mentirosa ascenção de tantos milhões às FALSAS [três] classes médias.
    Em minha opinião, o governo FHC errou na instituição das tais bolsas, e estamos bem próximos da obrigação de saldar o débito que será apresentado pela farra eleitoreira em que isto foi transformado. Vide o quadro atual da Europa, continente no qual muitos países já amargam o esgotamento de praticamente o mesmo sistema de benefícios que vinham sendo conferidos a cada vez mais gente por lá. Um chanceler alemão já havia avisado que aconteceria o que sucede agora na Europa, depois de ouvir um colega a gabar-se por conta das pessoas receberem do governo um ótimo rol de benefícios naquele país, mesmo sem estarem empregadas. Por lá a farra já chegou ao fim, por aqui estamos a nos aproximar de fatalidade no mínimo parecida.
    Desculpo-me por alongar-me mas, entendo que o governo FHC não tinha outra saída para o quadro econômico DAQUELA ÉPOCA, a não ser ter feito as privatizações que foram feitas, e portanto não creio que tenha feito para reduzir o tamanho do estado na economia brasileira, de modo que me parece haver uma potencialização de mérito, quando nos damos conta de um socialista que ao invés de estatizar, tenha contrariado a própria ideologia para atender o objetivo principal da época que era uma economia nacional livre da hiperinflação e portanto estabilizada, AINDA, por enquanto, nos dias de hoje.
    Será que outro socialista teria privatizado tanto em prol da economia nacional?
    Um governo que em minha opinião teve uma meta e a cumpriu de maneira efetiva.
    Um governo que com acertos e erros conseguiu ser suprapartidário, como aliás qualquer partido deveria ser, e não faria mais do que a obrigação.

  4. Então o PSDB jamais foi socialdemocrata, pois tudo o que fizeram no poder foi liberalismo puro. Nunca olharam para a classe pobre e sempre serviram aos banqueiros, principalmente aos falidos.

      1. Onde se lê “liberalismo puro”, leia “neoliberalismo puro”. Erro de digitação. Passados anos do (des)governo FHC, coisa de que eu me lembro muito bem, os tucanos negam a história. Coisa bem fácil de se fazer em um país onde o povo não se lembra nem de em quem votou.

  5. nunca fui contra a ditadura e sim contra os seus abusos. Uma das mais difíceis artes do(s) governantes é exatamente delegar poderes. Na época em questão eu era uma das primeiras pré-cadetes da
    aeronáutica a me cansei de ver ” “guardinhas de quaisquer forças armadas” baixarem o porrete em qualquer pessoa que o olhasse diferente, sem o devido controle de seus superiores imediatos. Cansei de dar” carteiradas nestes trogloditas e atá voz de prisão para tais monstros.
    Até aqui comecei meu comentário de baixo para cima. O clima da época era de guerra fria e éramos o quintal dos americanos. Fomos forçados a entender que uma nova Cuba não poderia acontecer aqui ou em qq outro país do “quintal”. A terceira guerra só não eclodiu porquê asa partes em litígio resolveram negociar;
    A URSS abriu mão de continuar instalando suas ogivas em Cuba bem como exigir que a mesma nunca fosse invadida. Por outro lado exigiram que os EUA retirassem os seus da Turquia< fato que os americanos concordaram pelo fato de aqueles mísseis já estariam obsoletos para os seu padrões.
    Trato feito, e voltando ao "quintal" americano, nada foi feito para que a barreira anti-soviética fosse desfeita e, assim sendo, uma vez conseguido o que queriam, os americanos deixou-o "o quintal" ao bem dará.Agora, que cada um se resolva da melhor maneira: e aumentaram os abusos. Todas as Ditaduras resolveram endurecer e deu no que deu. Perda de controle, tentativas de contra golpe por parte dos neo soviéticos, jogo sujo de ambas as partes e, de resto, os maiores de quarenta já conhecem os fatos.O poder civil voltou a tomar as rédeas, foi montada uma Constituição sem pé nem cabeça, apareceram os anões,os Severinos, o Partido dos Trabalhadores…
    Resumindo,Na nossa bandeira encontram-se os dizeres "ORDEM E PROGRESSO". Com estas pessoas que, no momento, nos governam seria melhor a confecção de outra, sem nada a declarar.

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