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Diversas pessoas são contratadas durante o período de eleições, o que, supostamente, seria benéfico para a sociedade, pois mais empregos seriam criados. Pois bem, será que isso realmente é assim benéfico?

A essência desses empregos

Muito provavelmente todos já ouviram falar da importância de muitas profissões e serviços. O que seria da sociedade sem algum tipo de coleta de lixo, por exemplo? Em alguns países (com o Brasil incluso) a coleta de lixo é feita manualmente, com os profissionais conhecidos como lixeiros. Certamente esse tipo de emprego demonstra o atraso de tais países, já que sistemas mais mecanizados não são nenhuma utopia e já existem em diversos lugares ao redor do mundo. De qualquer forma, a profissão de lixeiro continua sendo demandada em países como o Brasil, apenas com o ponto de que poderia não ser necessária nessa forma atual caso existisse mais tecnologia no processo.

O mesmo vale para muitas outras profissões que encontramos na sociedade. São empregos que são produtivos e que agregam à sociedade. Agora, pessoas que são contratadas em períodos eleitorais para fazerem campanha não contribuem com esse processo e de uma forma muito parecida com o caso do funcionalismo público, especialmente do hipertrofiado.

Imagine diversas pessoas contratadas para fazerem propaganda política. A tendência é acreditar que isso é positivo, pois agora pessoas receberão salário e irão consumir. Só que um pequeno detalhe fica ocultado: para se consumir algo, este algo tem que, no mínimo, existir. Não adianta apenas aumentar o número de empregos, pois esses empregos precisam produzir algo útil, o que não é o caso de pessoas contratadas para propaganda política.

Não adianta querer criar riqueza por meio de empregos que em nada agregam à sociedade. O dinheiro que será utilizado para bancar esses novos empregos poderia ser utilizado em algo mais produtivo, assim como os trabalhadores que agora irão passar a tarde distribuindo panfletos em algum bairro de alguma cidade. Essas pessoas irão se alimentar, irão se vestir, irão ter suas horas de lazer, porém agora com uma quantidade menor de recursos a serem aplicados nesses setores, pois eles foram desviados para a propaganda política.

A finalidade desses empregos

Esse ponto leva a um segundo fator importante: por qual motivo (e por quem) essas pessoas foram contratadas para a propaganda política. Via de regra, no Brasil temos apenas candidatos estatistas; uns, pouco engajados na causa, outros, se empenhando mais nela, o que seriam os casos dos candidatos que prometem melhorar a vida do povo (só não sabem como, apenas com o discurso padrão de melhorar os investimentos – por meio do Estado – e diminuir a corrupção) e aqueles mais próximos do marxismo, ávidos pela suposta justiça social e pelo fim do capitalismo, que seria desumano e que só pensa em lucrar.

Caso a propaganda fosse para candidatos que fossem reverter esse cenário altamente estatista (sem nenhuma finalidade keynesiana de geração de empregos a todo custo), no longo prazo, pelo menos um pequeno avanço existiria. Porém, infelizmente, a grande maioria dos candidatos brasileiros estão próximos do estatismo, e com uma forte propaganda por esses candidatos a tendência é de um grande círculo vicioso.

O que é visto são sempre os mesmos discursos de “vou investir mais e melhor em saúde, segurança, educação e transporte (acrescente aqui mais um clichê de investimentos), lutarei contra a corrupção” e, caso se trate de alguém com uma maior influência marxista, existirá também um “lutarei contra a desigualdade econômica e pelo bem comum”.

Conclusão

Não adianta querer melhorar a vida das pessoas por meio da criação de empregos improdutivos, que geralmente são criados sob as atividades do governo (direta ou indiretamente, no caso sazonal das eleições), já que, para o setor privado, é economicamente ruim (serão dispensáveis despesas a mais sem uma potencial geração de receitas, o que diminuirá o tão socialmente odiado lucro). Se um candidato quer realmente gerar bons empregos e melhorar a vida das pessoas, empregos úteis e produtivos serão necessários para tal, e não será por meio de profissões e gastos inerentemente inúteis ligados ao Estado que essa finalidade será alcançada.