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Ah, como eu amo a Era da Histeria! Onde plaquinhas, protestos e corpos nus supostamente resolvem todos os problemas do mundo, desde a pobreza até a violência doméstica passando pela poluição e pelo maldito hábito reacionário de comer animais. Não que o protesto seja algo ruim, não que a Histeria não seja um direito constitucional de todo ocidental de classe média alta e que estuda numa universidade federal. Poderia escrever hoje sobre ela como um todo, falando do Greenpeace, do FEMEN, do PETA, dos movimentos ‘Occupy’, da Marcha das Vadias, ou mesmo daquelas Marchas Contra a Corrupção, por Deus, pela família, etc. Mas vou focar em um movimento só que me chama especial atenção, que é o movimento feminista (FEMEN e Marcha das Vadias sendo alguns dos seus expoentes), sobretudo sua atuação na internet. Não entrarei em pormenores de doutrinas feministas, suas mentoras e ideólogas, mas farei um breve comentário sobre uma atitude bastante incômoda.

A Marcha das Vadias (em inglês: Slutwalk) é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto, no Canadá, e desde então se internacionalizou, sendo realizado em diversas partes do mundo (ocidental, claro, no Irã e na China é que não). A Marcha das Vadias protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro são parcialmente responsáveis pelo crime, por descuidarem das suas vestimentas. Claro que o protesto envolve corpos nus cobertos com frases de impacto e de absoluta genialidade como “danço funk sem calcinha e a buceta continua sendo minha”.

E como começou tudo isso? Bem, um policial de Toronto, Constable Michael Sanguinetti, sugeriu para segurança das mulheres que elas evitassem “se vestir como vadias”, para evitar o estupro. Claro que a intenção não era a de ofender. O policial estava dando uma dica de segurança, a qual foi mal interpretada e entendida como a atribuição da culpa de um crime à vítima. Desde então os protestos tem se espalhado por aí.

No entanto o que mais me chama atenção é a proliferação de panfletos feministas na internet discorrendo sobre “como não estuprar”. O público-alvo, claro, é o masculino. Eis um exemplo:

Um exemplo de lógica completamente falha. É claro que o estupro, sendo um crime, não pode ser culpa da vítima. Conselhos de segurança pessoal à parte, no que diz respeito à vestimenta da mulher, o melhor meio de combater o estupro não é a divulgação de mensagens voltadas para o público masculino. Pelos seguintes motivos:

  1. Estuprador sabe o que é estupro, sabe que é fora da lei e não vai deixar de cometer crime porque viu um panfleto feminista.
  2. Homem honesto não estupraria, com ou sem o panfleto. A mensagem dirigida à toda a população masculina, em si, já é uma forma de ofender-nos, colocando todos os homens no bojo de ‘estupradores potenciais’.
  3. O efetivo combate ao estupro ainda se faz evitando riscos, tal e qual evitar ser assaltado ou assassinado no meio da rua. Não só a segurança pública, como os bons hábitos e a defesa pessoal (incluo aqui o porte de arma, tão demonizado) contribuem muito mais para a segurança.

Entendo a necessidade de conscientizar as pessoas sobre o direito de auto-propriedade (vulgo “meu corpo, minhas regras”), mas é necessário atentar para a realidade dos fatos antes de sair por aí tratando toda a população masculina como estupradores potenciais. Mais do que isso, é necessário entender que o combate ao estupro não está desvinculado do combate a qualquer outro crime contra a vida e que a segurança das pessoas (não só mulheres são vítimas de estupro) depende em primeiro lugar delas mesmas. Quando receber e-mails sobre como evitar assaltos, talvez seja melhor adotar hábitos mais seguros do que marchar pela Avenida Paulista.