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Os preços recordes das commodities agrícolas estão criando uma bolha para o agronegócio, e por que bolha do agronegócio? Porque esses patamares de preço de soja, milho e trigo se devem a uma conjuntura de fatores extraordinários, que raramente ocorrem ao mesmo tempo.

Eventos climáticos severos afetaram as safras de Grãos da América latina, dos EUA e da Europa oriental e ocidental praticamente ao “mesmo tempo”, reduzindo bruscamente a oferta mundial de grãos de forma generalizada, sem que uma região pudesse “amenizar” as perdas de outras regiões, como normalmente ocorre. É muito raro que a seca afete em um mesmo ano safra três grandes regiões produtoras de grão.

Com isso, cria-se um sentimento artificial no mercado, onde há supervalorização de terras, elevação absurda de custos de produção, migração de outros setores do agronegócio para produção de grãos, que na maioria dos casos não estão devidamente preparados e aptos para atividade gerando um excesso de produção posteriormente, e consequentemente queda nos preços, fazendo-os abandonar a atividade, os aventureiros.

Tenho percebido vários efeitos maléficos desse boom dos preços de soja, milho e trigo. Há uma valorização irreal e artificial do preço da terra, os preços de insumos hiper inflacionados, tornando os custos de produção astronômicos e aumentando o risco para o produtor e o aumento de área de plantio, através da inserção de áreas outrora degradadas, de pastagem e ou de outras culturas quaisquer (algodão, milho, feijão), sem respeitar critérios técnicos e econômicos, apenas com base nos altos preços oferecidos pelas commodities no momento.

Dificilmente veremos outra conjuntura climática como essa em que uma forte estiagem atingiu a América do sul, do Norte e toda Europa durante fases criticas do desenvolvimento de suas lavouras, com isso em breve podemos ter um queda de preços das commodities e uma nova crise de endividamento devido a investimentos mal planejados e calculados, aquisição de terras e infra estrutura agrícola a preços irreais supervalorizados, produção com custos operacionais altíssimos sendo que mais adiante quando a colheita chegar a alta produção pode derrubar os preços e com custos altíssimos, áreas sujeitas a baixa produtividade e muito capital comprometido com investimentos impensados, surgir uma nova “quebradeira” no setor.

Em 2005 vivemos um experiencia semelhante a essa, agora resta saber como serão as consequências futuras dessa bolha, que sera como qualquer outra bolha econômica que já vimos, variando a intensidade de acordo com os movimentos que o setor fizer agora.