Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

No documentário sobreviver calado gravado por brasileiros em visita a Cuba é mostrado um lado que os irmãos Castro querem esconder da imprensa internacional. O documentário está dividido em três vídeos que serão postados no final do artigo e tem depoimento de pessoas que vivem no regime durante várias décadas. Podemos destacar o depoimento de um medico que para sobreviver – pois seu salário não é o suficiente nem pra comprar a cesta básica – precisa trabalhar como garçom. Ele se demonstra o tempo todo contra o regime, porém ele se diz um reacionário passivo, pois tem medo do que possa acontecer. Muitos lá vivem como ele.

Apesar da revolução comunista, lá existem sim classes sociais. Há pessoas que são mais beneficiadas pelo governo do que as outras e há também as pessoas que por não aguentarem a falta de perspectiva para o futuro, arriscam sua vida tentando entrar em outros países, principalmente os Estados Unidos. Chegando nesses outros países e tendo a oportunidade de ter uma vida melhor, ou pelo menos sem uma miséria absoluta, esses fugitivos enviam dinheiro pra seus familiares que ficaram em Cuba. Para que não fique mais nítida a divisão de classes no país, a sua população é proibida de comprar carros, por exemplo.

No vídeo há também o depoimento de uma senhora que trabalha voluntariamente para o governo como uma espécie de “dedo-duro” de pessoas que vão contra o regime. Podemos observar que muitos, mesmo com uma profissão, vivem na miséria. Há informações vinculadas na imprensa internacional que até as universitárias cubanas precisam se prostituir para garantir ao menos um prato de comida. Mas segundo Fidel Castro: “Não são as universitárias cubanas que são prostitutas, são as prostitutas cubanas que tem nível universitário.” Isso seria cômico, se não fosse tão sujo.

Para manter o regime por tantas décadas, o governo dispõe de fortes propagandas estatais por todos os meios de comunicação possíveis a fim de dominar ideologicamente a população. Nessas propagandas o nacionalismo exacerbado é incentivado e sobretudo o ódio aos Estados Unidos, que é a nação que o governo cubano considera como seu maior inimigo, é incitado. Pode-se perceber que a obediência a Fidel, pela maioria das pessoas não vêm pelo seu carisma (se é que ele tem algum), mas sim pelo medo que ele causa na população. Vendo esse vídeo lembra-se de Maquiavel que diz que é muito melhor ser temido a ser amado.

O regime também se sustenta devido a grande dependência que o povo tem do Estado. Só que em contraponto, as pessoas não enxergam que são eles que sustentam a nação, já que trabalham demais e praticamente em troca de nada. No Brasil podemos pegar como exemplo os programas assistenciais do Governo Federal, que já renderam aos candidatos de esquerda anos a fio de poder e sabe-se lá por mais quantos anos essa população miserável e totalmente dependente, que em vez de reivindicar emprego e educação contentando-se com o Bolsa Família, ainda irá deixá-los no poder. Tive uma professora de Ciências Políticas que chamava o programa de “Bolsa Esmola” em alusão ao Programa Inicial chamado “Bolsa Escola” criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o qual Lula rebatizou ficando com o mérito da criação.

Apesar da dependência do Estado, ao contrário do que pensa o senso comum, lá nada é assegurado. Não se sabe o dia de amanhã. A população simplesmente não tem mais esperança e nem nutre sonhos. Diferente de 20 anos atrás quando eles ainda tinham a ilusão de que o futuro era seguro. Grande parte da população se sente aflita e deprimida.

Como foi dito anteriormente, há algumas pessoas que por ter um trabalho extra, ou por ter parentes que mandam dinheiro, podem se dar ao luxo às vezes de comprar alguma coisa. Porém, como no país quase tudo (ou será que tudo?) é proibido, as pessoas se veem obrigadas a obter algumas mercadorias através do mercado negro pagando bem mais caro por elas.

Apesar de tudo isso, há uma passividade quase que geral da nação, pois estes têm medo de ir contra o regime e receber várias punições, que podem ir de prisão, tortura e muitas das vezes até a morte. Então há uma categoria de pessoas lá que se consideram reacionárias, porém são como já ditos anteriormente, passivos. E isso coopera para que esse regime nunca seja derrubado. As pessoas morrem de medo de serem filmadas, por exemplo.

No segundo e no terceiro vídeo é entrevistada uma senhora, como já dito anteriormente, que trabalha voluntariamente para o governo. O nível de alienação dela é tão grande e sua adoração a Fidel é tamanha que beira a loucura. Segundo sua teoria, o país só é pobre porque quando houve a revolução, as pessoas ricas foram embora do país. Ela não consegue enxergar que o país é miserável porque o governo se apodera de tudo que eles produzem. Porém pelo que pude perceber do vídeo, essa senhora é tão fanática pelo regime porque sua família é beneficiada por ele. Ela parece fazer parte da chamada “classe privilegiada”.

Uma coisa importante é que lá, apesar de depoimento da mesma de que o estudo é gratuito e para todos, existe gente que é obrigada a tirar seus filhos da escola, pois não têm condições financeiras de arcar com o transporte. Lá existem todas as despesas de um país capitalista, porém as pessoas não tem como arcar com as mesmas.

A entrevista termina como já era esperado, com a prisão dos brasileiros que estavam produzindo o vídeo. A polícia foi chamada pela própria senhora que trabalha por governo. Os entrevistadores foram interrogados pela POLÍCIA IDEOLÓGICA e só foram liberados após pedirem pra entrar em contato com a embaixada brasileira.