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De uns tempos para cá, o funcionalismo público entrou na mira do cidadão brasileiro. Os motivos? Estão na ponta da língua de qualquer um: benefícios, indo desde estabilidade aos salários. Infelizmente, o brasileiro já está atolado no pensamento concurseiro, em que a meta a ser alcançada é virar funcionário público.

Todos podem querer uma vida melhor. Todos podem muito bem traçar metas pessoais e profissionais. O porém dessa história no Brasil é que aqui a opção do funcionalismo cresce cada vez mais e isso não é meramente uma questão pessoal, pois envolve toda a sociedade, já que pagamos impostos e financiamos o Estado, que se torna um empregador que não paga com recursos próprios.

Por que as pessoas visam o funcionalismo público como uma opção ao setor privado? Porque ali elas podem conquistar algo relativamente bom que, analisando friamente, é simplesmente injusto. Se o setor privado está se tornando ruim profissionalmente para o trabalhador, que sejam vistos os motivos disto então.

Setor privado x Setor público

Uma alta quantia das pessoas que anseiam por um ingresso no funcionalismo público o querem por uma “boquinha”. Bons salários e estabilidade estão no topo da lista de prioridades. Mas quem paga a conta? Segundo o economista francês Frédéric Bastiat, “o Estado é a grande ficção na qual todos querem viver às custas de todos.” Como nem todos somos funcionários do Estado (ainda bem), temos que acabar por financiar com impostos o visado setor público.

Muitas vezes, é dito que o setor privado paga mal e que é mais instável, com o famoso “corte de gastos” existindo, sempre tirando o emprego de muitos trabalhadores. Porém, isso não existe porque o setor privado é intrinsecamente mau ou ineficiente. Muito pelo contrário, aliás. O setor privado, além de ter que se sustentar, tem que sustentar, também, o setor público. Imagine se fosse o contrário; imagine por um momento o setor público se sustentando e, também, o setor privado.

Um dos problemas é a mão-de-obra realocada de forma completamente improdutiva. Como dito acima, muitos querem apenas um emprego que pague bem e seja estável. Ponto. Nisso, podemos incluir cargos como “auxiliar do secretário do deputado estadual Zeca” ou então o “assistente do secretário da seção Y do Ministério da Pesca”. O trabalho de todos esses funcionários não agrega em nada à economia. Não existe uma demanda por esses serviços. São funções que apenas cumprem com a burocracia municipal, estadual ou federal e nada com um desenvolvimento de uma economia produtiva. Aliás, por muitas vezes, a  função desempenhada é colocar em prática burocracias que apenas atrapalham o setor privado, o que é ainda pior, pois não obstante não agregar em nada, as vezes também são colocados entraves aos produtivos. Caso essas pessoas trabalhassem no setor privado em algo realmente demandado pelos consumidores o trabalho neste setor tenderia a ser mais simples, devido ao maior número de pessoas em funções produtivas na economia.

Além do fator trabalho que não contribui com nada, existe o problema financeiro. Esses funcionários não estão lá fazendo trabalho voluntário, estão sendo remunerados para isso. Via de regra, muito bem remunerados, inclusive. Os profissionais da Advocacia da União, por exemplo, recebem salários entre R$ 14,5 mil, no início de carreira, e R$ 19,5 mil, no topo. Mas não para por aí, já que agora querem ser equiparados à magistratura e ao Ministério Público, instituição com remunerações que chegam a R$ 26 mil. Dessa forma, escassos recursos financeiros que eram do setor privado estão sendo realocados para serviços que não estão sendo demandados. Logicamente, recursos que seriam utilizados para serviços mais produtivos e demandados pelo consumidor no setor privado se tornam cada vez mais escassos, levando às situações como os famosos cortes de gastos. Além disso, o serviço público torna-se mais ineficiente, pois sem um sistema racional de lucro e prejuízo a própria prestação do serviço não existirá de forma satisfatória.

Agora, para piorar, greves de funcionários públicos federais, que querem (ainda) maiores salários. Você, que acorda cedo para receber um salário que julga não ser lá muito suficiente, lembre-se desses casos. É isso que o cidadão brasileiro quer? Uma artificialidade, uma ficção, como ensinou Bastiat, que é destrutiva para a economia?