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Continuando o estudo da obra de Juan Bautista Alberdi, La Omnipotencia del Estado es la Negación de la Libertad Individual (A Onipotência do Estado é a Negação da Liberdade Individual). Nesta seção, Alberdi enfatiza como o espírito patriótico na América do Sul serviu apenas para atrasar os povos americanos em termos de progresso sócio-econômico lhes deixando em troca apenas uma coleção de estátuas eqüestres, hinos e caudilhos.

Outro dos grandes inconvenientes da noção romana de Pátria e patriotismo para o desenvolvimento da liberdade é que como a pátria era um culto religioso em sua origem, ela engendrava o entusiasmo e o fanatismo, ou seja, o calor e a paixão que cegam.

Daí nossos cantos à Pátria, entendidos de um modo místico, que remontam aos cânticos religiosos do patriotismo antigo e pagão.

O entusiasmo, disse a livre Inglaterra pela pena de Adam Smith, é o maior inimigo da ciência, fonte de toda civilização e progresso. O entusiasmo é um veneno que, como o ópio, faz fechar os olhos, e cega o entendimento; contra ele não há melhor antídoto que a ciência, diz o rei dos economistas.

Na América do Sul, envenenada com este tóxico, o entusiasmo é uma qualidade recomendável, longe de ser uma enfermidade perigosa.

A liberdade é fria e paciente, de temperamento racional e reflexivo, não entusiasta, como demonstra o exemplo dos povos saxões realmente livres. Os americanos do Norte, como os ingleses e os holandeses, tratam seus negócios políticos, não com o calor que inspiram as coisas religiosas, mas como o mais prosaico da vida, que são os interesses que a sustentam. Jamais seu calor moderno chega ao fanatismo.

O entusiasmo engendra a retórica, o luxo da linguagem, o tom poético, que vai tão mal aos negócios, e todas as violências da frase, precursoras das violências e tiranias da conduta.

Nestas pompas sonoras da palavra escrita e falada, que é peculiar do entusiasmo, desaparece a ideia, que só vive da reflexão e da ciência fria.

Comentário: Resumidamente, a exaltação patriótica hoje comum na esquerda sul-americana (“socialismo do século XXI”) é uma boa promotora de discursos inflamados, conflitos partidários, hinos, livros, artes e poesias revolucionárias… mas estéril na produção de resultados práticos para os cidadãos sul-americanos em termos de progresso sócio-econômico.

Daí decorre que os americanos do Norte, os ingleses e os holandeses não conhecem esta poesia patriótica, esta literatura política, que se exala em cantos de guerra, que intimidam e afugenta a liberdade em vez de atraí-la. Os americanos do Norte não cantam a liberdade, mas a praticam em silêncio.

A liberdade para eles não é uma deidade, é uma ferramenta ordinária como o pé-de-cabra e o martelo.

Liberdade não precisa de líderes messiânicos, passeatas, bandeiras e estátuas. É uma ferramenta simples e que pode ser facilmente obtida quando um povo o quer: basta assumir para si os poderes que o governo quer tomar.

Tudo o que falta à América do Sul para ser livre como os Estados Unidos é ter o temperamento frio, pacífico, manso e paciente para tratar de resolver os negócios mais complicados da política, que também o são para os ingleses e os holandeses, o que não exclui o calor às vezes, mas não vai jamais até o fanatismo que cega e extravia. A França entra na liberdade a medida que contrai este temperamento realmente viril, ou seja, frio.

Comentário: Desde que os socialistas e esquerdistas em geral perceberam que ninguém caia na velha retórica truculenta e passaram a incorporar vocabulário liberal ou conservador na sua retórica (palavras como democracia, liberdade, soberania nacional), muitos deles tem exaltado a liberdade como uma deidade alcançável somente através do socialismo. O fato é que a liberdade é uma coisa simples e que pode ser alcançada somente pela redução das atribuições e poderes do Estado.

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