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Quando se discute com socialistas, quase sempre eles apresentam Cuba como um modelo a ser seguido. Talvez porque tenham perdido as esperanças com Coréia do Norte, Laos, Vietnã ou a China “vendida” ao capitalismo.

Para fazer de Cuba um modelo, é necessário primeiramente reduzir a qualidade de vida de um ser humano àquilo que ele pode consumir: comida, água, habitação, etc. Partindo deste ponto, temos a conclusão lógica de que se uma pessoa tem o mínimo necessário de comida, educação e saúde, então ela tem qualidade de vida. Exclua deste cálculo absolutamente toda e qualquer liberdade de expressão, de imprensa, de associação, de ir e vir, etc. A isto chamamos “liberdade da necessidade”, que é o conceito esquerdista de liberdade. Nada a ver com viver para si, busca da própria felicidade e ausência de coerção. Basicamente é assumir que, se um senhor de escravos provê comida, habitação e vestuário aos seus escravos, então estes são “livres”.

A bandeira alardeada é o IDH Cubano. Sobretudo o índice de educação, no qual o país se destaca realmente como o “melhor” da América Latina. No entanto há alguns problemas com relação ao IDH que serão abordados aqui.

Em primeiro lugar, o IDH de Cuba não pode ser calculado com precisão por um problema técnico: o governo cubano não permite que instituições independentes avaliem o país. Todos os dados são invariavelmente fornecidos pelo governo, e este não fornece dados confiáveis sobre renda, que é uma variável do cálculo. Sem a variável renda, o IDH não pode ser calculado. A alegação oficial é que, como o governo provê tudo, ou praticamente tudo, que o cidadão poderia comprar, logo o seu salário é reduzido.

Em segundo lugar, é um erro afirmar que a ilha supera em qualidade de vida seus vizinhos americanos. Muitos países ou estados americanos que se comparam à Cuba em tamanho da população tem uma qualidade de vida superior. É o caso das divisões administrativas brasileiras do Paraná, Rio Grande do Sul e Bahia e cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Buenos Aires e Bogotá, e de países menores como o Chile e o Uruguai.

Se pegarmos a avaliação do IDH dos estados brasileiros realizada pelo UNDP em 2005, veremos que muitos estados brasileiros apresentam um IDH superior ao de Cuba no mesmo ano. O Rio de Janeiro é um deles. Podemos dizer que o Rio de Janeiro em 2005, com um IDH de 0.832 (em contraste com os 0.681 de Cuba no mesmo ano) tinha uma excelente qualidade de vida? Podemos afirmar que o Rio de Janeiro em 2005 tinha uma qualidade de vida superior à do Chile do mesmo ano, que contabilizava 0.779 no índice de desenvolvimento humano? Não tenho tanta certeza.

Acredito que o método “FarmVille” de calcular a qualidade de vida só pelos índices de educação, saúde e renda seja muito grosseiro. Qualidade de vida é ter ração todo dia, ter um galinheiro onde dormir e serviço veterinário? Acho que qualidade de vida vai muito além disso e engloba uma série de coisas que não são abordadas neste índice, como a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, de culto, de associação, etc.

Mas, o IDH é o que temos. Como a última avaliação dos estados brasileiros a que tive acesso foi feita em 2005, vou postar aqui uma comparação simples entre os índices de desenvolvimento humano de estados brasileiros e países sul-americanos, incluindo Cuba. Os números relacionados à população brasileira são do censo de 2010 realizado pelo IBGE. O total da população brasileira segundo este último censo é de 185.712.713. Com relação às populações de outros países latinos, as fontes são os institutos nacionais de estatística e, quando não disponíveis estas informações o Factbook da Central de Inteligência Americana.

Se fôssemos selecionar o TOP 10 do ranking de IDH, ficaria assim:

Todas as dez primeiras posições são ocupadas por estados brasileiros. São nada mais nada menos que 115,4 milhões de pessoas,todas brasileiras, o que representa mais de 62% da população brasileira. Nada de Cuba por enquanto.

Vamos adicionar mais 10 e ficar com o TOP 20:


Mais 6 estados brasileiros, totalizando 16. São agora 125,6 milhões de brasileiros contabilizados. Ou seja, 67,7% da população brasileira. Entram Argentina, Bahamas, Barbados e Chile. Se somarmos a população destes países (57,3 milhões) aos estados já contabilizados, temos 183 milhões de pessoas na América Latina. Nada de Cuba ainda.

Vejamos os próximos 10 para fechar o TOP 30:


Pausa. Mais 5 estados brasileiros entram no ranking. São 21 agora, somando uma população de 152,6 milhões de brasileiros… ou seja, 82,2% da população brasileira. Se somarmos os outros felizes latino-americanos vivendo melhor que os cubanos – algo em torno de 177,5 milhões – temos um total de cerca de 330 milhões de pessoas. É mais do que a população dos Estados Unidos.

Cuba aparece ali no 30º lugar, logo abaixo de Trinidade e Tobago. Veremos agora os que, de acordo com o índice de desenvolvimento humano da ONU, tem o infortúnio de viver “pior” do que os cubanos:

Entram ali as outras 6 divisões administrativas do Brasil. Dá um total de 33 milhões de brasileiros, 17,8% da população. Os outros povos que estão na lista somam uma população de 196,6 milhões. Com os brasileiros, são 229,6 milhões. Somados os cubanos, são 240,9 milhões.

Analisamos então 54 unidades políticas, que englobam quase todos os países da América Latina, mais o Brasil dividido em unidades federativas. São 571,1 milhões de pessoas, das quais 57,8% vivem melhor que os cubanos.

Em azul, regiões com IDH maior que o Cubano.

Resumindo:
1) O IDH cubano é mediano dentro do contexto latino-americano. Países grandes como o Brasil, ou mesmo o México, acabam passando uma visão distorcida do seu desenvolvimento por causa da disparidade entre as suas regiões: a média que resulta do cálculo pode iludir.

2) A impressão de que as 185 milhões de pessoas vivendo no Brasil tem uma qualidade de vida inferior àquela dos 11,2 milhões habitantes de Cuba é falsa: 82% da população brasileira desfruta de um IDH mais alto do que o de Cuba.
É este o modelo que propõem? Piorar a vida de 82% da população apenas para reduzir a desigualdade relativa, em vez de preocupar-se com a pobreza absoluta?

3) Mais da metade da população latino-americana vive melhor que os cubanos. O número de sul-americanos vivendo em áreas com qualidade de vida superior à cubana excede a população dos Estados Unidos: 330 milhões de pessoas.

Mas o mais importante, ainda assim, é enfatizar que educação, saúde e renda não são os definidores absolutos da qualidade de vida de um povo. Há uma série de fatores importantes que este índice não aborda: liberdade de expressão, de culto, de imprensa, de ir e vir, de fazer negócios, etc. Um homem livre tem mais qualidade de vida que o escravo bem alimentado, sem dúvidas. É o caso dos uruguaios, costarriquenhos, chilenos, jamaicanos, panamenhos, colombianos, peruanos, salvadorenhos, paraguaios, guianenses, surinameses, bahamenses, barbadenses…

FONTES E REFERÊNCIAS:


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