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Continuando o estudo da obra de Juan Bautista Alberdi, La Omnipotencia del Estado es la Negación de la Libertad Individual (A Onipotência do Estado é a Negação da Liberdade Individual). Alberdi elucida como o antigo patriotismo municipal é destruído pelos interesses partidários, sendo subjugado pelo nacionalismo ou patriotismo nacional.

Em meio às mudanças que se produziram nas instituições, nos costumes, nas crenças, no direito, o próprio patriotismo mudou sua natureza, e esta é uma das coisas que mais contribuíram aos grandes progressos de Roma.

Não devemos esquecer o que foi o sentimento do patriotismo na primeira era das cidades gregas e romanas. Formava parte da religião daqueles tempos; se amava à Pátria porque se amava a seus deuses protetores, porque nela se achava seu altar, um fogo divino, festas, plegárias, hinos, e porque fora da Pátria não havia nem deuses nem culto. Tal pátrio-sistema era uma fé, um sentimento piedoso. Mas quando a casta sacerdotal perdeu seu domínio, esta classe de patriotismo desapareceu da cidade com ele. O amor da cidade não pereceu, mas tomou uma forma nova.

Não se amou mais à Pátria por sua religião e seus deuses: amou-se à ela somente por suas leis, por suas instituições, pelos direitos e a segurança que ela garantia a seus membros.

Este patriotismo novo não teve os efeitos daquele dos velhos tempos. Como o coração não se apegava mais ao altar, aos deuses protetores, ao solo sagrado, mas unicamente às instituições e às leis, que no estado de estabilidade em que todas as ideias se encontravam então mudavam frequentemente, o patriotismo se tornou um sentimento variável e inconstante, que dependia das circunstâncias e estava sujeito a iguais flutuações que o próprio governo.

Não se amou mais a Pátria, mas se amava o regime político que prevalecia nela na época. O que achava más as suas leis não tinha mais vínculo que o apegasse à ela.

Em meio à turbulência política, os interesses partidários antecedem o respeito aos direitos dos concidadãos e mesmo aos bens públicos. Para instaurar um modelo político, vale quebrar tudo, paralisar serviços públicos, agredir opositores ou buscar auxílio exterior para suprimir a dissidência interna. O resultado é uma sociedade com Síndrome de Soldado: marchas, bandeiras, broches e uniformes transformam a política numa briga de torcidas onde ganha quem tem os hooligans mais agressivos.

O patriotismo municipal se debilitou desse modo e pereceu nas almas. A opinião de cada um lhe foi mais sagrada que sua Pátria, e o triunfo de seu partido lhe veio a ser mais querido que a grandeza ou glória de sua cidade. Cada um veio a preferir antes de sua cidade natal, se ali não achava as instituições que amava, a tal outra cidade em que via estas instituições em vigor. Então se começou a emigrar mais voluntariamente, se temeu menos o desterro. Já não se pensava nos deuses protetores e se acostumavam facilmente a separar-se da Pátria.

Buscou-se a aliança de uma cidade inimiga para fazer triunfar seu partido na própria.

Poucos gregos havia que não estivessem prontos a sacrificar a independência municipal para ter a constituição que preferiam.

Comentário: Alberdi explica aqui como na Antiguidade abandonou-se a religião civil de culto às cidades-estado e passou-se a valorizar mais as instituições, as leis, o modelo de governo. De tal modo que os interesses partidários flutuavam junto com o próprio patriotismo. É algo análogo ao que vemos hoje: o cidadão que amaria seu país se ele fosse socialista, mas o odeia tal qual ele é e não exitaria de apoiar seus inimigos se isso significasse a implantação do modelo de governo desejado.

Quanto aos homens honestos e escrupulosos, as dissensões perpétuas de que eram testemunhas lhes davam desgosto do regime local ou municipal. Não podiam, em efeito, gostar de uma forma de sociedade em que era preciso bater-se todos os dias, em que o pobre e o rico estavam sempre em guerra.

Começava-se a sentir a necessidade de sair do sistema municipal para chegar a outra forma de governo que o da cidade ou local. Muitos homens pensavam, ao menos, em estabelecer mais acima das cidades uma espécie de poder soberano que velasse a manutenção da ordem e que obrigasse estas pequenas cidades turbulentas a viver em paz.

E agora, quem poderá nos defender? Os líderes messiânicos sempre estão lá para “por ordem na casa” e usar a onipotência do Estado para esmigalhar as liberdades individuais.

Na Itália não acontecia de outro modo como em Roma.

Esta disposição centralista dos espíritos fez a fortuna de Roma, disse De Coulanges. A moral da história deste tempo é que Roma não teria alcançado a grandeza que a pôs à frente do mundo, se não tivesse saído do espírito local ou municipal, e se o patriotismo nacional não tivesse substituído o patriotismo local ou provincial.

Assim se desenhavam duas mudanças no prospecto da humanidade, que deveriam conduzir ao conceito de uma autoridade nacional e suprema, mais alta que a do estado municipal e que a liberdade do homem face à da Pátria e do Estado, como formando um contraforte de seu edifício.

Comentário: Por fim, a agitação política e partidária, feita para governos temporários, gerou a manipulação de massas eleitoras. O jogo “dos ricos contra os pobres”, “dos brancos contra os negros”, “dos homens contra as mulheres” como vemos hoje. Primeiro, os políticos dividem as pessoas em classes conflitantes. Do conflito instaurado entre eles, colhem o medo e a oportunidade de instaurar um regime mais “forte” e centralizador.

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