A teoria do valor e o mito da mais-valia

por  João Luiz Mauad

O preço de venda de qualquer bem depende da avaliação subjetiva que tanto compradores quanto vendedores fazem dele, e não apenas do custo de produção nele embutido e, muito menos, do tal “valor-trabalho”.

Adam Smith e David Ricardo lançaram, nas suas investigações econômicas, os fundamentos da teoria do valor-trabalho. Marx continuou sua obra. Fundamentou com toda precisão e desenvolveu de forma conseqüente aquela teoria. Mostrou que o valor de qualquer mercadoria é determinado pela quantidade de tempo de trabalho socialmente necessário investido na sua produção.

Vladímir Ilitch Ulianov, dito Lênin

É quase impossível acreditar que dois dos maiores gênios que a ciência econômica já conheceu estiveram na raiz de toda essa baboseira teórica chamada “mais-valia”. Por mais inverossímil que pareça, no entanto, quanto a isso não há em que desmentir o maestro do bolchevismo, autor da epígrafe. Marx realmente apoiou a sua tese fundamental sobre as teorias dos dois economistas clássicos, torcendo e contorcendo argumentos à exaustão, evidentemente, como era do seu feitio.

Naquela época, a maioria dos economistas acreditava que os bens valiam o quanto custava para produzi-los, ou seja, tinham um valor intrínseco. Muito embora Adam Smith tenha partido de um “insight” perfeito, quando inferiu que o trabalho é o meio que tem todo indivíduo para alcançar o verdadeiro fim, ou seja, o consumo das coisas que lhe garantirão o bem-estar, sua dedução sobre o “valor real” dos bens como função exclusiva do “valor-trabalho” neles embutido estava obviamente equivocada, dentre outras coisas, por desconsiderar fatores como as diferenças de produtividade do trabalho ou as preferências individuais.

(Aliás, se o estimado leitor me permite uma rápida digressão, o erro de Smith e Ricardo só vem comprovar aquilo que muitos já sabem, mas que outros tantos ainda insistem em recusar: nenhum homem, por mais sábio que seja, estará certo 100% do tempo. Nem mesmo os maiores filósofos e os melhores cientistas estão imunes ao erro. Alguns acertaram mais do que erraram e outros estiveram equivocados quase o tempo todo. A ciência é uma obra em permanente construção, em que a dúvida e a investigação têm papel decisivo, cabendo aos estudiosos que se debruçam sobre ela separar o joio do trigo e fazê-la evoluir. Nesse contexto, não se pode, por exemplo, considerar a obra de Marx uma completa “nulidade”, malgrado ela carregue em seu bojo uma imensidão de equívocos. “O Capital”, principalmente, traz algumas contribuições ao pensamento econômico, notadamente em relação à história do capitalismo ainda em seus primórdios. O que não dá é para transformar uma obra que já se provou ultrapassada em Bíblia de economia, como é feito amiúde nas nossas universidades.)

Segundo a Teoria do Valor-Trabalho, os objetos possuem valores intrínsecos relacionados com o seu esforço de produção. Assim, o valor de um carro é o de seu custo de produção, e o valor do metal e da borracha empregados na produção do carro é o de seu custo de produção, e assim sucessivamente numa relação de causa-efeito infindável que nos remete aos tempos da pedra lascada.

Mas, voltando à mais-valia, mais incrível ainda do que o erro dos economistas clássicos é constatar que há, em pleno século XXI, certos “intelequituais” que nunca ouviram falar da teoria marginalista ou em valoração subjetiva, e continuam apostando todas as fichas numa extemporânea luta de classes, apoiada no suposto antagonismo entre capital e trabalho, burguesia e proletariado, cuja gênese está justamente na tese espúria da “mais-valia” e sua idiota interpretação de que o lucro não é outra coisa senão a exploração do trabalho, quando na verdade ele é fruto da satisfação do consumidor e da eficiência empresarial.

Foram os liberais austríacos que derrubaram a teoria do valor-trabalho de Smith e Ricardo, demonstrando, por tabela, que a base sobre a qual Marx ergueu a tese da mais-valia e tudo que dela deriva, inclusive – e principalmente – a existência de um conflito de classes inexorável (que povoa ainda hoje os sonhos revolucionários de um monte de gente), é uma tremenda furada. A “revolução” austríaca está, basicamente, no “insight” de que a pedra angular da teoria econômica é a avaliação (individual) subjetiva. Fiquemos com uma síntese de Murray Rothbard:

A ciência econômica não trata das coisas ou dos objetos materiais. Ela analisa os atributos lógicos e as conseqüências da valoração individual. Evidentemente, as “coisas” fazem parte do problema, já que não pode haver valoração sem que existam objetos a serem valorados. Entretanto, a essência e a força propulsora da ação humana – e, portanto, do mercado – são as avaliações dos indivíduos. A ação humana é resultado de escolhas entre alternativas, que refletem valores, ou seja, preferências individuais.

Resumidamente, o que os austríacos fizeram foi demonstrar que o valor de troca dos bens é função de parâmetros outros, que não apenas os custos diretos dos mesmos e, muito menos, a quantidade de trabalho neles embutida, como inferiu equivocadamente Adam Smith. Dentre outras coisas, mostraram que, se o valor dos bens dependesse exclusivamente do seu custo, circunstâncias como escassez, abundância, utilidade ou preferências subjetivas não teriam qualquer relevância na formação do valor de troca e, conseqüentemente, nos preços dos bens. Um diamante bruto, achado ao acaso, por exemplo, jamais poderia valer mais do que, digamos, um par de sapatos ou uma bisnaga de pão.

O valor subjetivo que atribuímos às coisas varia em função de diversas circunstâncias, como clima (invernos amenos costumam fazer encalhar coleções inteiras), estado psicológico do consumidor (euforia ou depressão), etc. Quem nunca notou, por exemplo, que é muito mais difícil resistir àqueles lindos salgados da vitrine de qualquer boa padaria antes do almoço do que depois dele? Por conta desse detalhe simples, famílias precavidas e econômicas estabelecem como norma que as compras do supermercado sejam feitas somente de barriga cheia, a fim de evitar que as guloseimas expostas nas prateleiras se transformem em tentações irresistíveis.

Ademais, se a satisfação do comprador ou a escassez de determinado produto não tivessem qualquer interferência na formação do valor de troca, como desejava Marx, nenhuma empresa jamais teria problemas para vender seus produtos, bastando ofertá-los no mercado a preço de custo, mais uma módica margem de lucro e os clientes fariam fila na sua porta. Até mesmo a venda de geladeiras para esquimós seria possível e lucrativa, já que as necessidades e preferências do consumidor não teriam qualquer peso.

Partindo da premissa de que havia um componente subjetivo na formação de valor de todos os bens, os economistas austríacos desenvolveram também o que se convencionou chamar de “teoria marginalista”, ou “lei da utilidade marginal decrescente”, a qual, resumidamente, estabelece que “cada unidade extra de um determinado bem proporciona menor benefício subjetivo que a unidade anterior”. Imagine um homem perdido no meio do deserto, sedento e cansado. Ele provavelmente seria capaz de pagar uma fortuna ao primeiro “capitalista” que aparecesse em seu caminho para vender-lhe uma simples garrafa de água gelada, mas não pagaria o mesmo valor por uma segunda e assim sucessivamente.

“Os Marginais” Jevons, Menger e Walras, economistas que defenderam a teoria da utilidade marginal e lideraram a “Revolução Marginalista” da Economia.

Em resumo, o preço de venda de qualquer bem depende da avaliação subjetiva que tanto compradores quanto vendedores fazem dele, e não apenas do custo de produção nele embutido e, muito menos, do tal “valor-trabalho”. Se entro numa loja e compro um par de sapatos é porque valorizo mais o produto do que o dinheiro pago por ele, enquanto o comerciante valoriza mais o dinheiro do que a mercadoria. Quem quer que já tenha precisado vender com urgência um bem de menor liquidez (imóvel, veículo, etc.) sabe que o valor que atribuímos a ele se reduz à medida que o tempo se esgota.

De tão óbvias e elementares que são as evidências acima, a impressão que se tem é que os acadêmicos marxistas e sua profusão de acólitos são viajantes do tempo. É como se eles não fossem do presente, mas seres do passado. Em matéria de economia, estão ainda na pré-história. Comparando com a astronomia, por exemplo, eles seriam de uma era anterior a Galileu.

Artigo publicado originalmente no site Mídia Sem Máscara. Para ler o artigo original, clique aqui.

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24 comentários em “A teoria do valor e o mito da mais-valia”

  1. Produzir uma bermuda pode ser bem mais trabalhoso e demorado do que um gorro de lã. Mas agora pense em um morador do norte da Rússia ou do Canadá (se bem que nem precisa ser lá muito ao norte…). Para um cidadão dessas regiões frias, um gorro de lã é infinitamente mais valioso do que uma bermuda, que pode demorar todo o tempo do mundo para ser produzida, mas que não tem utilidade nessas condições.

    Agora para alguém que reside no Caribe ocorre o inverso, pois o mesmo gorro de lã não tem quase nenhuma utilidade, enquanto uma bermuda cairia bem.

  2. Ou seja, as pessoas que visam o poder através dos meios de esquerda, acabam alienando a população (que todos nós já sabemos, além de ter uma péssima educação, também nao é chegada ao processo de conhecimento [buscar informação, processar a informação, formar sintese e consequentemente ter opinião]) se baseando em conclusões totalmente alienadas, por motivos óbvios.
    Se prevalecendo é claro pela falta de instrução e apatia cultural do brasileiro.Afinal, é mais cômodo acreditar no que já entregam “prontinho e mastigadinho” um conceito que “coincidentemente” atende aos seus desejos:ter vida boa sem esforço ( a boa e velha lei de Gérson…).
    Esses dias estava pegando onibus de manha pra ir ao serviço, e pra variar, onibus lotado.Um velho que ia descendo disse que o problema era “falta de vontade política”…Ou seja, tudo pro povo agora é falta de vontade política, mas ninguém reclama da “falta de vontade do povo”…curioso isso não?

  3. Chamar Marx de cientista é uma piada. Essa Mais-valia é mais uma de seu compilado de frases feitas engraçadinhas. Só o levam a sério porque há interesses nisso.

    O salário que o funcionário recebe é pequeno porque ele passa todos os riscos para o empregador. Se um funcionário ganha 1000,00, não importa que o empregador venha a falir, fique no ponto de equilíbrio ou se torne líder de mercado. Ganha-se apenas 1000,00. Aliás, o funcionário se dá bem até quando é demitido, pois recebe seguro desemprego e mais.

    Com isso, o cálculo é o mesmo que o valor de um seguro, onde a seguradora embolsa a maior parte.

  4. Argumentos facilmente contestáveis.

    Entender o Marx em seu contexto sócio histórico e utiliza-lo para fomentar reflexao acerca da realidade social realmente não é fácil. Tem que ler muito, nao apenas as frases…

    percebo o texto tendencioso, facilmente perceptível.

    cada qual pode fazer o seu, só nao se pode agregar valor a ele. pq isso ele nao tem.

    1. O contexto sócio-político de Marx era uma época em que ainda se acreditava em valor objetivo, premissa necessária para a Teoria da Exploração e claro, para o mito da mais-valia. Hoje, num mundo pós-Böhm Bawerk, pós redescoberta da Escola de Salamanca, pós-Hayek, etc, acreditar em mais-valia e teoria da exploração é um completo non-sense.

      1. Eu acho a perspectiva do texto demasiado positivista. Não entendo a mais valia como mito, ainda que acredite que a subjetividade do processo de produção/comercialização deva ser um elemento fundamental para a análise econômica.
        Ela existe no sentido de colocar a exploração do/da trabalhador/a numa posição de eixo para a geração do lucro. Indubtável que n fatores devem ser levados em conta antes de fazer a simplificação disto. Marx não tinha acesso aos dados que temos e, principalmente, não vivia num mundo demasiado capitalista. Viu a cerne de tudo isso e tentou rascunhar suas ideias.
        Agora colocá-lo numa lixeira, como faz o texto, é sim um completo non-sense.

        Veja a acumulação de capital por parte de grandes empresas. Pense no tamanho do patrimômio que estas conseguiram, compare-o com o PIB de países inteiros. Tente avaliar os 27 milhões de miseráveis em um país como o nosso e me diga que as críticas marxistas não fazem sentido…

        Veja, nao sou socialista. Não acredito na revolução marxista. Mas como historiadora, não posso negar a importância do seu pensamento para a compreensão da realidade capitalista.

      2. “Eu acho a perspectiva do texto demasiado positivista.”
        O que é irrelevante. Se eu achasse a perspectiva do texto muito socialista isto também não significaria que o que ele diz é falso.

        “Não entendo a mais valia como mito, ainda que acredite que a subjetividade do processo de produção/comercialização deva ser um elemento fundamental para a análise econômica.”
        Se considerarmos como mito uma tradição oral, um conto, uma narrativa carregada de valores emocionais e moralistas mas que nada tem a ver com uma realidade objetiva, a mais-valia é sim um mito. Em primeiro lugar porque é, no meio acadêmico e na economia popular, uma tradição arraigada. Em segundo lugar, porque é gatilho para toda uma série de sentimentos usados para a manipulação política como o sentimento de humilhação, a inveja ou a demonização das pessoas mais abastadas. Em terceiro lugar porque não enconta respaldo na economia moderna, que já provou que a valoração é feita pelo homem subjetivamente de acordo com seus desejos, valores, necessidades, etc. Não havendo portanto um valor objetivo para produtos, não pode haver exploração em termos quantitativos, mas somente no que diz respeito à violação de contratos ou de direitos humanos (como é o caso do trabalho escravo).

        “Ela existe no sentido de colocar a exploração do/da trabalhador/a numa posição de eixo para a geração do lucro. Indubtável que n fatores devem ser levados em conta antes de fazer a simplificação disto.”
        Na verdade ela não existe, posto que já foi refutada há mais de 100 anos. Ela só existe no campo ideológico, mitólogico-político, como força motriz do trabalhismo, do populismo, do sindicalismo e claro, do socialismo.

        “Marx não tinha acesso aos dados que temos e, principalmente, não vivia num mundo demasiado capitalista. Viu a cerne de tudo isso e tentou rascunhar suas ideias.
        Agora colocá-lo numa lixeira, como faz o texto, é sim um completo non-sense.”
        A obra de Marx não vai de todo para a lixeira. Aliás, ele deu grande contribuição para o empowerment e a descentralização. Mas a mais-valia, esta sim, que ele carregou desde Ricardo e Smith, vai para a lata da lixeira. Assim como o geocentrismo, o racismo científico ou o lamarckismo.

        “Veja a acumulação de capital por parte de grandes empresas. Pense no tamanho do patrimômio que estas conseguiram, compare-o com o PIB de países inteiros. Tente avaliar os 27 milhões de miseráveis em um país como o nosso e me diga que as críticas marxistas não fazem sentido…”
        Não fazem sentido. Uma empresa ser grande não tem a ver com exploração, mas com a sua capacidade de competir na satisfação de seus clientes e também de seus empregados, que podem trabalhar para a concorrência numa economia livre. A miséria é a condição nata do homem, assim como é nascer pelado, careca e sem dente. Enriquecer é um processo de aquisição e se num país as pessoas não enriquecem é sinal de que ou elas não estão conseguindo acumular, ou não estão conseguindo manter o que acumularam. Isto pode se dar por diversas razões, e na maioria das vezes estas não tem nada a ver com o McDonald’s ou a Hyundai. Pobreza é ruim, com certeza. Mas basta ver o quão pobres são os países que levaram Marx à sério para ver que ele com certeza não é a solução deste problema.

        “Veja, nao sou socialista. Não acredito na revolução marxista. Mas como historiadora, não posso negar a importância do seu pensamento para a compreensão da realidade capitalista.”
        A contribuição de Marx é pouquíssima para a compreensão do capitalismo (nome pejorativo que ele próprio inventou), na verdade. Talvez justamente por ser historiadora você tenha recebido doses extras de marxismo na Academia, motivo pelo qual exagera a importância do pensamento de Marx e provavelmente desconhece outros tantos que são mais importantes. E estes outros não são Smith, Keynes, Ricardo ou Say como comumente se expõe no ambiente acadêmico. Eu diria que é impossível compreender a natureza do ‘capitalismo’ sem ler um mínimo da Escola de Salamanca, de Turgot, de Menger, de Bawerk, de Mises, enfim, da Escola Austríaca de Economia. E não existe realidade capitalista. Realidade é uma só e podemos admitir que a psicologia humana, enquanto humana, tem certas regras universais. Estas regras universais subjacentes à mente humana contornam todas as nossas interações sociais. E uma destas regras é que cada pessoa valoriza cada coisa de uma maneira diferente, motivo pelo qual não existe valor objetivo para qualquer coisa. Este é o motivo pelo qual oferta e demanda flutuam, preços flutuam, poupança e gasto flutuam, etc. E este é o motivo pelo qual o core da teoria de Marx, a refutada mais-valia, é o suficiente para acabar com praticamente todo o resto.

      3. A miséria é a condição nata do homem, assim como é nascer pelado, careca e sem dente

        A fome, a pobreza, a falta de educação, de emprego, são inerentes a condição humana? de quais humanos vc ta falando?

        Quando lia sobre o neoliberalismo, ou os defensores do capitalismo como única forma de organizar uma economia e, principalmente, que defendiam uma pseudo liberdade econômica e regulação do mercado por si, sempre acreditei que no fundo elas nao pensavam assim.

        Pra mim, meu caro, não há condição inerente. Todas elas são construídas, criadas, reguladas. Criamos a miséria pq não há grandes empresas sem que ela exista. As grandes empresas nada tem a ver com a miséria? O dinheiro por elas apropriado sustentaria milhões de famintos.

        Mas a vc nao vale o humano. Vale a competição, o mercado, a ganancia. Pra vc o faminto é não enriquece pq nao quer,,,

        Creio que nada pode superar a necessidade de condições minimamente iguais de vida à quaisquer seres humanos. A mim, nada, absolutamente nada justifica a desigualdade. Pq ela foi inventada e é defendida com unhas e dentes pelos que dela se beneficiam.

        Antes de fazer mestrado dei aulas em projetos sociais e via mulheres, filhas do tráfico, que não tinham um única refeição pra dar pras sua filhas, com marido machucado, recebendo um 270 reais por mes de bolsa familia. Trabalhadores informais ganhando 12 reais pra trabalhar o dia todo. Isso é desumano, na minha visão.

        Se pra vc isso é inerente, o debate acaba aqui.

        PS. Fiz história na UNESP em Assis, a menos marxistas de todas as estaduais de SP.

      4. “A fome, a pobreza, a falta de educação, de emprego, são inerentes a condição humana? de quais humanos vc ta falando?”
        Todos. Humanos nascem sem comida na prateleira, sem instrução, sem emprego, etc. Eles adquirem isso ao longo da vida e legam para seus descendentes. O estado natural do homem é a mais absoluta pobreza.

        “Quando lia sobre o neoliberalismo, ou os defensores do capitalismo como única forma de organizar uma economia e, principalmente, que defendiam uma pseudo liberdade econômica e regulação do mercado por si, sempre acreditei que no fundo elas nao pensavam assim.”
        1 – Não existe neoliberalismo. Tal escola econômica ou política simplesmente inexiste. No campo econômico existe a Escola Austríaca e a Escola de Chicago. No campo da política existe o libertarianismo e o liberalismo clássico, entre outros.
        2 – Não existe forma única de organizar a economia, e é por isso que a liberdade econômica necessita existir: para que vários modelos possam ser testados e postos em relação uns com os outros ao mesmo tempo.
        3- O que chamamos Mercado, ao contrário do Estado, não é uma instituição com membros, representantes e porta-vozes. O Mercado é uma abstração para as interações econômicas entre todas as pessoas numa economia livre.

        “Pra mim, meu caro, não há condição inerente. Todas elas são construídas, criadas, reguladas.”
        Mágica não existe. Nem tudo é criado por palavras e conceitos inventados pela mente humana. O sexo, por exemplo, é natural. A maternidade, por exemplo, é natural. A pobreza, por exemplo, é natural. Enriquecer é um processo de acumulação de propriedade. Humanos vieram ao mundo tão pobres quanto bugios ou cães. Mesmo o mais miserável dos humanos hoje nasce com mais propriedades do que qualquer animal, e trabalha para que esta aumente e ele possa legar a seus descendentes vida mais confortável.

        “Criamos a miséria pq não há grandes empresas sem que ela exista.”
        Falácia. Não criamos a miséria tanto quanto não criamos o frio ou a escuridão. Frio é ausência de calor, escuridão é ausência de luz e pobreza é ausência de riqueza. As empresas surgiram da miséria através do comércio, da acumulação e da herança. E continuarão surgindo se não houver alguém para ir lá e tomar a propriedade daqueles que ainda estão no processo de acumulá-la. Seria possível por exemplo explicar porque as pessoas enriquecem, se as empresas necessitam da miséria? Empresas querem clientes, com dinheiro, e não miseráveis. Quem precisa de miseráveis é o governo cubano.

        “As grandes empresas nada tem a ver com a miséria? O dinheiro por elas apropriado sustentaria milhões de famintos.”
        E as calças que você veste aqueceriam uma criança, também. O salário que vc recebe alimentaria umas quantas crianças na África. Mas o inferno são sempre os outros. Quem tem o dever moral de ajudar os pobres são sempre os outros. As empresas já ajudam a acabar com a miséria empregando as pessoas e fornecendo os bens ao melhor preço que podem ser oferecidos (em economias mais livres, é claro).

        “Mas a vc nao vale o humano. Vale a competição, o mercado, a ganancia. Pra vc o faminto é não enriquece pq nao quer,,,”
        Sentimentalismo não é argumento. Sou pobre, cresci pobre e moro entre pobres. O que eu vejo? O que eu vejo é que através da empresa eles enriquecem. Todo mundo por aqui tem algum negócio, seja o artesanato com potes de vidro, seja um boteco ou a venda de cigarros de maconha.

        “Creio que nada pode superar a necessidade de condições minimamente iguais de vida à quaisquer seres humanos. A mim, nada, absolutamente nada justifica a desigualdade. Pq ela foi inventada e é defendida com unhas e dentes pelos que dela se beneficiam.”
        Desigualdade não é um problema enquanto for material. A miséria mais grave pode ser um problema, mas não a desigualdade. Igualdade material é mito, e um mito que destrói tudo o que vê pela frente. É só ver o quão igualitária é Cuba ou Coréia do Norte para ver que militar pela igualdade material é contra-produtivo.

        “Antes de fazer mestrado dei aulas em projetos sociais e via mulheres, filhas do tráfico, que não tinham um única refeição pra dar pras sua filhas, com marido machucado, recebendo um 270 reais por mes de bolsa familia. Trabalhadores informais ganhando 12 reais pra trabalhar o dia todo. Isso é desumano, na minha visão.”
        É? Eu já tive que visitar gente que cozinhava pele de frango colhida do lixo em fogueiras improvisadas num terreno abandonado. Trabalhadores informais, aliás, são os mais vitimados pelas “regulamentações” e pelo protecionismo na Economia. Mas não, não é desumano. A pobreza não é desumana. A pobreza é parte da natureza humana, e uma parte que superamos através do trabalho e da acumulação de riqueza (como vc mesma exemplificou pelos trabalhadores autônomos e informais). Sei que o mundo ideal seria com todo mundo rico, mas o mundo ideal só existe no plano das idéias. Toda vez que tentaram transformar sonho em realidade, o que tivemos foram pesadelos. Cuba e Coréia do Norte estão aí para provar.

        “Se pra vc isso é inerente, o debate acaba aqui.”
        Sinal de que você não quer é debate nenhum. Se eu dissesse que nascer pelado é inerente ao homem, sua reação seria a mesma? Não, é claro que não, posto que isso não vai contra a sua ideologia (seja ela qual for) que vc quer tanto proteger.Se puder me provar que o homem no paleolítico era mais rico do que os pobres de hoje, então posso te dar razão. Se não puder provar isso, então está em clara contradição.

        “PS. Fiz história na UNESP em Assis, a menos marxistas de todas as estaduais de SP.”
        Poderia ser formada na Fernando Marroquín que eu continuaria questionando.

  5. PS2. Em momento algum eu me referi ao Marx como a solução dos problemas de um país.

    Agora a livre concorrência é a solução, não? Vide a União Européia, com sua economia solida e próspera.

    Não coloque palavras nos meus posts, por favor.

    1. “PS2. Em momento algum eu me referi ao Marx como a solução dos problemas de um país.”
      Então não defenda-o, pois foi a parte central da teoria dele que foi criticada no artigo e não a sua pessoa.

      “Agora a livre concorrência é a solução, não? Vide a União Européia, com sua economia solida e próspera.”
      Aposto que um cubano adoraria estar lá neste momento de crise do que continuar vivendo na prosperíssima Cuba. Mesmo os países ditos capitalistas quando em crise ainda sustentam padrões de vida infinitamente superiores aos mais protecionistas. E, antes que siga no non-sense, a causa da crise européia não foi a livre-concorrência, mas a intervenção do Banco Central no sistema de preços através da planificação monetária do Euro. Igualmente, nos EUA, o problema foi a intervenção estatal no setor imobiliário gerando uma bolha, mais o Quantitative Easing. Se não sabe o que é um livre mercado, não debata sobre ele. Ler sobre o assunto faz bem. Pode começar pelo Bastiat, que é bem instrutivo.

      1. Você o está defendendo como se ele estivesse sendo atacado. O fato é que foi a teoria dele que foi atacada, e demonstrada por A+B que foi refutada. Igualmente demonstrei que a importância de Marx para compreender o capitalismo é muito menor do que te ensinaram na faculdade. Para compreender o capitalismo é muito mais válido estudar a Revolução Marginalista do que ler qualquer coisa sobre Marx.

      2. Renan

        Volto no mesmo ponto. É impossível sagrar quaisquer debates a partir do seu embasamento. Aprecio sua capacidade de distorção do discurso alheio. É um excelente argumento de persuasão.
        Veja isso:
        “Mas o inferno são sempre os outros. Quem tem o dever moral de ajudar os pobres são sempre os outros.” As 4 calças que eu tenho aqueceriam 4 mulheres magras de 30 anos. Melhore sua argumentação, assim fica difícil.
        O sexo, por exemplo, é natural. A maternidade, por exemplo, é natural. A pobreza, por exemplo, é natural.
        Assim como o sexo, a maternidade e a pobreza não o são por si só. No paleolítico, não precisávamos de dinheiro para viver, assim como – permissão para manter relações sexuais com outra pessoa e a opção por jamais pensar em ser mãe. Não é possível que vc afirme novamente que as pessoas passam fome pq nascem peladas. Passam fome pq o local donde elas poderiam extrair o que comer foi apropriado por um grupo de pessoas, anteriores ao seu surgimento. Não um só local no mundo onde estes miseráveis possam morar sem dinheiro.
        O que eu vejo é que através da empresa eles enriquecem. Todo mundo por aqui tem algum negócio, seja o artesanato com potes de vidro, seja um boteco ou a venda de cigarros de maconha.
        Enriquecem, claro. Ganhando 650 reais por mês, elas enriquecem. Meritocracia não dá mais, sabe? Acho que as ciências humanas e biológicas já há mais de meio século mostram o condicionamento social. Simplificar todo o processo de exclusão com a meritocracia já não cabe. Caberia se houvesse distribuição de riquezas minimamente igualitária, ou melhor, bem menos desigual. A partir da base que nós temos, é impossível colocar a responsabilidade de auto-gestão econômica sobre indivíduos demasiado prejudicados na corrida capitalista. Às vezes volto da Universidade de trem, olho praquelas pessoas envelhecidas pelo trabalho, pela falta de cuidados, de dinheiro, naqueles trens lotados indo pras suas casas na periferia e penso: sua vida vai ser sempre essa, é impossível melhorar.
        “militar pela igualdade material é contra-produtivo”.
        Voltamos ao ponto divergência de onde assentamos nossos pensamentos. Se pra vc, o objetivo da vida é acumular riquezas e deixar pros seus filhos, mais uma vez temos plataformas completamente opostas. Se pra vc, ser produtivo e continuar esse grande teatro que é a acumulação de capital, o consumismo desenfreado, a ausência de tempo, etc, é importante, não faz sentido este debate.
        Sei que o mundo ideal seria com todo mundo rico, mas o mundo ideal só existe no plano das idéias.
        Não creio em uma divisão perfeita, mas a atual é cruel demais. Agora, não é pq não é viável a partir dos pensadores que possuímos que vou defender o direito das grandes corporações de continuarem a aumentar seu patrimônio num mundo tão pobre.

      3. “Volto no mesmo ponto. É impossível sagrar quaisquer debates a partir do seu embasamento. Aprecio sua capacidade de distorção do discurso alheio. É um excelente argumento de persuasão.”
        Não é impossível. É só partirmos do princípio que a pobreza, tal e qual o analfabetismo ou a nudez, é o estado natural do homem. Admitir isso não é problema algum, a menos que você possa me provar que o homem é rico por natureza.

        “Veja isso:
        “Mas o inferno são sempre os outros. Quem tem o dever moral de ajudar os pobres são sempre os outros.” As 4 calças que eu tenho aqueceriam 4 mulheres magras de 30 anos. Melhore sua argumentação, assim fica difícil.”
        O valor das 4 calças somadas podem aquecer bem mais pessoas que você supõe. Mas você não faria isso. Não porque não tem coração, mas porque precisa das calças e não é sua obrigação dar calças a alguém.

        “Assim como o sexo, a maternidade e a pobreza não o são por si só.”
        É claro que são. Pare de falar sandices. Todos os mamiferos são sexuados, todos eles se reproduzem sexualmente e em todos eles a genitora cumpre o papel que associamos à figura da mãe.

        “No paleolítico, não precisávamos de dinheiro para viver, assim como – permissão para manter relações sexuais com outra pessoa e a opção por jamais pensar em ser mãe.”
        Dinheiro não é só papel pintado. Tudo que é trocado por bens é dinheiro. Sal já foi dinheiro, sementes já foram dinheiro, conchas já foram dinheiro. Até sexo pode ser dinheiro.

        “Não é possível que vc afirme novamente que as pessoas passam fome pq nascem peladas. Passam fome pq o local donde elas poderiam extrair o que comer foi apropriado por um grupo de pessoas, anteriores ao seu surgimento. Não um só local no mundo onde estes miseráveis possam morar sem dinheiro.”
        Posso enumerar as besteiras. A primeira é dizer que as pessoas passam fome porque alguém apropriou-se do que antes era de seu sustento, o que é uma mentira. Quem apropriou-se dos rios? Os peixes continuam lá. Quem apropriou-se das florestas? Elas continuam lá. A caça, a pesca, a coleta, não são modelos sustentáveis para populações grandes. É por isso que à medida que as populações cresciam o homem as abandonou para plantar e criar animais há uns 12.000 anos. Este foi um processo contínuo. Se hoje tem parcelas da população na miséria não é por causa deste processo que logrou incluir um número crescente de pessoas nas classes mais abastadas ao longo do processo. O motivo destas pessoas não se beneficiarem é justamente porque elas estão fora do processo de acumulação e herança que chamamos de “capitalismo”. Nada que livre-mercado, microcrédito e microempreendedorismo não resolva. Aliás, o processo de favelização é e sempre foi decorrente de expropriação e movimentação compulsória de populações inteiras, que são feitas ou por ordem ou com o aval do Estado, como é o que vai ocorrer com os índios que agora lutam contra Belo Monte.

        “Enriquecem, claro. Ganhando 650 reais por mês, elas enriquecem.”
        Sim, enriquecem. Você já viu uma casa sendo construída a partir do telhado? Não, toda casa começa com o alicerce. Eu sou sem sombra de dúvida muito mais rico do que meus pais, que são muito mais ricos do que meus avôs. É este processo de acumular e legar que transforma homens das cavernas em ricos “burgueses”, e não a divisão igualitária da pobreza.

        “Meritocracia não dá mais, sabe? Acho que as ciências humanas e biológicas já há mais de meio século mostram o condicionamento social.”
        Acredite nos mitos que quiser. Se quer acreditar que pobre é incapaz, é um direito seu e característica mais do que trivial de todo bom esquerdista. Negar a meritocracia também é um recurso ótimo para quem quer viver às custas dos outros. O problema é: quem produz gosta de meritocracia porque se beneficia dela. Sem meritocracia, sem lucro, sem benefício e sem motivação para produzir. Resultado: Cuba.

        “Simplificar todo o processo de exclusão com a meritocracia já não cabe. Caberia se houvesse distribuição de riquezas minimamente igualitária, ou melhor, bem menos desigual.”
        Posso explicar de maneira ainda mais simples: o Estado impede que as pessoas enriqueçam, tornando suas vidas mais caras e protegendo elites através de regulamentações econômicas. E só há uma distribuição justa de riqueza, que é a que paga cada um conforme sua produção. Se distribuir mérito por aí funcionasse, o governo sairia distribuindo os poderes públicos igualitariamente, os professores distribuiriam notas igualitariamente e as mulheres amariam todos os homens igualitariamente.

        “A partir da base que nós temos, é impossível colocar a responsabilidade de auto-gestão econômica sobre indivíduos demasiado prejudicados na corrida capitalista.”
        Como eu disse: não debata sobre o que não conhece. Em primeiro lugar, o que é “capitalista”? Eu só conheço liberalismo econômico. É um sistema onde não existe salário mínimo (como vários países onde empregados ganham mais que aqui), não existe Banco Central (e portanto governo não faz bail-out para banqueiro), não há (ou quase não há) restrições de importação e exportação, o Estado não come 40% do seu salário em impostos, etc. Claro que nenhum país é ideal assim, mas os que chegam mais perto são também os que garantem a melhor qualidade de vida a seus cidadãos. E retirar a responsabilidade de auto-gestão econômica dos indivíduos já foi tentado aqui. Chamávamos isso de Escravidão, coisa que felizmente os malvados capitalistas aboliram.

        “Às vezes volto da Universidade de trem, olho praquelas pessoas envelhecidas pelo trabalho, pela falta de cuidados, de dinheiro, naqueles trens lotados indo pras suas casas na periferia e penso: sua vida vai ser sempre essa, é impossível melhorar.”
        Sim. Sua visão é de curto prazo. É imediatista, idealista, acha que existem milagres. Não existe caminho rápido para riqueza, para o sucesso, não existe almoço grátis. Estas pessoas envelhecidas e pobres vão legar uma vida ligeiramente melhor para seus filhos, que legarão algo melhor para seus netos, que vão legar uma vida melhor para seus bisnetos. Quando então o tataraneto for rico, haverão pessoas como você clamando pela solução Robin Hood que consiste em roubar os que tem para distribuir aos que não tem, até que todos sejam igualmente pobres.

        “Voltamos ao ponto divergência de onde assentamos nossos pensamentos. Se pra vc, o objetivo da vida é acumular riquezas e deixar pros seus filhos, mais uma vez temos plataformas completamente opostas. Se pra vc, ser produtivo e continuar esse grande teatro que é a acumulação de capital, o consumismo desenfreado, a ausência de tempo, etc, é importante, não faz sentido este debate.”
        Outro erro ginasiano: demonização do lucro. Por que o Renan acredita na acumulação de riqueza, ele é uma máquina fria, calculista, demoníaca, inumana e que não se diverte. É claro que eu me divirto, é claro que eu amo (só que é um amor sincero, para quem merece. Não é amor liquidação, baratinho e para todos).
        Não vejo problema absolutamente nenhum de acumular riqueza para legar a meus filhos, aliás acho que isso é um dever de quem pretende ter filhos. Também não me sinto nem um pouquinho culpado pelo “consumismo” (coisa que até um ser unicelular faz quando fagocita), pelo mesmo motivo que não me sinto culpado de produzir, de ir no banheiro, etc. Também não sofro com ausência de tempo. Aliás, se tem algo que posso agradecer à sociedade capitalista, “industrializada e massificada”, ao consumismo desenfreado, é o fato de que tenho muito mais tempo livre para curtir do que aqueles que vivem nas caridosas economias planificadas e socialistas.

        “Não creio em uma divisão perfeita, mas a atual é cruel demais. Agora, não é pq não é viável a partir dos pensadores que possuímos que vou defender o direito das grandes corporações de continuarem a aumentar seu patrimônio num mundo tão pobre.”
        Então resumimos o seu pensamento aqui: você não se importa se é viável ou não garantir uma vida boa para todos. O que importa é odiar os ricos, as grandes corporações, azelite. Mas não se preocupe quanto à desigualdade capitalista. Felizmente, numa sociedade onde as pessoas são livres e podem acumular riquezas, você pode reunir-se com outras pessoas e fazer trabalho voluntário, fazer doações de roupas, cozinhas comunitárias, etc. Aliás, quem mais doa aos países miseráveis é quem mesmo? Ah, os malvados países capitalistas.

      4. Os erros ginasianos são seus meu caro. Vc lê de forma completamente acrtica, distorce o que foi dito e generaliza o tempo todo.

        Depois a esquerda q é utópica. Continue. Viva acreditando que vc é livre (essa não é ginasial, é primária mesmo), que acumula riqueza por ser mais rico que seu pai, que o pedreiro do trem um dia terá uma linhagem rica, que eu odeio todos os ricos do planeta, inclusive meus pais, que nem que eu trabalhe 40 anos ficarei mais rica que eles. Acorde feliz pra trabalhar todo dia pq vc está contribuindo para gerações futuras, está acumulando seu dinheiro honesto.

        Acredite ainda, que “liberalismo econômico” te faz mais feliz. Isso, essa é a fonte! Que vc tem muito tempo livre (se tiver filhos então, deve ter mais ainda)

        Continue acreditando que a acumulação é NATURAL. Que não é natural as pessoas nascerem e terem condições mínimas pro seu sustento. Que se elas realmente quisessem trabalhar e sobreviver (como vc, um moço aplicado que enriqueceu mais que seu pai), poderiam andar 7 mil km e ir até a Amazônia caçar e pescar. Ou, ir a nado até o meio do mar, que é público, pescar para seus filhos.

        Continue ainda, acreditando que o sexo é tão natural como pra quaisquer golfinho. Consequentemente, não há diferenças entre o que faziam os homens da caverna pro que fazemos. O machismo também é natural, afinal, naturalmente os homens são mais fortes. A maternidade também, exato. Toda fêmea mamífera nasce louca pra ser mãe, aliás, todas, sem excessão, adoram seus filhos, cuidam, protegem.

        Não se esqueça de acreditar que toda esquerda é burra, que vc sempre pode citar Cuba pra qualquer pessoa que defenda uma economia que mate menos pessoas de fome, pq é nisso que ela tá pensando. Na realidade, ela quer que o Brasil transforme-se em Cuba, ou melhor, sonha que o Brasil transforme-se na Coreia do Norte.
        Ah, e pobre é capaz. É só querer. Na realidade, pobre só fica na miséria e na marginalização pq é vagabundo mesmo. Olhemos pros complexos de favela no Rio e lembremos que são 10 mil vagabundos, que poderiam estar acumulando capital, mas como lhes falta coragem pra acordar as 6h, ficam naquela porcaria de vida. A educação é pra todos, pública. As vagas da USP estão esperando um pobre esforçado, capaz em sua NATUREZA.

        E viva a natureza! Viva o natural!

        Fale sobre acumulação de capital, vc sabe sobre ela. É sua especialização.

        Realmente não é meu foco de pesquisa, pesquiso o ser humano, mas isso é muito complexo pra vc.

        PS. esqueci que vc também acredita que foram os proprietários que aboliram a escravidão aqui… a pressão interna vem do movimento organizado por estudantes, pela igreja, por advogados recem chegados de fora. a pressão externa era da Inglaterra, que como bom país que era, só pensava no bem dos pobres negros.

        PS2. o homem vc se referia ao dizer que “abandonou plantar e criar animais há mais de 12 mil anos” seria qual? sim, pq são 10 mil anos antes de cristo. acho que preciso ler mais sobre isso também.

      5. “Os erros ginasianos são seus meu caro. Vc lê de forma completamente acrtica, distorce o que foi dito e generaliza o tempo todo.”
        Quem não entende sobre o que fala só pode cometer erros, aliás, pré-ginasianos. Erro ginasiano é um elogio para quem nunca sequer ouviu falar daquilo que pretende criticar, como por exemplo a teoria da utilidade marginal ou do valor subjetivo, que são as teorias que refutam a mais-valia e toda a besteira que dela decorre. Isso encerra o assunto. O restante são apenas apontamentos de falseamento de raciocínio. Por exemplo, assumir que alguém pode ter 3 antes de ter 0, e que pode estar quente antes de estar frio, ou que pode ser rico antes de ser pobre.

        “Depois a esquerda q é utópica. Continue. Viva acreditando que vc é livre (essa não é ginasial, é primária mesmo), que acumula riqueza por ser mais rico que seu pai, que o pedreiro do trem um dia terá uma linhagem rica, que eu odeio todos os ricos do planeta, inclusive meus pais, que nem que eu trabalhe 40 anos ficarei mais rica que eles. Acorde feliz pra trabalhar todo dia pq vc está contribuindo para gerações futuras, está acumulando seu dinheiro honesto.”
        A esquerda é utópica, conspiratória e paranóica conforme se verifica. Isto porque seus defensores são ineptos demais para aprender a diferença entre liberdade individual, liberdade social e liberdade da necessidade. Quem não sabe que 2 é maior que 1 e que portanto quem tem 2 é mais rico do que quem tem 1, com certeza será incapaz de deduzir que é óbvio que o mundo tal qual o vivemos hoje é muito mais rico e sustenta muito mais pessoas do que o de 100, 500, 1000 ou 10000 anos atrás.

        “Acredite ainda, que “liberalismo econômico” te faz mais feliz. Isso, essa é a fonte! Que vc tem muito tempo livre (se tiver filhos então, deve ter mais ainda)”
        Exatamente. Isso se comprova pelo IDH e pela liberdade dos países onde a liberdade econômica é maior, em detrimento daqueles onde esta liberdade é menor. Nos países de Economia mais livre o trabalhador ganha mais, vive melhor, descança mais, etc. Pode refutar fatos? Não. Só pode dizer que esta liberdade não é real, que a outra liberdade real reside fora da Matrix.

        “Continue acreditando que a acumulação é NATURAL. Que não é natural as pessoas nascerem e terem condições mínimas pro seu sustento. Que se elas realmente quisessem trabalhar e sobreviver (como vc, um moço aplicado que enriqueceu mais que seu pai), poderiam andar 7 mil km e ir até a Amazônia caçar e pescar. Ou, ir a nado até o meio do mar, que é público, pescar para seus filhos.”
        Discurso messiânico e humanitarismo pastelão não te tira do problema lógico posto. Até leões tem território, joões-de-barro constroem casas e formigas armazenam comida. Acumulação é natural do homem, já que ele não pode fazer coisas antinaturais ou sobrenaturais. E sim, é ÓBVIO que É NATURAL pessoas nascerem completamente despossuídas e sem condições mínimas do seu sustento. É por isso que os homens do neolítico caçavam, pescavam e colhiam em vez de ir no supermercado, luxo moderno. O homem é um animal e tal como qualquer animal é naturalmente pobre. O processo de acumular e legar é que foi fruto do nosso engenho e felizmente garante que até o mais miserável dos brasileiros possa montar um barraco, usar um chinelo de dedos e comer uma Trakinas de vez em quando. Ou ter um computador feito por chineses que ele usa para reclamar da propriedade privada, a qual ele próprio exerce sobre o tal computador.

        “Continue ainda, acreditando que o sexo é tão natural como pra quaisquer golfinho. Consequentemente, não há diferenças entre o que faziam os homens da caverna pro que fazemos. O machismo também é natural, afinal, naturalmente os homens são mais fortes. A maternidade também, exato. Toda fêmea mamífera nasce louca pra ser mãe, aliás, todas, sem excessão, adoram seus filhos, cuidam, protegem.”
        Sim, e quem disser o contrário é um histérico, dramático e lesado incapaz de conceber que a natureza possui uma ordem independente das nossas palavrinhas mágicas. O sexo é natural para qualquer animal sexuado. O machismo também é natural para a maioria dos mamíferos. A maternidade também, para todos os animais mais complexos. Humanos que tem aversão ao sexo, homens que não defendem a própria família e mulheres incapazes de amar seus filhos são ANORMALIDADES, exceções à regra.

        “Não se esqueça de acreditar que toda esquerda é burra, que vc sempre pode citar Cuba pra qualquer pessoa que defenda uma economia que mate menos pessoas de fome, pq é nisso que ela tá pensando. Na realidade, ela quer que o Brasil transforme-se em Cuba, ou melhor, sonha que o Brasil transforme-se na Coreia do Norte.”
        Nem toda. Existe a centro-esquerda ainda. E o liberalismo econômico é a economia que mata menos pessoas. É só você analisar a mortalidade dos países onde a liberdade econômica é menor para você constatar os fatos. Aliás, Cuba, que distribui caridosamente comida a todos os seus escravos, é o país onde mais de 50% das crianças sofrem de anemia. Por que? Por que o governo nunca será mais eficiente que as pessoas em si atendendo as próprias necessidades. É por isso que Cuba importa 80% da comida que seu povo consome e ainda necessita de ajuda humanitária americana para se sustentar.

        “Ah, e pobre é capaz. É só querer. Na realidade, pobre só fica na miséria e na marginalização pq é vagabundo mesmo.”
        Sim, pobre é capaz. Sou o que Chesterton chama de ‘especialista em pobreza’: o sujeito que é pobre, não o pseudointelectual que finge saber sobre pobreza. Portanto sendo eu pobre, ninguém jamais vai me convencer de que sou incapaz, de que sou dependente da bondade de uns poucos iluminados com poder de polícia. Pobre só fica na miséria por causa do governo que o tributa, que impede a concorrência, que destrói a microempresa, que caça os informais, que expropria as pessoas e as faveliza, que monopoliza os serviços essenciais, que carteliza o transporte público, etc.

        “Olhemos pros complexos de favela no Rio e lembremos que são 10 mil vagabundos, que poderiam estar acumulando capital, mas como lhes falta coragem pra acordar as 6h, ficam naquela porcaria de vida.”
        Engraçado, porque as favelas são fruto de políticas do Estado e não de ação voluntária. As pessoas que passaram a habitar os morros o fizeram porque foram expulsas de seus locais de origem, por exemplo, durante a Revolta da Vacina. Nunca vai convencer alguém que foi criado em vila e tem amigos em favelas de que pobre é incapaz. Aliás, conheço empreendedores dentro de favelas inclusive. E, claro, eles acumulam capital e legam para seus filhos vidas melhores como eu mesmo testemunhei.

        “A educação é pra todos, pública. As vagas da USP estão esperando um pobre esforçado, capaz em sua NATUREZA.”
        E porque exatamente um pobre precisaria passar na USP? Diploma da USP por acaso é alguma prova de engrandecimento pessoal e melhoria de vida?

        “E viva a natureza! Viva o natural!”
        Aleluia!!

        “Fale sobre acumulação de capital, vc sabe sobre ela. É sua especialização.”
        Falo mesmo. Minha mãe juntou grana por cinco anos para comprar um computador. E eu trabalhei 2 anos como estagiário para juntar o que ela juntou em 5 anos. Não sei quanto ela tem no banco, mas deve ter o dobro do que eu tenho ou mais. Se estudei direitinho, minha mãe é uma ‘conservadora fiscal’. Sabe, nunca me acostumei com luxo… roupa de marca, tênis de marca, caderninho capa-dura, ônibus escolar, foram luxos que nunca tive. Eu ia para a escola a pé desde os 7 anos quando minha mãe teve um ataque epilético. Incrível como ela se recuperou, e nunca parou de ler e estudar (em escolas públicas, note) e trabalhar cuidando de crianças. Meu pai também, passou por muito perrengue. Mas estamos aí, acumulando e cantando e seguindo a canção.

        “Realmente não é meu foco de pesquisa, pesquiso o ser humano, mas isso é muito complexo pra vc.”
        Tão complexo é que você desconhece a teoria subjetiva de valor, oriunda de premissas sobre a psicologia humana, que refuta toda a baboseira que você defende. O Renan só sabe acumular. Experimente estudar algo que está fora do seu currículo. Pegue o livro Ação Humana, do Ludwig von Mises, por exemplo. Aliás, os nomes de maior peso da Escola Austríaca (“neoliberal”), Mises e Hayek, deram uma grande contribuição à psicologia e fundaram a praxeologia, que é o estudo das ações HUMANAS, coisas que os planejadores com síndrome de maquinista desconhecem.

        “PS. esqueci que vc também acredita que foram os proprietários que aboliram a escravidão aqui… a pressão interna vem do movimento organizado por estudantes, pela igreja, por advogados recem chegados de fora. a pressão externa era da Inglaterra, que como bom país que era, só pensava no bem dos pobres negros.”
        Escravidão foi abolida por militantes humanistas cristãos como Willberforce, pelo clero e sobretudo porque era economicamente viável desde a Revolução Industrial. Por aqui, foi impulsionada por abolicionistas que COMPRAVAM a alforria dos escravos, de modo que quando a Lei Áurea foi assinada mais de 95% dos escravos já estavam libertos.

        “PS2. o homem vc se referia ao dizer que “abandonou plantar e criar animais há mais de 12 mil anos” seria qual? sim, pq são 10 mil anos antes de cristo. acho que preciso ler mais sobre isso também.”
        Não, só precisa de um livro de Matemática para aprender que de 10.000 a.C para 2.000 d.C decorrem cerca de 12 mil anos.

  6. Apenas para uma pequena prévia do que penso (logo, existo?), a respeito da igualdade entre seres humanos, recomendo o livro WE de Yevgeny Zamyatin concluido em 1921. Trata-se de iuma distopia que se passa num estado policial futuro. Transcrevo alguns comentários que resumem a trama:

    The novel is set 1,000 years after a revolution that brought the One State into power. Citizens are known only by their number, and the story’s protagonist is D-503, an engineer working on a spaceship that aims to bring the glorious principles of the Revolution to space. This world is ruled by the Benefactor, and presided over by the Guardians. They spy on citizens, who all live in apartments made of glass so that they can be perfectly observed. Trust in the system is absolute.

    Equality is enforced, to the point of disfiguring the physically beautiful. Beauty — as well as its companion, art — are a kind of heresy in the One State, because “to be original means to distinguish yourself from others. It follows that to be original is to violate the principle of equality.”

    “Why is the dance [of machinery] beautiful? Answer: because it is nonfree movement, because all the fundamental significance of the dance lies precisely in its aesthetic subjection, its ideal unfreedom.”

    Ou seja, o autor simplesmente arrasa com a igualdade….

  7. Pqp Renan, me mande um email se tu ainda existir, patrickkenolivieri@gmail.com, adoraria receber algumas dicas de livros sobre estes temas, alias só um ignorante pra nao concordar com o que voce disse, mas a marcia foi essencial, sem ela estes comentarios ricos de informacao nao teria sido desenvolvido. Parabens aos dois.

  8. A condição básica destes textos é a falácia de que Marx não levou em conta o valor de uso das mercadorias, e muito menos a básica lei da oferta e da procura na composição do valor total. O que podemos perceber é que o que se tenta é descartar o valor intrínseco à produção da mercadoria de seu valor, isto sim. Mesmo levando em conta a composição valor de troca e valor de uso na composição do valor total, há sem duvida uma determinação do valor troca já criado na produção para que uma mercadoria se torne possível, sendo o valor de uso embora importante meramente acidental e nem mesmo explicativo quando as condições são iguais entre vários concorrentes.

    1. “A condição básica destes textos é a falácia de que Marx não levou em conta o valor de uso das mercadorias, e muito menos a básica lei da oferta e da procura na composição do valor total.”

      Não. Marx simplesmente escreveu desde a teoria clássica do valor, a qual veio a ser refutada logo depois pela teoria do valor subjetivo ou utilidade marginal.

      “O que podemos perceber é que o que se tenta é descartar o valor intrínseco à produção da mercadoria de seu valor, isto sim.”

      Não. O que a teoria do valor subjetivo explica é que a formação de preços em um mercado não obedece à lógica simplória dos custos de produção, mas leva em consideração fatores externos – ambientais – e internos – a psicologia do consumidor. Em suma, que um produtor pode determinar um preço de venda para a mercadoria, mas se este preço estiver muito discrepante frente ao valor percebido pela clientela, ele pode não conseguir vender um produto. Tanto é assim que muitas empresas já abandonaram o sistema de preço único para seus bens e serviços, oferecendo diferentes faixas de preço para diferentes perfis de clientes.

      “Mesmo levando em conta a composição valor de troca e valor de uso na composição do valor total, há sem duvida uma determinação do valor troca já criado na produção para que uma mercadoria se torne possível, sendo o valor de uso embora importante meramente acidental e nem mesmo explicativo quando as condições são iguais entre vários concorrentes.”

      Veja, o que a produção incide sobre o produto é um custo, e não um valor. Para quem compra a mercadoria, é indiferente se o produto custou 10 ou 100 horas de trabalho, R$10 ou R$100 para produzir. É fundamental entender esta diferença entre custo e valor, porque o trabalho é, por definição, custo. Seja ele em termos de tempo, de esforço físico ou de investimento de recursos, o trabalho representa sempre um custo. O valor é atribuído externamente e depende de variáveis ambientais, culturais e psicológicas.

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