Educação não é instrução

Trechos do capítulo XI – la educación no es la instrucción – do livro Política y Sociedad en Argentina, de Juan Bautista Alberdi. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos SantosCompreende uma análise do tipo de educação proposta por Alberdi para a Argentina e a América de seu tempo. Texto comentado por Renan Felipe dos Santos.

Belgrano, Bolívar, Egaña e Rivadavia compreenderam desde seu tempo que só por meio da educação conseguiriam algum dia estes povos tornarem-se merecedores da forma de governo que a necessidade lhes impôs antecipadamente. Mas eles confundiram a “educação” com a “instrução”, a espécie com o gênero. As árvores são suscetíveis de educação; mas só se instrui aos seres racionais. Hoje em dia a ciência pública se dá conta desta diferença capital, e não dista muito a ocasião célebre em que um profundo pensador –M. Troplong–, faz sensível esta diferença quando da discussão sobre a liberdade de ensino na França.

Juan Bautista Alberdi

Aquele erro conduziu a outro, o de desatender à educação que se opera pela ação espontânea das coisas, a educação que se faz pelo exemplo de uma vida mais civilizada que nossa educação fecunda, que Rousseau compreendeu em toda sua importância e chamou educação das coisas.

Comentários: Alberdi faz aqui uma defesa de um tipo específico de educação, que é a educação através da prática, e sobretudo a educação espontânea em detrimento de uma doutrinação filosófica pública e compulsória.

Ela deve ter o lugar que damos à instrução na idade presente de nossas repúblicas, por ser a mais eficaz e a mais apta para tirá-las com prontidão do atraso em que existem. Nossos primeiros jornalistas disseram: “de que modo progride a cultura dos grandes estados europeus? Pela instrução principalmente: logo este deve ser nosso ponto de partida”. Eles não viram que nossos povos nascentes estavam na situação de fazer-se, de formar-se, antes de instruir-se, e que se a instrução é o meio de cultura dos povos já desenvolvidos, a educação por meio das coisas é o meio de instrução que mais convém a povos que começam a criar-se.

Quanto à instrução que se deu a nossos povos, jamais foi adequada às suas necessidades. Copiada da que recebiam povos que não se encontram em nossa situação, foi sempre estéril e sem resultados proveitosos. A instrução primária dada ao povo foi ainda mais perniciosa. De que serviu ao homem do povo o saber ler? Para ver-se inserido como instrumento na gestão da vida política que não conhecia. Para instruir-se no veneno da imprensa eleitoral, que contamina e destrói em vez de iluminar; para ler insultos, injúrias, sofismas e notícias de incêndios, a única coisa que estimula sua curiosidade inculta e grosseira.

Comentário: A crítica de Alberdi não poderia ser mais atual. Continuamos, aqui na América do Sul, a copiar modelos que surgem em outros lugares como a Europa e que pouco ou nada tem a ver com as necessidades da nossa sociedade – valorizamos uma educação universalista, pouco prática, e muito cara aos cofres públicos. Alberdi também critica o excesso de politização da mídia, puramente eleitoreira, que também é típico aqui no Brasil, sobretudo nos jornais e revistas esquerdistas.

Universidad Nacional de Córdoba, a universidade mais antiga da Argentina.

A instrução superior em nossas repúblicas não foi menos estéril e inadequada à nossas necessidades. Que tem sido nossos institutos e universidades da América do Sul, senão fábricas de charlatanismo, de ociosidade, de demagogia de presunção titulada? Os ensaios de Rivadavia, na instrução secundária, tinham o defeito de que as ciências morais e filosóficas, eram preferidas às ciências práticas e de aplicação, que são as que devem nos por em atitude de vencer esta natureza selvagem que nos domina por todas as partes, sendo a principal missão de nossa cultura atual o convertê-la e vendê-la. O principal estabelecimento se chamou “colégio de ciências morais”. Teria sido melhor que fosse “colégio de ciências exatas e de artes aplicadas à indústria”.

Comentário: a crítica de Alberdi também pode ser aplicada ao nosso sistema de ensino superior. Verdadeiras fábricas de charlatanismo, ociosidade, demagogia e presunção titulada. É inúmero o número de estudantes dando despesa nas faculdades federais sendo sustentados por verba pública sob a forma de bolsas, materiais, instalações, etc. E isto para, na maioria dos casos, estar lá a fazer politicalha e servir de massa de manobra para partidos políticos como o PSOL, o PCO, o PT, etc. A agitação política é tanta que chega a haver “greve” de estudantes, revoltas dentro das dependências da universidade, montagem de barricadas, confrontos com a polícia, obstrução de vias, perturbação das aulas e das provas, depredação de patrimônio público e privado, etc.

Não pretendo que a moral deva ser esquecida. Sei que sem ela a indústria é impossível; mas os fatos provam que se chega à moral mais rápido pelo caminho dos hábitos laboriosos e produtivos destas noções honestas, que pela instrução abstrata. Estes países necessitam mais de engenheiros, de geólogos e naturalistas, que de advogados e jornalistas. Sua melhora se fará com caminhos, com poços artesianos, e não com jornais agitadores ou servis.
Em nossos planos de instrução devemos fugir dos sofistas, que fazem demagogos, e do monasticismo que faz escravos e caráteres dissimulados.

A instrução para ser fecunda há de limitar-se a ciências e artes de aplicação, a coisas práticas, a línguas vivas, a conhecimentos de utilidade material e imediata. O idioma inglês, como idioma da liberdade da indústria e da ordem, deve ser ainda mais obrigatório que o latim; não deverá dar-se diploma nem título universitário ao jovem que não o fale e escreva. Só esta inovação operaria uma mudança fundamental na educação da juventude. Como receber o exemplo e a ação civilizante da raça anglo-saxã sem a posse geral de sua língua?

Comentário: Alberdi parece antecipar em um século a necessidade de adaptar-se a um mercado globalizado. Primeiramente, ele enfatiza a importância da instrução prática no comércio, na indústria, deixando claro que a educação moral, filosófica, religiosa, etc, não é tarefa do sistema público de educação. Em segundo momento, ele sugere o ensino da língua franca do comércio, o inglês, na instrução dos sulamericanos. Segundo ele, isto capacitará o sulamericano para receber “o exemplo e a ação civilizante” dos ingleses e americanos: o progresso através da indústria e do comércio.

Para Alberdi, a educação prática deve ser prioritária. É uma defesa do ensino técnico, profissional e vocacional, que é essencial para a formação de mão-de-obra qualificada.

O plano de instrução deve multiplicar as escolas de comércio e de indústria, fundando-as em povos mercantis. Nossa juventude deve ser educada na vida industrial e para isto ser instruída nas artes e ciências auxiliares da indústria. O tipo do nosso homem sulamericano deve ser o homem apto para vencer ao grande e opressivo inimigo do nosso progresso: o deserto, o atraso material, a natureza bruta e primitiva do nosso continente. A este fim deve tender-se a tirar nossa juventude das cidades mediterrâneas onde vive o antigo regime com seus hábitos de ociosidade, presunção e diversão, e atraí-la aos povos litorais para que se inspire da Europa que vem a nosso solo e dos instintos da vida moderna. Os povos litorais pelo fato de sê-lo, são escolas mais instrutivas que nossas pretenciosas universidades.

A riqueza e a liberdade, frutos de uma ordem espontânea e da diligência no comércio e na indústria.

A indústria é o único meio de encaminhar a juventude à ordem. Quando a Inglaterra viu arder a Europa na guerra civil, não entregou sua juventude ao misticismo para salvar-se; levantou um templo à indústria e lhe rendeu culto, o que  obrigou aos demagogos a envergonhar-se de sua loucura.

A indústria é o calmante por excelência. Ela conduz pelo bem-estar e pela riqueza, à ordem, pela ordem à liberdade: exemplos disto são a Inglaterra e os Estados Unidos. A instrução na América, deve encaminhar seus propósitos à industria.

Comentário: Alberdi demonstra nestes últimos trechos, uma convicção liberal bem marcada: a confiança no estabelecimento da liberdade através de uma ordem espontânea, mobilizada pelo interesse humano de buscar a riqueza. Com isso, estariamos seguindo o exemplo da Inglaterra e dos Estados Unidos naquela época e criando nações social e politicamente livres e economicamente mais prósperas.

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Autor: Renan Felipe dos Santos

Indie Game Localizer.

10 comentários em “Educação não é instrução”

  1. Olá, Renan;

    Talvez esse tenha sido um dos maiores elogios que já li ao estreitamento das funções da educação, e por isso deve ser combatido. Transformar a educação em mera instrução técnica, subordinando-a ao interesse industrial e reduzindo-a a mero subsistema dentro do aparato produtivo é a fantasia da direita em âmbito global.

    A apropiação de Alberdi, aqui, não poderia ter sido mais proveitosa. Ele defende exatamente aquilo que a direita brasileira – como a Veja – tem defendido há décadas: a educação deve focar essencialmente o preparo para o mercado de trabalho, a tal ponto das aulas de português ensinarem a escrever currículo e carta de apresentação; matemática, enfatizar a financeira; ciências, voltar-se à tecnologia; e um beijo para as humanas, que na visão paranóica da direita, só prestam à reprodução de ideais esquerdistas. Vocês estão enganados, em todos os pontos.

    A educação, em um país de aspirações democráticas (e, veja bem, numa democracia capenga pautada pelo liberalismo que vocês veneram), deve, no mínimo, visar fins democráticos. Isso significa que o mercado de trabalho não pode nortear as políticas educacionais, uma vez que a democracia não se reduz à esfera produtiva: envolve a conscientização para atuação política enquanto cidadão, o fortalecimento do conhecimento teórico e prática para intervenção na realidade social, a valorização da cultura.

    Em quais pontos vocês transgridem? Todos.

    A começar pela etnocentrismo do cidadão só obter seu status pela aquisição do idioma inglês. Sem negar a importância desse idioma na atualidade, o seu ensino não deve ter como fim substituir a cultura de um país. Caso contrário, é pura dominação cultural e ideológica.

    E outra que a defesa da educação para o mercado de trabalho revela-se, claramente, pela defesa da constituição de um exército de mão-de-obra especializada e contingencial: recém-formados capazes a apertar um parafuso muito bem, a puxar uma corda muito bem, a costurar um tecido muito bem, mas, ao mesmo tempo, de um profissional incapaz de acompanhar os fluxos e refluxos do mercado, de dar conta da fluidez. Nem para o mercado essa educação mercantilista serve. Haja vista que os ‘melhores’ profissionais não estão sendo formados pelas faculdades e centros universitárias privados de educação enxuta, especialista e estreita, e sim pelas universidades públicas, acusadas de serem demasiadamente teóricas, mas de justamente darem a formação sólida para o profissional, nos mais diversos âmbitos. Longe de dizer que as públicas cumprem esse papel, mas vão muito além das faculdades de esquina.

    Nem vou discutir o preconceito aos estudantes dessas universidades, como se todos aqueles mais críticos estivessem envolvidos com partidos. É fato que a atuação política de muitos os leva tanto para o movimento estudantil quanto para partidos, mas são esferas separadas, com objetivos e modus operandi distintos. Veja no Chile a grande movimentação dos estudantes. Vai lá ver quantos estão em partidos. Não é necessário ser partidarizado para juntar 80 mil numa praça.

    A respeito do positivismo do texto, reivindicado o progresso pela indústria, prefiro nem comentar porque nem daria para desenvolver isso aqui.

    Mas, é muito entristecedor ver a defesa apaixonado a essa educação medíocre. Vinda, sobretudo, de um universitário.

    Abraços,

    Adriano

    1. “Talvez esse tenha sido um dos maiores elogios que já li ao estreitamento das funções da educação, e por isso deve ser combatido. Transformar a educação em mera instrução técnica, subordinando-a ao interesse industrial e reduzindo-a a mero subsistema dentro do aparato produtivo é a fantasia da direita em âmbito global.”
      Toda educação atende a algum interesse. Ou ao interesse dos pais, ou dos alunos, ou dos políticos. No caso de uma educação totalitária, que abrange toda a filosofia, a moral e a concepção de mundo, esta é uma invenção do governo da Prússia, destinada à doutrinação do povo para que este assimile os ideais do Socialismo Prussiano, o avô do Nacional-Socialismo.

      “A apropiação de Alberdi, aqui, não poderia ter sido mais proveitosa. Ele defende exatamente aquilo que a direita brasileira – como a Veja – tem defendido há décadas: a educação deve focar essencialmente o preparo para o mercado de trabalho, a tal ponto das aulas de português ensinarem a escrever currículo e carta de apresentação; matemática, enfatizar a financeira; ciências, voltar-se à tecnologia; e um beijo para as humanas, que na visão paranóica da direita, só prestam à reprodução de ideais esquerdistas. Vocês estão enganados, em todos os pontos.”
      Acho que você está enganado. Em vários pontos. O primeiro já é incluir o nome da Veja, revista que não é citada no artigo mas é preferida entre 11 de 10 esquerdistas para inventar uma conspiranóia envolvendo a CIA, o Capital Internacional e o que mais der na cabeça. O segundo erro: trabalhar faz parte da vida de um cidadão, e não vejo como uma formação cidadã possa ser feita sem adequar-se a esta realidade e sem preparar um jovem para o mercado de trabalho. Aliás, a educação voltada para o mercado de trabalho é a que mais cresce, ao ponto de que certas empresas estão pouco a pouco criando suas próprias instituições de ensino. A nossa máquina pública de ensino hoje se destina a preparar alunos para passar no ENEM, no Vestibular, no concurso público. Um ensino técnico, científico, profissionalizante, me serve em qualquer parte do mundo, não só onde se aplica o ENEM e o Vestibular Vermelho. Quanto à humanas: inocência sua. O ensino de humanas pode ser usado para doutrinar alguém em qualquer ideologia que o governo queira. Hoje é o socialismo, antes era o fascismo getulista e amanhã pode ser qualquer outra ideologia. É só uma questão de apropriação.

      “A educação, em um país de aspirações democráticas (e, veja bem, numa democracia capenga pautada pelo liberalismo que vocês veneram), deve, no mínimo, visar fins democráticos.”
      O Brasil é uma democracia social, e não liberal. Pare de ver liberalismo onde não tem. PSDB é esquerda, social-democracia é esquerda, FHC também é esquerda, Serra é esquerda, etc. Democracia é ditadura da maioria, nada tem que ver com um objetivo ou outro. Se a maioria decidisse que a Escola tem que doutrinar as crianças com base na Catequese, isto seria democrático.

      “Isso significa que o mercado de trabalho não pode nortear as políticas educacionais, uma vez que a democracia não se reduz à esfera produtiva: envolve a conscientização para atuação política enquanto cidadão, o fortalecimento do conhecimento teórico e prática para intervenção na realidade social, a valorização da cultura.”
      Entendo. Mas o ensino não pode abarcar todas as formas de “conscientização política” (há mais de uma, obviamente) porque a mesma está sujeita a ideologias políticas, não é uma questão objetiva como o ensino técnico.

      “Em quais pontos vocês transgridem? Todos.”
      Pobre Alberdi.

      “A começar pela etnocentrismo do cidadão só obter seu status pela aquisição do idioma inglês.”
      Língua é raça? Não? Então não é etnocentrismo. Se a língua franca da época de Alberdi fosse o mandarim, ele com certeza recomendaria o mandarim. Aliás, eu já recomendo o mandarim também.

      “Sem negar a importância desse idioma na atualidade, o seu ensino não deve ter como fim substituir a cultura de um país. Caso contrário, é pura dominação cultural e ideológica.”
      Alberdi não manda substituir a língua nacional pelo inglês. Ele recomendou substituir o latim pelo inglês. Lembrando que o simples fato dos argentinos falarem castelhano e não mapuche ou guarani já é por si um exemplo de “dominação cultural e ideológica”.

      “E outra que a defesa da educação para o mercado de trabalho revela-se, claramente, pela defesa da constituição de um exército de mão-de-obra especializada e contingencial: recém-formados capazes a apertar um parafuso muito bem, a puxar uma corda muito bem, a costurar um tecido muito bem, mas, ao mesmo tempo, de um profissional incapaz de acompanhar os fluxos e refluxos do mercado, de dar conta da fluidez.”
      Era o que se precisava na época de Alberdi, e ainda se precisa. Eu te garanto que muita gente que hoje vive em favelas poderia estar melhor se soubesse apertar parafusos e montar cadeiras do que sendo ensinada sobre as maravilhas da Revolução Cubana ou sobre como a heternormatividade é opressora. Teria sem dúvida uma utilidade prática muito maior para essas pessoas.

      “Nem para o mercado essa educação mercantilista serve. Haja vista que os ‘melhores’ profissionais não estão sendo formados pelas faculdades e centros universitárias privados de educação enxuta, especialista e estreita, e sim pelas universidades públicas, acusadas de serem demasiadamente teóricas, mas de justamente darem a formação sólida para o profissional, nos mais diversos âmbitos. Longe de dizer que as públicas cumprem esse papel, mas vão muito além das faculdades de esquina.”
      Não é o que vejo. O que vejo é a proliferação de cursos especializados e de curta duração: claro indicador de que a demanda por profissionais especializados cresce. Além disso, há o investimento pesado do próprio governo agora em instituições técnicas (como os IFs), em P&D, etc. Para além disso, vem cursos específicos privados e certificações empresariais (Oracle, Microsoft, etc) dirigidas a um mercado de trabalho específico. Acho que você está achando que “melhores profissionais” significa aqueles que você considera melhores, e não aqueles que estão melhor adaptados para satisfazerem suas necessidades e desejos, além de apenas colecionar diplomas.

      “Nem vou discutir o preconceito aos estudantes dessas universidades, como se todos aqueles mais críticos estivessem envolvidos com partidos. É fato que a atuação política de muitos os leva tanto para o movimento estudantil quanto para partidos, mas são esferas separadas, com objetivos e modus operandi distintos. Veja no Chile a grande movimentação dos estudantes. Vai lá ver quantos estão em partidos. Não é necessário ser partidarizado para juntar 80 mil numa praça.”
      Claro que não são todos. São só aqueles que montam barricadas, destroem patrimônio público e privado, tolhem os outros estudantes do seu direito de ir, vir e estudar, incitam greves, colocam veneno no buffet universitário, espalham lixo no chão, brigam com a segurança da faculdade pelo direito de usar drogas dentro do ambiente acadêmico, e outras barbáries similares. Óbvio que há muita articulação nas lideranças político-partidárias nos movimentos estudantis. Não é possível enganar toda a massa sem um líder hábil e treinado por um Partido Comunista, como é o caso dos estudantes do Chile. Nem sequer é preciso estar entre eles para saber quantos estão em partidos, eles nem sequer se preocupam em esconder os buttons, as camisetas, as bandeiras, etc.

      “A respeito do positivismo do texto, reivindicado o progresso pela indústria, prefiro nem comentar porque nem daria para desenvolver isso aqui.”
      Não só daria como deu, por certo tempo. O problema é que o intervencionismo e o peso do Estado acabaram barrando o progresso industrial pelo qual passam a maioria das nações desenvolvidas. O resultado é que tivemos uma industrialização fraca e tardia, coisa que depois o fascista do Getúlio resolveu na marra em troca de soldados, café e borracha e ainda depois os militares “resolveram” com suas reformas. Nenhuma destas reformas forçosas seria necessária se tivéssemos em primeiro lugar um ambiente propício para o empreendimento e a indústria: liberdade econômica e mão-de-obra qualificada. As reformas adotadas pela Argentina no tempo de Alberdi garantiram a este país um desenvolvimento estupendo. Eles estavam muito melhores que nós nesta época. Mas depois Perón e os Kirchner deram um jeito de retardar a Argentina.

      “Mas, é muito entristecedor ver a defesa apaixonado a essa educação medíocre. Vinda, sobretudo, de um universitário.”
      Eu apresentei UMA perspectiva de educação liberal, que é a de Alberdi. Posso apresentar a de Mill, a de Locke, a de Paine, etc. São diversas. Vão daqueles que defendem uma educação totalmente privada aos que defendem a educação pública compulsória. Daqueles que defendem um ensino estritamente técnico àqueles que querem uma educação filosófica. Abordarei isto em outros artigos.

      1. Olá!

        Não entendi a associação da minha opinião com a Prússia ou o que seja. Não propus educação socialista, nem nada disso. Propus uma educação integral, no sentido de preparar para amplas competências para além das demandas temporárias e fluidas do mercado. A relação entre educação e mercado de trabalho não é tão simples quanto a visão desenvolvimentista se propõe. Dê uma lida em Luiz Antonio Cunha para compreender o papel dessa educação. E Pierre Bourdieu já mostrou, em consolidados estudos sociológicas, que a escola “renovadora” da qual os liberais também acreditaram é, no fundo, uma grande reprodutora de desigualdades sociais.

        Para mim, o Brasil é claramente uma democracia liberal. Estamos, sim, amparados pelos ideias liberais, mesclados com ideais de social-democracia. Nenhuma das figuras que você indicou eu classificaria como esquerda. Pelo contrário, eles são justamente os reformadores neoliberais do Estado, programa que está em consonância com a cartilha educacional do próprio PT.

        Não sei se você percebeu, mas a citação à VEJA foi apenas um exemplo. Não quis dizer que vocês estão associados a ela. Mas, nesse quesito, assemelham-se muito.

        E não sei de onde veio esse seu conceito de democracia tão deturpado. Não acho que a nossa democracia seja uma maravilha, pois nos ideais liberais e do modo de produção atual, a democracia mesmo é impossível de ser alcançada. Mas, de forma alguma, democracia é a ditadura da maioria.

        A respeito do etnocentrismo. O termo se refere à “etnia”, e portanto está associado a “cultura”. Língua não é raça, mas é cultura. Uma das formas mais clássicas de dominação cultural é pela imposição da língua. Como o que acontece na argentina pelo fato de estarem falando castelhano. Isso significa que eles terão que abandonar as suas línguas e voltarem às nativas? É claro que não, isso é inviável. Mas o Estado argentino, como o brasileiro, tem o dever – em nome da democracia que defendem – proteger direitos dos grupos indígenas, por sua vez minoritários.

        Não se ensina, nas escolas, que a Rev. Cubana é uma maravilha ou que a heteronormatividade é opressora. Não sei da onde vocês tiram isso. A respeito da Rev. Cubana, caberia um ponderamento racional do que é essa revolução, para além da demonização que a mídia faz ou da veneração de certos grupos de esquerda. Sobre a heteronormatividade: esse ponto é essencial, considerando os direitos de grupos LGBT que tem reivindicando a proteção do Estado aos crimes homofóbicos. Meu Deus… alguém se opondo ao trabalho educativo em diversidade sexual é o ó.

        Ah sim, o problema dos favelados se resolveriam com o ensino técnico para o mercado. Claro. O que eu vejo é a reprodução da lógica dual de educação: o ensino crítico, formativo, para formação de elites X o ensino tecnicista, mercadológico, para as massas.

        A respeito do Chile e dos estudantes “baderneiros”, prefiro não me estender. Sua visão é absolutamente deturpada e preconceituosa.

        Adriano

      2. “Não entendi a associação da minha opinião com a Prússia ou o que seja. Não propus educação socialista, nem nada disso. Propus uma educação integral, no sentido de preparar para amplas competências para além das demandas temporárias e fluidas do mercado.”
        O que mencionei sobre educação prussiana é que ela é a fundadora da Schule, da escola pública como conhecemos e como se difundiu na Europa e nos EUA. Ela é responsável pela educação integral, por formar cidadãos nos moldes que a classe governante quer.

        “A relação entre educação e mercado de trabalho não é tão simples quanto a visão desenvolvimentista se propõe. Dê uma lida em Luiz Antonio Cunha para compreender o papel dessa educação. E Pierre Bourdieu já mostrou, em consolidados estudos sociológicas, que a escola “renovadora” da qual os liberais também acreditaram é, no fundo, uma grande reprodutora de desigualdades sociais.”
        Cara, não adianta desfilar seu conhecimento aqui porque eu não sou pedagogo. O post só comenta o ponto de vista de Juan Bautista Alberdi, não é uma tese. XD

        Se educação pode gerar desigualdade social eu não sei, mas duvido muito que se possa culpar só a instrução por debilidades econômicas e desigualdades perante a lei.

        “Para mim, o Brasil é claramente uma democracia liberal. Estamos, sim, amparados pelos ideias liberais, mesclados com ideais de social-democracia. Nenhuma das figuras que você indicou eu classificaria como esquerda. Pelo contrário, eles são justamente os reformadores neoliberais do Estado, programa que está em consonância com a cartilha educacional do próprio PT.”
        Vixe… se fosse uma democracia liberal nossa constituição instituiria bem menos “direitos” do que o que temos hoje. Liberalismo, se não me engano, viveu aqui fracamente durante o reinado de D. Pedro II e início da República, mas logo depois foi soterrado por socialismos e fascismos de todas as vertentes como a tecnocracia positivista, o trabalhismo fascista, etc. Entendo que você não classificaria as figuras indicadas como direita… você nunca viu direita no Brasil. Nosso espectro político começa na extrema-esquerda e acaba no centro, praticamente, com exceção de um ou dois partidos de centro-direita. Erro crasso: neoliberalismo não existe. Não existe escola de pensamento “neoliberal”, não existe escola econômica “neoliberal”, muito menos os socialistas fabianos e social-democratas do PSDB são “neoliberais”. E o PT, hoje, não é nada mais do que uma versão renovada do fascismo brasileiro.

        “Não sei se você percebeu, mas a citação à VEJA foi apenas um exemplo. Não quis dizer que vocês estão associados a ela. Mas, nesse quesito, assemelham-se muito.”
        Eu poderia dizer que o seu pensamento se assemelha ao de revistas como a Carta Capital ou a Caros Amigos, o que não adicionaria muito, né?

        “E não sei de onde veio esse seu conceito de democracia tão deturpado. Não acho que a nossa democracia seja uma maravilha, pois nos ideais liberais e do modo de produção atual, a democracia mesmo é impossível de ser alcançada. Mas, de forma alguma, democracia é a ditadura da maioria.”
        Meu conceito de democracia vem da política aristotélica. Há monarquia, governo de um, há aristocracia, governo de alguns (representantes) e há democracia, governo do povo. Outra vez: o Brasil não é um país liberal. Conhece rankings sobre liberalismo econômico? Pois é bom conhecê-los.

        “A respeito do etnocentrismo. O termo se refere à “etnia”, e portanto está associado a “cultura”. Língua não é raça, mas é cultura. Uma das formas mais clássicas de dominação cultural é pela imposição da língua. Como o que acontece na argentina pelo fato de estarem falando castelhano. Isso significa que eles terão que abandonar as suas línguas e voltarem às nativas? É claro que não, isso é inviável. Mas o Estado argentino, como o brasileiro, tem o dever – em nome da democracia que defendem – proteger direitos dos grupos indígenas, por sua vez minoritários.”
        Ah, sim, verdade. Esqueci de considerar isso. Mas ao acusar Alberdi de etnocêntrico você está errando o alvo… ele seria etnocêntrico se defendesse o espanhol, e não o inglês. O que ele propôs foi o estudo de uma língua franca, o que é mais do que óbvio se você quer ter relevância na economia internacional. Na verdade, ao falar de defender “grupos”, indígenas ou não, adotamos uma política corporativista típica do fascismo… o certo seria defender direitos dos indivíduos. Seria um bom primeiro passo defender o direito deles à propriedade, por exemplo, em vez de expropriar eles em prol “do bem comum” que só uma usina hidrelétrica pode trazer.

        “Não se ensina, nas escolas, que a Rev. Cubana é uma maravilha ou que a heteronormatividade é opressora. Não sei da onde vocês tiram isso. A respeito da Rev. Cubana, caberia um ponderamento racional do que é essa revolução, para além da demonização que a mídia faz ou da veneração de certos grupos de esquerda.”
        Nunca teve professor comunista? Se não teve deu sorte de ler só os livros onde ensinam que social-democratas são “neoliberais”. Aliás, os mesmos livros que defendem o fascista do Getúlio Vargas e pintam o Che como se fosse a Madre Teresa de Calcutá.

        “Sobre a heteronormatividade: esse ponto é essencial, considerando os direitos de grupos LGBT que tem reivindicando a proteção do Estado aos crimes homofóbicos. Meu Deus… alguém se opondo ao trabalho educativo em diversidade sexual é o ó.”
        Sim, me oponho ao trabalho educativo em “diversidade sexual”. Sexo por si é uma diversão, não é coisa para ser ensinada na escola. Acho o maior desperdício de verba pública ficar gastando com essas merdas de ensinar que poligamia é legal e homossexualidade é normal. É claro que é normal, é claro que é legal. Quem precisa aprender isso na escola? Por que tem que ensinar sobre diversidade disso, daquilo e daquele outro? Não seria papel da educação primeiramente acabar com analfabetismo, incentivar leitura, desenvolver habilidades de cálculo, em língua estrangeira, etc? Por que é mais importante aprender cultura gay ou islamismo?

        “Ah sim, o problema dos favelados se resolveriam com o ensino técnico para o mercado. Claro. O que eu vejo é a reprodução da lógica dual de educação: o ensino crítico, formativo, para formação de elites X o ensino tecnicista, mercadológico, para as massas.”
        Sim, claro. Ou você conhece algum favelado por aí preocupado com o pós-modernismo, as idéias do Foucault e o problema do machismo no mundo árabe? É dessas futilidades que eles precisam? Eles precisam é de liberdade e condição digna de vida, não adestramento politicamente correto. Ensino crítico não é o que se ensina no Brasil. O que há no Brasil é uma fábrica de imbecis. Sério, eu tive que fazer um esforço hercúleo para desaprender as lorotas que me ensinavam nas aulas de história (melhor de “estória”). Se não tivesse aprendido por conta própria estaria até hoje achando que em Cuba “todo mundo é igual” e que o FHC é “neoliberal”. E não existe “elites x massas”… isso é raciocínio maniqueísta. Uma prova de que o nosso ensino é doutrinário e comunista é que as pessoas não conseguem ver o mundo além da guerra de classes, são incapazes de explorar a própria individualidade além do esquema dos opressores x oprimidos, ricos x pobres, brancos x negros, héteros x homos. É um raciocínio binário digno dos programas da Xuxa onde meninos jogam contra meninas.

        “A respeito do Chile e dos estudantes “baderneiros”, prefiro não me estender. Sua visão é absolutamente deturpada e preconceituosa.”
        Minha visão é pós-conceituosa. Se a líder do movimento é do Partido Comunista e tantos outros ali o são, sem a menor vergonha de portar bandeiras e buttons, que motivos tenho eu para acreditar que o movimento não é articulado pelo Partido? Quem tá de uniforme é porque quer jogar. E aqui a situação é a mesma: a corja de vagabundos que interrompe as aulas dos outros para fazer mini-revoluções cubanas na faculdade é membro em peso de partidos comunistas, socialistas, etc. Quando não são do PT são do PCdoB, do PCB, do PCO, do PSOL e outras bizarrices como o Ler-QI, o MNN, etc. E isso inclui a UNE e a Juntos e outros mais que são financiados com verba pública mamada por estes mesmos partidos para seus fins escusos. Minha visão é preconceituosa? E a sua é o que? Neutra e abalizada? Me poupe, né. Esse papo de “mente aberta totalitária” eu já vi antes.

        AWAY

  2. Renan,

    Então essa é a nova sacada da direita? Negar o neoliberalismo. Ele pode não existir como uma concepção tão fundamentada quanto, sei lá, o estruturalismo francês, mas faz absolutamente todo o sentido falar de neoliberalismo. Há várias vertentes e toda uma heterogeneidade, claro, assim como há no pensamento feminista. Mas é consensual que a onda de desmonte dos estados de bem-estar social, por meio do arrocho salarial, corte de gastos sociais, privatizações, entre outros, em meio à contenção da crise da década de 1970, exemplificado inicialmente na figura de Pinochet e os Chicago Boys, Thatcher e Reagen, é a aplicação política da concepção neoliberal, gestada por exemplo em Hayek.

    Por isso, insisto que o Brasil é, sim, uma democracia capitalista liberal. A própria noção de “democracia” é um dos pilares do pensamento liberal clássico. Há outras: a igualdade perante a lei, a propriedade privada. O mundo ocidental é principalmente um mundo liberal. E o que é a social-democracia que se tenta ter no Brasil e na Europa senão uma mescla de liberalismo (não só econômico; falo principalmente do plano político) com uma questão mais social, que está longe de ser socialista.

    Entendo que as noções de direita e esquerda são absolutamente variáveis, contextualizadas e até contingenciais. No Brasil, podemos falar de direita, sim, dentro daquilo que politicamente se configura como uma direita, e que necessariamente é diferente da direita de Hitler, de Thatcher, do fundamentalismo islâmico. E que o totalitarismo serve a ambos os lados, como se vê no fascismo e no stalinismo.

    PT é um novo fascimo? Rsrs! É por isso que eu adoro conversar com direitistas: eles pintam um mundo cômico. O melhor, mesmo, é ver como vocês constroem a noção de que o comunismo está infiltrado em todos os lados, rs. Me divirto! #aloka

    Ah sim, e devemos apenas defender o direitos dos indivíduos, correto? A sociedade é a soma de indivíduos. Porque o assassinato de travestis, as desigualdades salariais de gênero, o baixo acesso de negros ao ensino superior ou a oposição ao piso salarial dos docentes não traz nenhuma indicação de que é necessário, sim, olhar para direitos, reivindicações e problemáticas que atingem determinados grupos, setores, facções etc. Temos recortes de raça, gênero, de trabalhadores, sexualidade, que cruzam a realidade social nos mostrando, e isso já está bem consolidado, a necessidade de se pensar coletivamente. É por isso que falamos em temáticas SOCIAIS.

    Defendo uma educação integral também no sentido de defender a educação em tempo integral, de tal forma que tanto uma formação que ensine competências que poderão ser utilizadas no mercado de trabalho ocorra sinergicamente ao desenvolvimento de outras competências (artísticas, musicais, idiomas) e com o aprofundamento em questões políticas e sociais (aí inclusa a questão racial, a diversidade sexual). A sua negligência a essas temáticas é absolutamente perigosa: é um descomprometimento total, por parte do Estado, a questões essenciais da cidadania, da democracia, da sociedade de modo geral. Você fala isso na posição de homem, branco, provavelmente de classe média/alta, hétero, para quem as temáticas sociais são meros interesses escusos de grupos subvertidos. Que olhar mais umbiguista, Deus me livre!

    Se o Estado assume para si a responsabilidade de ensinar essa temática, orientando e dando condições para um trabalho docente adequada em sala de aula, evitaremos aqueles professores que, heroicamente ou maleficamente, ensinam o conteúdo da forma como bem entenderem. Em outras palavras, não teremos os “professores comunistas”, se é esse o seu medo.

    A respeito do Chile. Sou um grande defensor do não-aparelhismo de movimentos em prol de partidos ou certos grupos, mas assumir que uma manifestação que, no Chile, chegou a 1 milhão em uma praça foi manobrada por interesses do partido é chamar os chilenos de ignorantes… os líderes podem até estar envolvidos com o partido, não é isso que me preocupa. Me preocuparia se eles estivessem movendo massas unicamente para benefício próprio, o que não é o caso. Eles até podem ser beneficiados, mas um apoio da maioria absoluta da população chilena pela causa educacional mostra a relevância da temática para além dos anseios do partido.

    Abraços!

    1. Não, meu caro… ele não existe. É um rótulo que a esquerda inventou, assim como chamar o Partido SOCIAL DEMOCRATA de direita. Não existe uma escola de pensamento dita “neoliberal”, não existe economia “neoliberal”. Em economia, o que existe é Escola Austríaca de Economia, o que é praticamente o extremo oposto de qualquer política econômica adotada pelo social-democrata FHC.

    2. “Há várias vertentes e toda uma heterogeneidade, claro, assim como há no pensamento feminista. Mas é consensual que a onda de desmonte dos estados de bem-estar social, por meio do arrocho salarial, corte de gastos sociais, privatizações, entre outros, em meio à contenção da crise da década de 1970, exemplificado inicialmente na figura de Pinochet e os Chicago Boys, Thatcher e Reagen, é a aplicação política da concepção neoliberal, gestada por exemplo em Hayek.”
      Isto não é neoliberalismo. Hayek era um liberal da Escola Austríaca, e os Chicago Boys eram da Escola de Chicago. Escola “neoliberal” não existe.

      “Por isso, insisto que o Brasil é, sim, uma democracia capitalista liberal. A própria noção de “democracia” é um dos pilares do pensamento liberal clássico.”
      Insisto que o senhor não sabe o que está falando. O Brasil desrespeita a propriedade privada até mais do que a China que se autodeclarava comunista até pouco tempo atrás. Também está desconsiderando as leis trabalhistas em rigor aqui, posto que nada do trabalhismo fascista da Era Vargas foi removido, somente ampliado. Jamais no Brasil vingou qualquer choque liberal como ocorreu nos EUA, no Chile, no Taiwan, etc. Até o modelo de privatização do PSDB tem Estado no meio.

      “Há outras: a igualdade perante a lei, a propriedade privada. O mundo ocidental é principalmente um mundo liberal. E o que é a social-democracia que se tenta ter no Brasil e na Europa senão uma mescla de liberalismo (não só econômico; falo principalmente do plano político) com uma questão mais social, que está longe de ser socialista.”
      E igualdade perante a lei e propriedade privada são coisas exclusivas do liberalismo agora? :p

      “Entendo que as noções de direita e esquerda são absolutamente variáveis, contextualizadas e até contingenciais. No Brasil, podemos falar de direita, sim, dentro daquilo que politicamente se configura como uma direita, e que necessariamente é diferente da direita de Hitler, de Thatcher, do fundamentalismo islâmico. E que o totalitarismo serve a ambos os lados, como se vê no fascismo e no stalinismo.”
      Sorry my friend, mas você só pode estar brincando. O PSDB pode ser até a direita da esquerda, mas direita ele não é. Direita representada partidariamente no Brasil praticamente inexiste. A saber: nacional-socialismo não é direita (nasceu do socialismo alemão), muito menos fascismo (que aliás, nasceu do massimalismo dentro do Partido Socialista Italiano). Fundamentalismo islâmico também não é direita se você não determina o que é “fundamentalismo islâmico”. Talvez se você estivesse falando de monarquia islâmica, sim. Creio que o único exemplo de totalitarismo que existe representando a direita é o do Pinochet, porque de resto nem os nossos militares se salvaram com o seu terceiro-mundismo positivista.

      “PT é um novo fascimo? Rsrs! É por isso que eu adoro conversar com direitistas: eles pintam um mundo cômico. O melhor, mesmo, é ver como vocês constroem a noção de que o comunismo está infiltrado em todos os lados, rs. Me divirto! #aloka”
      Óbvio que PT é fascista. O que é fascismo? Fascismo é a Terza Via, a terceira via. Os fascistas não buscam estatizar toda a Economia, mas dirigí-la. Eles buscam conciliar a classe “burguesa” com a classe “proletária” para um fim heróico para a nação. Comunistas de fato jamais aceitariam esta parceria com os “grandes capitalistas” como Eike Batista, Delta, Odebrecht, etc. Juntou nacionalismo com o socialismo, passa a ser fascismo. Não difere muito do que era Vargas, Salazar, Franco, Mussolini. Aliás, este último é praticamente o fundador do caudilhismo terceiro-mundista.

      “Ah sim, e devemos apenas defender o direitos dos indivíduos, correto? A sociedade é a soma de indivíduos. Porque o assassinato de travestis, as desigualdades salariais de gênero, o baixo acesso de negros ao ensino superior ou a oposição ao piso salarial dos docentes não traz nenhuma indicação de que é necessário, sim, olhar para direitos, reivindicações e problemáticas que atingem determinados grupos, setores, facções etc.”
      Sim. Ou vai me dizer que travestis, mulheres e negros não são indivíduos? São o que? Colônias? Se gosta de corporativismo admita de uma vez, não fique de lero lero.

      “Temos recortes de raça, gênero, de trabalhadores, sexualidade, que cruzam a realidade social nos mostrando, e isso já está bem consolidado, a necessidade de se pensar coletivamente. É por isso que falamos em temáticas SOCIAIS.”
      Ninguém pensa coletivamente. Humanos pensam individualmente. Os burocratas lá encima não pensam “com nós”, eles pensam “por nós”. Eles decidem por você, não com você.

      “Defendo uma educação integral também no sentido de defender a educação em tempo integral, de tal forma que tanto uma formação que ensine competências que poderão ser utilizadas no mercado de trabalho ocorra sinergicamente ao desenvolvimento de outras competências (artísticas, musicais, idiomas) e com o aprofundamento em questões políticas e sociais (aí inclusa a questão racial, a diversidade sexual). A sua negligência a essas temáticas é absolutamente perigosa: é um descomprometimento total, por parte do Estado, a questões essenciais da cidadania, da democracia, da sociedade de modo geral.”
      Exatamente. É o descomprometimento TOTAL do Estado em CONTROLAR A MENTE E O COMPORTAMENTO das pessoas. Elas é que devem saber o que é bom para elas. Não é papel do Estado ficar doutrinando as pessoas para verdades oficiais. Não estamos mais no tempo da educação monástica em que o Estado tem que cuidar até da sua alma.

      “Você fala isso na posição de homem, branco, provavelmente de classe média/alta, hétero, para quem as temáticas sociais são meros interesses escusos de grupos subvertidos. Que olhar mais umbiguista, Deus me livre!”
      Olha só que audácia desse racista, classista e heterofóbico! Polilógica marxista não cola comigo, meu caro. Lugar de discurso classista é lá no Terceiro Reich.
      Engraçado é ver os dons místicos das pessoas… querem adivinhar até o quanto ganhamos. KKKKKKKK. Classe média no Brasil é o que? Ter um carro usado? Não sei, não sou classe alta para passar nos exames da USP e ir pra facul de Hyundai.

      Apelou para classismo, racismo e sexismo? = LOSER!

      “Se o Estado assume para si a responsabilidade de ensinar essa temática, orientando e dando condições para um trabalho docente adequada em sala de aula, evitaremos aqueles professores que, heroicamente ou maleficamente, ensinam o conteúdo da forma como bem entenderem. Em outras palavras, não teremos os “professores comunistas”, se é esse o seu medo.”
      Claro, se o Estado pudesse controlar até o que os professores pensam, não teríamos problema com nada. Aliás, se ele pudesse controlar até o que os cidadãos pensam, o Adriano não seria um classista que apela para Polilógica Marxista e o Renan não cometeria o pecado mortal de ser de direita.

      “A respeito do Chile. Sou um grande defensor do não-aparelhismo de movimentos em prol de partidos ou certos grupos, mas assumir que uma manifestação que, no Chile, chegou a 1 milhão em uma praça foi manobrada por interesses do partido é chamar os chilenos de ignorantes… os líderes podem até estar envolvidos com o partido, não é isso que me preocupa. Me preocuparia se eles estivessem movendo massas unicamente para benefício próprio, o que não é o caso. Eles até podem ser beneficiados, mas um apoio da maioria absoluta da população chilena pela causa educacional mostra a relevância da temática para além dos anseios do partido.”
      É óbvio que é em benefício próprio. As viúvas do Stalin querem aparelhar as universidades chilenas do mesmo modo que fizeram aqui. Tomara que o Chile se livre disso, senão vai virar só mais um país medíocre neste continente.

      1. Enfim, não vou me alongar muito porque acho que a discussão já ultrapassou o limite do enfadonho. Temos referências absolutamente distintas e não compartilhamos sequer um ideal. As minhas últimas considerações:

        – não é necessário ter um “escola neoliberal” para existir neoliberalismo. Não existe uma “escola feminista” e há muito pano pra manga quando falamos em “feminismo”.

        – não sou comunista, mas também não me coloquei favorável ao modelo de política do PT. Não o considero fascista, tampouco neoliberal, mas de longe não é o regime que eu defenderia.

        – é evidente que travestis e negros são indivíduos; o que chamei a atenção é para a importância de políticas públicas que pensem na questão racial ou na questão da sexualidade; são recortes sociais, que dependem de uma análise que vá além dos direitos desse indivíduo sem sexo, cor, nacionalidade etc, do liberalismo universalista.

        – você mesmo afirmou que a educação atende a certos interesses; pois então. Um viés tecnocrata de ensino, meramente instrucional, serve a um interesse e é, também, uma escolha política. Você pode não querer discutir política em sala de aula, partindo para esse libertarianismo de que todos pensam o que quiserem, mas no fundo está defendendo uma ideologia pesada de reprodução e legitimação de desigualdades. Tal ideologia se vale da omissão política e, como todas as omissões, se trata de claras escolhas. Assim, já que temos de escolher, que escolhemos por aquilo que, na conjuntura dos marcos do nosso Estado, faça sentido e seja coerente com suas aspirações. Você sabe disso, mas usa a ignorância oportunamente a seu favor.

        – talvez tenha sido um erro meu trazer a questão da sua posição neutra – em termos raciais, de gênero etc – pois isso é um manobra arriscada para pessoas que compartilham referenciais tão distintos quanto você. Para os entendidos, isso não é um problema. O que eu coloquei é que, enquanto homens, estamos menos sensíveis a perceber as questões de gênero; como héteros, menos sensíveis à questão da sexualidade, e assim por diante. Pelo simples motivo de que as formas hegemônicas de padronização dos sujeitos e normatização de corpos e atitudes, se são verdadeiramente hegemônicas, colocam-se como o Eu, o neutro, a referência. Assim, acusei-o de que, na sua posição, você me parece absolutamente acomodado e indiferente a questões sociais que pouco te atingem. Chamar-me de racista, classista e heterofóbico por isso, pelo amor de Deus, esses adjetivos cabem a você que acha que o assassinato de travestis não é um “problema que se preze”; que a privação de direitos às mulheres em diversos países é uma “futilidade”. Logo, quem está reproduzindo a discriminação é você, que compactua com as desigualdades em nome desse individualismo. Já a minha posição não é de corporativismo, mas de solidarização ou participação em causas sociais.

        Enfim, agora já vou. Infelizmente, rompi minha promessa de não ficar mais entrando em sites direitistas e comprando briga com pessoas como você, pois é um desperdício de tempo violento. Lembro-me das LONGAS discussões que tinha com homofóbicos e machistas… ai, vade retro, já saí dessa vida!

        Vou continuar olhando pra frente, e um beijo pra você e seus amigos!

      2. Enfim, não vou me alongar muito porque acho que a discussão já ultrapassou o limite do enfadonho. Temos referências absolutamente distintas e não compartilhamos sequer um ideal. As minhas últimas considerações:

        – não é necessário ter um “escola neoliberal” para existir neoliberalismo. Não existe uma “escola feminista” e há muito pano pra manga quando falamos em “feminismo”.
        Por mim poderia ter quantas escolas fossem, desde que cada um escolhesse o que quisesse aprender e ela não fosse bancada com verba pública. Não tenho qualquer objeção com a doutrinação, desde que ela não seja feita com recursos públicos.

        – não sou comunista, mas também não me coloquei favorável ao modelo de política do PT. Não o considero fascista, tampouco neoliberal, mas de longe não é o regime que eu defenderia.
        Duvido que seja, realmente, mas igual a posição dos grandes partidos de esquerda daqui (com exceção de remanescentes da paleoesquerda como o PCO, o PSTU, o PCB) tende para o fascismo: socialismo nacionalista, protecionista e xenófobo.

        – é evidente que travestis e negros são indivíduos; o que chamei a atenção é para a importância de políticas públicas que pensem na questão racial ou na questão da sexualidade; são recortes sociais, que dependem de uma análise que vá além dos direitos desse indivíduo sem sexo, cor, nacionalidade etc, do liberalismo universalista.
        Não vejo qualquer necessidade disso. Ser negro ou travesti não é deficiência alguma. O que tem que ser combatido é o crime, contra qualquer cidadão que seja, e não dividir a sociedade em corporações para manipulá-las na política eleitoreira.

        – você mesmo afirmou que a educação atende a certos interesses; pois então. Um viés tecnocrata de ensino, meramente instrucional, serve a um interesse e é, também, uma escolha política. Você pode não querer discutir política em sala de aula, partindo para esse libertarianismo de que todos pensam o que quiserem, mas no fundo está defendendo uma ideologia pesada de reprodução e legitimação de desigualdades. Tal ideologia se vale da omissão política e, como todas as omissões, se trata de claras escolhas. Assim, já que temos de escolher, que escolhemos por aquilo que, na conjuntura dos marcos do nosso Estado, faça sentido e seja coerente com suas aspirações. Você sabe disso, mas usa a ignorância oportunamente a seu favor.
        Vou repetir… acho que você com toda a instrução que teve ainda não entendeu: o texto aborda a opinião de Juan Bautista Alberdi. Eu só comentei ela. Postarei outras ainda neste blog, de outros autores. Por mim a educação pública nem existiria. Seria tudo privado e o Estado só bancaria via voucher quem não pudesse arcar com as despesas. Legitimar desigualdades? Mas não é você próprio que está defendendo uma lei desigual porque considera que negros e travestis diferem do resto da população em direitos? Não estou entendo o duplipensar. Os homens são iguais em direitos, não em propósito ou condição. Seu propósito e sua condição é tarefa dele e de seus próximos mudar, não do restante da população. Estados não tem aspirações, são os políticos no poder que tem aspirações que impoem ao Estado – sobretudo pela educação “integral” que você tanto ama. A doutrinação é um instrumento de poder que eu prefiro deixar bem longe das mãos do Estado.

        “- talvez tenha sido um erro meu trazer a questão da sua posição neutra – em termos raciais, de gênero etc – pois isso é um manobra arriscada para pessoas que compartilham referenciais tão distintos quanto você. Para os entendidos, isso não é um problema. O que eu coloquei é que, enquanto homens, estamos menos sensíveis a perceber as questões de gênero; como héteros, menos sensíveis à questão da sexualidade, e assim por diante.”
        Cara, polilógica marxista é polilógica marxista e não adianta disfarçar. Homem também é sexo, masculino também é gênero, branco também é cor, heterossexualidade também é sexualidade e burguês também é gente. Não adianta vir dizer que humanos não podem entender certas coisas porque são de determinada cor, credo, raça, classe ou sexo. A razão é acessível a todos.

        “Pelo simples motivo de que as formas hegemônicas de padronização dos sujeitos e normatização de corpos e atitudes, se são verdadeiramente hegemônicas, colocam-se como o Eu, o neutro, a referência. Assim, acusei-o de que, na sua posição, você me parece absolutamente acomodado e indiferente a questões sociais que pouco te atingem.”
        Óbvio. O eu é sempre a referência. Até sua opinião pseudoplural é egocêntrica. Você simplesmente se coloca como “eu, o mente aberta”, “eu, o cara que entende os problemas dos outros”, “eu, o cara que se preocupa com os travestis”. Não diferimos quanto à isso, posto que você é tão humano quanto eu e a lógica subjacente ao pensamento humano é universal.

        “Chamar-me de racista, classista e heterofóbico por isso, pelo amor de Deus, esses adjetivos cabem a você que acha que o assassinato de travestis não é um “problema que se preze”;”
        Fale por você. Eu disse que o assassinato de um humano é um problema independente dele ser ou não um travesti.

        “que a privação de direitos às mulheres em diversos países é uma “futilidade”.”
        E o que EU tenho a ver com os outros países? Sou eu que governo outros países? Eu vivo em outros países? Fui eu que inventei o machismo nestes países? Por que é que eu vivendo num país onde morre 50 mil neguin por ano só de homicídio, a corrupção rola solta e o analfabetismo é crônico tenho que me preocupar com o que estrangeiros fazem com as mulheres de lá?

        “Logo, quem está reproduzindo a discriminação é você, que compactua com as desigualdades em nome desse individualismo. Já a minha posição não é de corporativismo, mas de solidarização ou participação em causas sociais.”
        O dia que eu ver os vermelhinhos contribuindo mais para ajudar os pobres do que a Igreja eu vou acreditar no humanitarismo pastelão deles. Eu faço por mim e pelos que vivem à minha volta, não fico pagando de Madre Teresa de Calcutá que se compadece dos não-brancos, dos não-héteros, dos não-homens. O indivíduo transcende estes rótulos vis que só servem para inflamar o preconceito, o ódio, o racismo, o sexismo e o classismo. A sua posição é a de ficar tagarelando o politicamente correto na internet, só isso. Faz por ti.

        “Enfim, agora já vou. Infelizmente, rompi minha promessa de não ficar mais entrando em sites direitistas e comprando briga com pessoas como você, pois é um desperdício de tempo violento. Lembro-me das LONGAS discussões que tinha com homofóbicos e machistas… ai, vade retro, já saí dessa vida!”
        Sejam como são, ou não sejam. Se sou homofóbico, homo sapiens, homogêneo, fica a cargo da rotulação que vc quiser, eu não me preocupo com o que esquerdistas pensam de mim. Sou o que sou e quem me conhece dispensa rótulos. Não preciso mimetizar para compreender, não preciso marchar junto para respeitar, não preciso concordar para tolerar. É um modo simples de vida: cada um no seu quadrado.

        “Vou continuar olhando pra frente, e um beijo pra você e seus amigos!”
        Abraços e vai em paz.

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