Indústrias e o desenvolvimento socioeconômico

Indústrias, elas são sinônimos de riqueza e desenvolvimento. Mas se uma região se desenvolve o bastante, elas acabam ficando fora de contexto e passam a perder sua importância tanto para os empresários quanto para a população. Eu nasci em São Caetano do Sul, cidade que faz parte do ABC paulista que é uma região famosa por ser um pólo industrial. Porém, isso vem mudando nos últimos 20 anos.

São Caetano chegou a ter indústrias Matarazzo e hoje ainda tem uma montadora da General Motors. Mas deixou de ser uma cidade industrial e passou a ser  uma cidade de serviços: muitos profissionais liberais tem seus consultórios ou escritórios na cidade. Recentemente, São Caetano recebeu um shopping do  grupo Multiplan, além de ser sede da loja matriz das Casas Bahia. A cidade talvez seja a única do ABC a trocar as indústrias pelos serviços (mas não se engane, a GM ainda gera grande parcela PIB da cidade), mas é seguida por Santo Andre e São Bernardo do Campo nessa nova tendência.

São Bernardo do Campo, famosa pelas suas indústrias e greves nos anos 70/80, vem mudando um pouco seu perfil. Hoje o setor de serviços vem crescendo, e o setor imobiliário não ficou atrás: as construtoras estão vendo uma oportunidade boa e a região só se valoriza.

Mas isso tudo só se deu graças às indústrias e a saída de algumas delas. P ciclo é muito simples de se entender: uma região que é subdesenvolvida acaba sendo atraente para fábricas, pois nelas se encontram mão de obra barata (a priori isso parece exploração, mas o trabalho fabril não requer grande especialização, e tem uma remuneração razoável). Aos poucos  esses trabalhadores vão melhorando suas condições financeiras, o que consequentemente irá atrair novos negócios para a região ou até incentivar o empreendedorismo local. Os filhos desses operários vão herdar todo esse desenvolvimento. O ABC Paulista é prova disso, há 50 anos a região era cheia de indústrias e nelas trabalhavam imigrantes europeus e migrantes nordestinos, todos com especialização e nível escolar baixo, mas seus filhos tiveram melhores condições de vida e estudos,  até ensino superior. Boa parte dessa geração, filha desses operários, partiram para outros setores e diferente de seus pais não acabaram trabalhando em indústrias, mas sim como profissionais liberais. Num espaço de 3 ou 4 gerações o nível socioeconômico de cada uma melhorou gradualmente.

Hoje ao conversar com antigos moradores do ABC ficam claras as mudanças que a região sofreu nas ultimas décadas e quase impossível de imaginar que o que hoje é uma região urbana ligada a uma  metrópole (São Paulo) era no passado uma região rural com várzeas e córregos. Esse crescimento foi em boa parte descontrolado, mas demonstra o papel que as indústrias tem desenvolver rapidamente uma região.

O que eu quero concluir com esse texto é que as indústrias não exploram trabalhadores. Pelo contrário, traz progresso para a região e para seus habitantes. As famílias melhoram de forma gradual e rápida suas condições: é o que chamam de sistema de “dinastia”, ou seja, acumular capital que é passado de geração em geração. Aposto que suas condições socioeconômicas são bem melhores que as que seus avós ou bisavós tiveram.

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