Liberalizar gera desemprego?

Uma “crença econômica” muito popular é que liberalizar a economia (cortar gastos e impostos do governo, diminuir burocracias e intervenções e aumentar a liberdade) gera pobreza, desemprego e diversos outros males sociais. Mas, não é realmente assim que acontece.

Esse pensamento pode advir por diversos motivos diferentes e um dos principais é até compreensível se vier de alguém completamente leigo em economia. Quando o governo aumenta gastos e, principalmente, o número de funcionários públicos, o desemprego cai, obviamente. Logo, as pessoas passam a ter a sensação de desenvolvimento econômico e social.

Só que essa melhoria foi artificial, e de fato não houve nenhum avanço real. O desemprego diminuiu artificialmente, pois foram criados empregos para algo improdutivo no qual ninguém demandava trabalho, apenas com o intuito de diminuir a taxa de desemprego, e isso maquia também diversos outros indicadores econômicos. Num mercado desimpedido isso não ocorre, pois ninguém irá empregar funcionários e criar despesas que não vão surtir nenhum efeito produtivo.

O que governos mais liberais fazem é cortar esses gastos e cargos completamente improdutivos. Sim, consequentemente no curto prazo isso gera um aumento no desemprego, porque antes pessoas que estavam empregadas agora não o mais estão. E isso não quer dizer que empregos foram perdidos para o resto da eternidade, pois o que está acontecendo é que o mercado irá realocar os recursos, desde o emprego mais adequado à mão-de-obra até mudanças na utilização dos meios de produção, por exemplo.

Keynesianos argumentam nessas horas dizendo que os funcionários públicos consomem e ajudam a movimentar a economia. Sim, isso está correto, não é mentira. Só que o que também é verdade (porém, essa parte não é contada) é que os funcionários públicos estarão movimentando a economia num segundo momento. Num primeiro momento, tiveram um dia de trabalho improdutivo para a economia, diminuindo a criação de riqueza. Como diria Bastiat, o que se vê são os funcionários consumindo, o que não se vê é que anteriormente eles não trabalharam em algo produtivo e a sociedade como um todo deixou de produzir mais riqueza.

O mesmo vale até para políticos corruptos que superfaturam obras. Num segundo momento, eles (junto com a família, os amigos, as amantes…) estão consumindo, movimentando a economia. Mas num primeiro momento, desperdiçaram muitos recursos em algo que poderia ter sido mais produtivo.

Esses equívocos ocorrem pois políticas liberais são pensadas no longo prazo e em todo o desenvolvimento que isso irá trazer no futuro. E elas têm seus adversários, já que geralmente políticos acabam por ter um pensamento econômico curto-prazista (aqueles mesmos que aumentaram os cargos públicos para maquiar o desemprego). Esse pensamento de curto prazo não pensa em um grande crescimento futuro e contínuo, mas em um crescimento que dure o suficiente para garantir votos para a próxima eleição. Porém, o longo prazo (também conhecido como realidade, nesse caso) irá chegar uma hora ou outra, normalmente em forma de recessões e déficits governamentais.

Isso fica evidente em períodos de recessão (também conhecida como volta à realidade, nesses casos de manipulação econômica). Quando chega a recessão, o governo volta a tentar distorcer a economia, temendo um agravamento na crise econômica. Porém, os efeitos serão contrários, pois a economia já está tentando voltar aos trilhos do mercado, e as intervenções apenas tornarão mais lento esse processo, dificultando a vida dos cidadãos.

Em recessões, intervenções atrasam a estabilização.

Também existe o caso em que o governo aumenta impostos de importação ou algum outro tipo específico de reserva de mercado para “proteger a indústria nacional”. Fazendo isso, estará forçando uma demanda por bens que não correspondem com a necessidade do consumidor. Se o consumidor prefere um determinado produto de outro país, não é porque ele tem preconceito com o fabricante nacional ou algo do gênero, e sim por que lhe é mais atraente, seguindo os princípios da teoria da demanda. Se o consumidor prefere o produto X ao invés do Y não se deve puní-lo por isso, dificultando o acesso ao X. O mercado irá se ajustar para o consumidor comprar o produto X. Máquinas de escrever, que foram substituídas pelos computadores, são um exemplo. O mercado “quebou” as indústrias das máquinas de escrever? Sim, e hoje nós temos os computadores. O mercado se reajustou pois o governo permitiu esse reajuste, não intervindo.

Alguns exemplos para finalizar são a história econômica da Nova Zelândia, que tinha a terceira maior renda per capita antes dos anos 1950, atrás apenas dos EUA e do Canadá, e no final da era do bem-estar social era apenas a vigésima sétima, contando com um desemprego artificialmente baixo que chegou a zerar (por volta de 1959); o Canadá, que passou por algumas recessões após períodos de crescimento e desenvolvimento artificial; as crises americanas de 1929 e 2008, em que o governo distorceu a economia de mercado e, diferente da crise de 1920, não deixou o mercado se reajustar.

Portanto, o que causa desemprego não é liberalizar a economia. A liberalização será para corrigi-lá, será apenas o remédio. A prevenção (quem enfrentar pois de fato cria desemprego e diminuição do desenvolvimento) é diminuir intervenções do governo na economia, pois elas são quem irá gerar problemas futuros. Mascarar o desemprego com cargos públicos improdutivos é apenas mascarar os sintomas de uma doença, doença esta que não tem suas causas sendo atacadas.

4 comentários em “Liberalizar gera desemprego?”

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