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por Marian L. Tupy, publicado originalmente no site do CATO Institute em 6 de dezembro de 2005. Traduzido e adaptado o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos.

Apesar dos recentes reveses, o round de negociações na liberalização comercial ocorrido em Doha continua. A maior parte da mídia mundial e muitas organizações não-governamentais continuam a focar no protecionismo no mundo desenvolvido e no efeito negativo que o protecionismo tem no desenvolvimento econômico dos países pobres. Certamente, o protecionismo no mundo desenvolvido causa danos a alguns produtores no mundo em desenvolvimento, bem como aos consumidores no mundo desenvolvido. Se o mundo desenvolvido adotasse o livre comércio, o mundo todo se beneficiaria.

Mas a liberalização comercial no mundo desenvolvido como uma cura para a pobreza no mundo é frequentemente superestimada. Simplesmente abandonar o protecionismo do mundo desenvolvido não mudaria substancialmente as vidas das pessoas vivento nas partes mais pobres do mundo em desenvolvimento. Isto é especialmente verdade para a África sub-Saariana (AsS), onde as principais causas do empobrecimento são internas. A AsS não é pobre por falta de acesso aos mercados mundias. A AsS é pobre por causa da instabilidade política e por causa da falta de políticas e instituições, como os direitos de propriedade privada, que são necessários para a economia de mercado florescer.

Além disso, a AsS continua a ser uma das regiões mais protecionistas do mundo. Enquanto os países ricos reduziram suas médias de tarifas aplicadas em 84% entre 1983 e 2003, os países da AsS reduziram as suas em apenas 20%. De acordo com dados mais recentes, a proteção não tarifária nos países mais pobres da AsS é quatro vezes maior do que a proteção não tarifária em países ricos. Por incrível que pareça, a liberalização comercial dentro da AsS poderia aumentar o comércio dentro da própria AsS em 54% e contabilizar mais de 36% de todo os ganhos em bem-estar que a AsS recebe como resultado da liberalização comercial no mundo.

É hipócrita dos líderes africanos querer mais acesso a mercados globais ao mesmo tempo que rejeitam a abertura comercial em casa. E também é auto-destrutivo, porque o protecionismo doméstico contribui para a perpetuação da pobreza na África. Uma pesquisa mostra que os países com a maior liberdade de comércio tendem a crescer mais que os países que restringem o comércio. Os governos da AsS tem controle completo sobre a redução de suas próprias barreiras comerciais. Se eles realmente querem os benefícios da liberalização, eles podem liberar as relações comerciais, entre os países da AsS e com o resto do mundo,  imediatamente. Eles deveriam fazer isso, independente do que o mundo desenvolvido faz.

Link para Policy Analysis no. 557 completa aqui.