Os dez princípios do Liberalismo Clássico

O que é liberalismo clássico? É um conjunto de idéias que coloca o indivíduo como o seu centro. Liberais clássicos discordam em muitas coisas, mas eles concordam em dez princípios básicos.

I. Liberdade
O número um é que a liberdade é o valor político fundamental. Temos muitos valores políticos, porque nos importamos com a família, com a religião. Mas quando a questão é uma decisão política sobre o que o governo deve fazer, liberais clássicos tem um padrão claro de raciocínio: isto aumenta ou diminui a liberdade do indivíduo? O governo deve agir somente para prevenir danos a terceiros.

II. Individualismo
Segundo princípio, individualismo. Sustentar que o indivíduo é mais importante do que o coletivo. Não devemos sacrificar os interesses dos indivíduos por aquilo que algumas pessoas chamam de “o bem comum”, que é o centro das atenções do comunismo e do fascismo para os quais o indivíduo não importa. Todo indivíduo importa e todo indivíduo merece respeito.

Der Wanderer über dem Nebelmeer, de Caspar David Friedrich.

III. Ceticismo quanto ao Poder
Poder é a habilidade de fazer outras pessoas fazerem o que você quer, e que de outro modo elas não fariam. O governo, por exemplo,  frequentemente afirma que “estamos forçando você a fazer isso porque é do seu próprio interesse fazê-lo”. Mas, estamos cientes de que quando pessoas no poder fazem isto, é porque é benéfico para elas mesmas. Liberais clássicos acreditam que a melhor pessoa para satisfazer os interesses dos indivíduos é o próprio indivíduo. Podemos recomendar coisas, mas no final das contas é o indivíduo quem deve decidir pelos seus próprios interesses. Outras pessoas não deveriam forçá-lo a fazer coisas que ele não quer.

IV. Império da Lei
Esta é a idéia de que há alguns princípios fundamentais pelos quais devemos examinar o que o governo faz, as ações do governo. Algo que, por exemplo, a Suprema Corte às vezes burla quando cria certas legislações e passa para o Presidente ratificar, porque seu conteúdo vai contra certos princípios incorporados à Constituição. Liberais clássicos acreditam que os princípios do império da lei devem ser aplicados a tudo que o governo faz em qualquer lugar do mundo.

Um exemplo é a igualdade perante a lei. As pessoas devem ser tratadas da mesma maneira, independente de sua raça, gênero, religião, classe social ou orientação sexual. É por isso que liberais clássicos sempre opuseram-se à idéia de que as leis devem tratar brancos e negros de maneira distinta.

Lei, de Frederick Dielman.

V. Sociedade Civil
A sociedade civil é composta daquelas organizações voluntárias que estão entre o indivíduo e o Estado. Liberais clássicos acreditam que a maioria dos problemas sociais podem ser resolvidos mais efetivamente através destas associações voluntárias, como a família, a igreja, as instituições de caridade. Por que elas tem o conhecimento sobre os indivíduos com as quais elas lidam. A sociedade civil é muito mais eficiente do que as burocracias do governo e regras inflexíveis que não podem se adaptar de acordo com as circunstâncias individuais das pessoas. Então a sociedade civil pode fazer a maior parte das coisas que hoje queremos que o Welfare State faça.

VI. Ordem Espontânea
Ordem significa a existência de uma regularidade e previsibilidade no mundo. Quando pessoas estão tomando decisões sobre o que fazer elas precisam saber que tipo de resultados podem emergir destas decisões. Algumas pessoas parecem entender que a ordem requer algumas instituições, alguém para manipular e organizar as coisas. Liberais clássicos não acreditam nisso. Eles acreditam que a ordem pode emergir espontaneamente. As pessoas, através de sua interação voluntária, criam as regras pelas quais elas convivem.

Um exemplo clássico é a língua. Ninguém inventou a língua portuguesa, ela surgiu conforme as pessoas comunicavam-se umas com as outras, e as suas regras foram criadas neste processo.

Não precisamos de outras pessoas para planejar as nossas vidas.

VII. Livre mercado
O comércio, os negócios, devem ser deixados para as atividades voluntárias entre indivíduos. O governo não deve dizer às pessoas onde trabalhar, o que vender, quanto gastar, o que construir. Isto deve ser deixado por conta das interações voluntárias entre as pessoas. A propriedade privada permite isso.

Também é necessário garantir que quando há disputas elas possam ser resolvidas pacificamente.

Como nos mostra a história, quando se deixa a Economia na mão de mercados livres em vez de organização ou planificação estatal, a prosperidade aumenta, a pobreza diminui e aumenta também a produção de bens que as pessoas querem consumir.

VIII. Tolerância
Tolerância é a crença de que não se deve intervir em coisas que desaprovamos. Tolerância não significa permitir as pessoas fazer coisas porque concordamos com elas ou porque achamos que é bom. É uma questão de certos princípios morais: “eu penso que isto é errado, mas não vou forçar as minhas opiniões sobre você”. Por exemplo, não forçar sua opinião através do aparato estatal para forçar pessoas a parar de fazer algo só porque você desaprova.

Um caso clássico é o da liberdade de expressão. Pessoas devem ter a permissão de dizer coisas que desaprovamos. Tolerar coisas, mesmo as que desgostamos e desaprovamos.

John Locke, defensor da liberdade de culto e tolerância religiosa. Um dos maiores representantes do liberalismo clássico.

IX. Paz
Paz é o estado no qual podemos conduzir nossas vidas e nossos interesses sem violência ou guerra. De acordo com os liberis clássicos, isto é mais facilmente obtido sem interferir em outros países. E é por isso que eles favorecem uma política externa de não-intervenção, aderindo à proposta de uma maior interação entre nações e às chamadas quatro liberdades. Deve haver livre movimentação de capital, trabalho, pessoas, bens e serviços e também a livre movimentação de idéias. Se tivermos um mundo onde a livre movimentação seja um valor respeitado,  os liberais clássicos acreditam que este será um mundo de paz.

X. Governo Limitado
Há bem poucas coisas que o governo deveria fazer. O objetivo do governo é simplesmente proteger a vida, a liberdade e a propriedade. Qualquer coisa além disso não é justificável. O governo deve ser estritamente limitado.

Então, se você acredita nestes dez princípios, você é um liberal clássico.

Tradução e adaptação, por Renan Felipe dos Santosdo vídeo de Nigel Ashford para o LearnLiberty.org, disponível aqui.

 


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19 comentários em “Os dez princípios do Liberalismo Clássico”

  1. O liberalismo clássico leva você a pensar que e possível um mundo de igualdade e paz e nao e. O individualismo acarreta conflitos, precisamos da coletividade, um nao pode subjugar o outro. Tolerância e uma palavra que nem todos conhecem . Há certos ativistas (gays por exemplo) que nao aceitam o contraditório. Querem ser tolerados, mas nao aceitam tolerar quem discorda da sua opiniões no âmbito da sexualidade. Como você ver, e impossível ter paz em meio a conflitos de interesses, e isso e so e um pequeno exemplo. O liberalismo e uma ilusão.

    1. O individualismo é a única vertente de pensamento que orbita em torno da RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL, em detrimento da culpa coletiva que é típica do pensamento coletivista. Individualismo não é um sinônimo de arrogância ou egoísmo.

      Não é possível haver paz quando se prega a extinção do pensamento contrário, e querer que deixe de existir o conflito de interesse é um exemplo raso desta forma de totalitarismo. Este é só um pequeno exemplo do porque o coletivismo é uma ilusão: ninguém fala em nome dos outros, do coletivo, sem que coloque a frente o seu próprio interesse.

  2. Liberalismo Econômico (Adam Smith): Mercado livre
    Liberalismo Político (John Locke): Liberdade perante o Estado (direitos políticos).
    Liberalismo dos Costumes (Stuart Mill): liberdade de agir como quiser (gays).

    1. Posso dar um exemplo pessoal. A Holcim, maior cimenteira do mundo, com mais de 100 anos e sediada na Suíça, tem fortes políticas de respeito a concorrência e anti-corrupção.

    2. A Faber-Castell, em seu site, defende, mesmo que não tão claramente nesses termos, mercado de trabalho livre e livre associação.

      “Como defensor de uma economia de livre mercado, é uma obrigação e algo que considero natural enfrentar os desafios da globalização. Seguindo a tradição de responsabilidade à qual meu tataravô se dedicou com suas ações sociais pioneiras, desejamos oferecer condições de trabalho humanas em todo o mundo e também ajudar nossos colaboradores a obter melhores padrão e qualidade de vida. Isso garante a viabilidade a longo prazo não apenas para nossos colaboradores, mas também para a Faber-Castell como um todo.”

      Está no site brasileiro da empresa.

      1. A Holcim, maior cimenteira do mundo, também tem políticas internas de respeito à livre e justa concorrência.

        A maioria das empresas da UE e dos EUA tem que seguir políticas análogas. Pelo menos a UE tem regras bem específicas (ainda que com muitas exceções) que protegem o livre mercado e a livre concorrência.

  3. Achei o seu site procurando sobre os principios do liberalismo clássico, e confesso que cada vez mais que estudo o liberalismo e me pergunto: como nunca pensei nisso antes? Como fui cega a ponto de ver algo tão belo?
    Me identifico completamente e torço para um dia chegarmos nesse patamar, seria maravilhoso.
    Aliás, quem é John Galt? 😉

    1. Boa tarde, Kell.

      É muito gratificante saber que nosso blog está cumprindo seu objetivo de divulgar os valores do liberalismo clássico. Realmente, o liberalismo é uma das filosofias que ajudou a construir o mundo ocidental como conhecemos, com liberdades civis, democracia, respeito a todos os indivíduos independente de cor, sexo e religião, etc. Esperamos seguir construindo e reformando nossa civilização por meio da difusão destas ideias.

      E, é claro, é natural que você tenha demorado um tempo para chegar até estas ideias. Infelizmente, estas ideias passam bem longe do establishment midiático, político e escolar da sociedade da nossa época. Imagine passar 11 anos da sua vida nos bancos escolares aprendendo que liberalismo é ruim e socialismo é uma maravilha. Na prática, é o que acontece desde os anos 70. Mas isto está mudando com o acesso a internet, pois agora as pessoas tem acesso à informação fora daquilo que se ensina e manda ensinar nas escolas, as pessoas questionam.

      Esperamos continuar trazendo este tipo de experiências.

      Abraços

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