A Presunção da Esquerda, Pt. 2

Já tratei anteriormente da presunção esquerdista ao atribuir a si a divina tarefa de dar vida aos seres inanimados que são os humanos sem sua luz. Sobre a prepotência que os leva a crer que podem eficientemente alterar uma ordem natural e lutar contra as forças conjuntas dos indivíduos separados para fazer valer sua vontade; para transformar a sociedade no que julgam ser ideal.

O Partido tem um plano para você. Não, você não pode discuti-lo: você não é um planejador, é apenas um recurso.

Julgo interessante trazer à tona outra questão no que concerne o formato da sociedade. Tratarei da síndrome de operador de maquinário que assola o pensamento canhoto. Almejando o status de engenheiros sociais, os socialistas são pretensiosos a ponto de imaginar ser possível planejar uma sociedade em seus mínimos detalhes. Então, como um engenheiro que projeta uma máquina, eles começam a desenhar. Esse desenho é de grande detalhamento: cada pessoa tem sua função. Assim que pronta a máquina, ela é posta para não funcionar, e o Partido é o competente e capacitado operador. Além disso, é também responsável pela manutenção, o que é ainda mais temerário.

Quando essa nova máquina começa a funcionar, o socialista a contempla vislumbrado. Parece fascinante o modo como ela funciona. Mas com o tempo essa máquina começa a apresentar problemas. E, ao ver a sociedade como mera máquina (materialistas que são), vêem as pessoas como meras peças. E, diferentemente de uma sociedade em que as funções necessárias são cumpridas espontaneamente (com uma alocação de recursos de acordo com o que é demandado), a peça que não cumpre sua função deve ser descartada. Exemplo clássico na história é o episódio que ficou conhecido como “Expurgos de Moscou”. Outras peças acabavam por parar nas Gulags, campos de trabalho na Sibéria dos quais ninguém voltava vivo. Mais feliz teria sido o destino destas peças caso terminassem suas vidas no ferro-velho.

Socialismo ou morte… dos peões, é claro. Castro é que não vai sacrificar-se para manter a máquina funcionando. Recursos podem ser descartados, os “planejadores” não.

Chega um momento em que começa a faltar dinheiro para manter a máquina funcionando com eficiência. O operador sabiamente decide manter funcionando os setores mais importantes. Interessante seria caso falássemos de um real maquinário, mas ao se tratar de uma sociedade o plano passa a ser brutal. Se em um maquinário ele simplesmente deixaria de abastecer tais partes da máquina, na vida real milhões de pessoas morrem de fome e tem sua produção saqueada na Ucrânia. Esse episódio ficou conhecido como Holodomor.

A presunção é tanta que tudo isso não basta. Afinal de contas, tantas pessoas foram sacrificadas em nome do coletivo, o indivíduo pouco importa. No fim, o que sobra é bradar “O CAPITALISMO É CRUEL!”, e ignorar os 100 milhões de mortos que trouxe o socialismo.

O Grande Passo para Frente, programa de modernização criado pelos planejadores centrais do Partido Comunista Chinês: na propaganda, uma China utópica; na vida real, mais de 40 milhões de mortos pela fome. Na tentativa forçada de industrialização, a escassez de comida tornou-se um problema crônico que obrigou os chineses a provar de iguarias como cintos de couro.

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