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Os liberais, os libertários e todos os defensores do capitalismo e da liberdade defendem que o Estado não deve intervir na economia e na vida das pessoas como um todo, e que tudo deve funcionar de forma voluntária, sem coerções estatais.

Mas na prática, o que isso significa? Que diabos eu posso ganhar com isso?

Proponho uma reflexão: pense nos seus mais recentes dias, começando por hoje. Pense em tudo que você fez graças ao Estado e à iniciativa privada. Agora, no que você não pôde graças a eles, ou seja, vice-versa.

Para facilitar, usarei meu exemplo pessoal. Quando acordei de manhã, peguei o jornal (que poderia custar menos se o Estado não cobrasse tantos impostos). Na capa, entre várias notícias, estava falando sobre o recadastramento dos eleitores. Minha cidade, nas próximas eleições, usará meios digitais para identificação de eleitores. E como em todas as outras cidades brasileiras, graças às determinações do governo federal, o voto é obrigatório.

Agora, já temos duas opções para demonstrar intervenções estatais coercivas (isso porque ainda estamos na manhã do dia!). Já que são coercivas, você não tem escolha, é fazer ou se tornar um desobediente civil, o que pode ter complicações legais. Elas são o aumento de preços por causa de impostos e a necessidade do cidadão jundiaiense se recadastrar para poder votar. Sim, o recadastramento é obrigatório.

Mas e o jornal, é obrigatório comprar? Não, não é. Você compra voluntariamente, assim funciona a iniciativa privada. Diferente do Estado, em que você tem muitas obrigações e não tem nenhuma opção a não ser cumprir.

Mais tarde, liguei o computador (que poderia custar menos se o Estado não cobrasse tantos impostos). Acessei a Internet, que funciona voluntariamente, já que nenhum site obriga que você o acesse, e comecei a escrever esse e o outros artigos.

Parei para almoçar e claro, os alimentos poderiam ser mais baratos, mas o governo não perdoa nem alimentos essenciais. Eu poderia comprar mais alimentos se os mesmos fossem mais baratos. Ou então, comprar a mesma quantidade, mas pagando menos, sobrando mais dinheiro para outras atividades, movimentando a economia de outra forma. Seria da forma que o famoso mercado (você já deve ter ouvido falar desse termo e sim, ele representa você e toda a população) determinasse. O que já não é mais possível, já que o Estado impediu, aumentando os preços.

Eu tenho que sair bem mais cedo de casa, pois vou para o curso (em que todos os alunos pagaram caro na apostila, já que é importada e da-lhe impostos de importação e burocracia) com o transporte público da cidade. Não, ele não funciona muito bem, e isso não é raro, principalmente no Brasil. Se o serviço fosse entregue ao livre-mercado (principalmente o coletivo), poderiam ser criadas novas rotas, novos pontos para ruas mais afastadas, fretados personalizados, enfim, diversas novas formas de locomoção e de competição entre as empresas de transporte. Mas elas não podem ocorrer, pois o Estado monopoliza o setor coercivamente.

Um colega faltou recentemente pois teve problemas em relação ao alistamento militar obrigatório. Precisou providenciar declaração, já que o Estado, com seu alistamento militar obrigatório mesmo em período de paz, ocupou boa parte do seu dia, que poderia ter sido bem mais produtivo que enfrentar burocracia para no final das contas ser dispensado. Se o Brasil, com sua populosa nação, não tivesse um governo que dificulta a vida das pessoas a cada segundo, se não atrapalhasse tanto seus cidadãos, não seria preciso serviço militar obrigatório, já que o país seria mais respeitável e desenvolvido, e com isso muito mais pessoas teriam orgulho dele, criando um patriotismo voluntário, não forçado.

E quanto ao meu alistamento? Segundo o site do exército, você tem que levar determinados documentos. Ao chegar na Junta Militar, descubro que na região o processo é outro e são necessários outros documentos. Além de impor algo, fornecem informações contraditórias.

Para ir para a faculdade? O trânsito na região dela aumentou bastante, pois a prefeitura mudou o sentido de algumas ruas e o tempo dos semáforos. Então, o que sobrou para os alunos é estudar, além de suas respectivas disciplinas, estratégias de locomoção, pois chegar no horário ficou mais difícil.

E você leitor, como o Estado (aquele que supostamente luta pelo “bem comum”) dificultou sua vida recentemente? A iniciativa privada, julgada de gananciosa na busca do lucro por socialistas, também te obrigou a fazer diversas coisas, na sua “luta pelo lucro explorador”?

Algumas pessoas podem dizer que essas intervenções são pequenas. Sim, de fato elas são. Mas multiplique-as por mil, já que são milhares de intervenções em todos os momentos. Além disso, começaram antes mesmo de você nascer, e provavelmente irão fazer parte de seu dia-a-dia até o resto de sua vida.

Outros podem dizer que o Estado pode fazer coisas boas. Mesmo isso sendo discutível por diversos ângulos, não existe justificativa para todas as outras milhares que só criam problemas.